O dia do excesso

Foto: ambiental.net

Mais Lidos

  • Lula, sua última eleição e seus demônios. Artigo de Antonio Martins

    LER MAIS
  • Vozes de Emaús: Movimento Fé e Política faz história. Artigo de Frei Betto e Claudio Ribeiro

    LER MAIS
  • Parte do Sul Global, incluindo o Brasil, defende que países desenvolvidos abandonem os combustíveis fósseis primeiro. Para Martí Orta, não há espaço para ritmos nacionais distintos na eliminação de petróleo, gás e carvão. O pesquisador afirma que a abertura de novos projetos de exploração ignora os limites definidos pela ciência

    Cancelar contratos fósseis. Não ‘há tempo’ para transição em diferentes velocidades. Entrevista com Martí Orta

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

04 Agosto 2018

Quarta-feira, 1º de agosto, a humanidade alcançou o limite do consumo de todos os recursos que a terra gera e reproduz ao longe de um ano. Na quinta-feira, 2-8-2018, entramos em um déficit ecológico, consumindo as reservas ambientais planetárias e jogando resíduos que rebaixam as capacidades dos ecossistemas.

O comentário é de Eduardo Gudynas, publicado por Ambiental.net, em 01-08-2018. A tradução é de Wagner Fernandes de Azevedo.

Este limiar é o Dia do Excesso, ou de sobrecapacidade. A partir do que se calcula, se chega a esse limite em datas cada vez mais cedo. Ao inicio dos anos 1970, mais ou menos se coincidia com o calendário do ano, ou seja, que se aproveitava o equivalente ao que o planeta produzia ou regenerava no mesmo ano. Esse limiar começou a se adiantar. A meados da década de 1990, o limite do excesso estava em outubro, enquanto que agora se alcança em agosto.

A partir da quinta-feira se ocupam os recursos que as gerações futuras necessitariam. É que o consumo da humanidade é imenso. Por exemplo, em um ano a soma de todos os recursos extraído, os minerais, hidrocarbonetos, madeiras, alimentos, grãos, peixes, etc. todo eles totaliza 70 bilhões de toneladas.

Esse enorme volume mais a energia e água que necessita e os lixos que gera, equivalem a mais de um planeta terra e meio. Por certo, isso esconde muitas diferenças. Se todos vivêssemos com o estilo de consumo estadunidense devoraríamos os recursos de uns cinco planetas Terra; se fôssemos austeros com na Índia, nossas necessidades seriam de um pouco mais de meio planeta Terra.


Evolução da relação entre a capacidade ecológica da Terra e a apropriação de recursos naturais que fazem os humanos. O balanço de um pra um se quebrou no início da década de 1970, e atualmente se necessita o equivalente a 1,7 planetas terra para sustentar a intensidade de apropriação anual.

Os economistas e políticos se alarmam pelos déficits fiscais ou comerciais, porém não parece lhes interessar muito esse déficit ecológico, e nem sequer promovem seus próprios cálculos para entender de onde se encontra a economia da Natureza nacional.

É uma perda invisível para a economia convencional, e por isso se segue depredando a Natureza. Desse modo esse déficit não deixou de crescer faz quase 50 anos, alcançando uma gravidade alarmante que deveria nos mover a todos uma reação urgente.

Leia mais