Vale perde R$ 72 bilhões em valor de mercado

Brumadinho | Foto: Ricardo Stuckert / Fotos Públicas

Mais Lidos

  • Lula, sua última eleição e seus demônios. Artigo de Antonio Martins

    LER MAIS
  • Vozes de Emaús: Movimento Fé e Política faz história. Artigo de Frei Betto e Claudio Ribeiro

    LER MAIS
  • Parte do Sul Global, incluindo o Brasil, defende que países desenvolvidos abandonem os combustíveis fósseis primeiro. Para Martí Orta, não há espaço para ritmos nacionais distintos na eliminação de petróleo, gás e carvão. O pesquisador afirma que a abertura de novos projetos de exploração ignora os limites definidos pela ciência

    Cancelar contratos fósseis. Não ‘há tempo’ para transição em diferentes velocidades. Entrevista com Martí Orta

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

29 Janeiro 2019

Ações da empresa caíram 24% após tragédia em Brumadinho e decisão da empresa de suspender dividendos a acionistas e bônus a executivos. Empresa também teve R$ 11 bilhões bloqueados pela Justiça.

A reportagem é publicado por Deutsche Welle, 28-01-2019.

As ações da mineradora Vale despencaram 24,04% nesta segunda-feira (28/01), o primeiro dia de pregão do Ibovespa após o rompimento de uma barragem da empresa em Brumadinho (MG).

A queda do valor das ações também foi influenciada pela decisão da empresa de suspender a remuneração a acionistas na forma de dividendos e juros sobre capital próprio e o pagamento de remuneração variável (bônus) a executivos, que foi anunciado no domingo. A reação negativa fez com que a empresa perdesse 72,8 bilhões de valor de mercado em relação ao último pregão. Foi maior queda da história da empresa. A perda acabou contaminando o índice Ibovespa, que recuou 2,29%.

Também nesta segunda-feira, o presidente interino Hamilton Mourão afirmou que o gabinete de crise criado pelo Planalto para lidar com a tragédia estuda a possibilidade de afastamento da diretoria da Vale.

O rompimento da barragem de 86 metros de altura liberou mais de 11 milhões de metros cúbicos de lama e rejeitos de minério de ferro no rio Paraopeba e arrasou instalações da mineradora e parte de uma comunidade da cidade de Brumadinho

Para coordenar a resposta ao desastre, a empresa comunicou ainda que decidiu criar dois comitês independentes. O primeiro acompanhará a assistência prestada às vítimas e as providências para recuperar a área atingida pelo rompimento da barragem. O segundo focará em apurar as causas e responsabilidades da tragédia.

Ambos serão "coordenados e compostos por maioria de membros externos, independentes da companhia", disse a mineradora. Os integrantes dos comitês serão indicados pelo próprio conselho da Vale.

A decisão de suspender a remuneração a acionistas veio após a mineradora ter um total de 11 bilhões de reais bloqueados de suas contas pela Justiça para garantir o ressarcimento de danos causados e indenizar vítimas. A contagem oficial de mortos chega a 60, dos quais 19 corpos foram identificados. Ao menos 292 pessoas seguem desaparecidas. Além disso, o Ibama multou a Vale em 250 milhões de reais.

As buscas por desaparecidos chegaram a ser interrompidas neste domingo devido ao risco de rompimento de outra barragem próxima, mas os bombeiros retomaram os trabalhos após concluírem que o risco havia diminuído. As buscas estão sendo apoiadas por uma equipe de 130 militares de Israel.

Segundo a Vale, a barragem havia sido inspecionada pela certificadora alemã TÜV-Süd em junho e setembro de 2018, ocasião em que foi atestada como estável.

Oficialmente, a barragem que rompeu não recebia novos rejeitos há três anos e estava em processo de desativação. A estrutura foi construída em 1976 pela antiga mineradora Ferteco Mineração, que já foi a terceira maior companhia produtora de minério de ferro do Brasil e pertenceu ao grupo alemão ThyssenKrupp. A barragem e a mina passaram para a Vale em 2001, quando a Ferteco foi vendida. 

Leia mais