Arcebispo de Palermo nega imóveis da Cúria a sem-teto. E eles escrevem ao papa

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20 Novembro 2013

"Os imóveis fechados e não utilizados da Cúria de Palermo, na Itália, são muitos. Nós gostaríamos de utilizá-los, recuperando-os com o nosso próprio trabalho para, depois, restituí-los para a Igreja no momento em que voltarmos a subir a ladeira da miséria em que nos encontramos agora". Assim escrevem em uma carta datada de 3 de novembro 16 famílias de Palermo despejadas poucos dias atrás da Via Calvi, onde tinham ocupado, mas também reorganizado, um edifício.

A reportagem é da agência Adista, 18-11-2013. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

E escrever diretamente ao papa, depois de três dias e três noites passados ao relento diante do Palácio das Águias, sede da Câmara Municipal, porque o arcebispo cardeal Paolo Romeo não foi ao seu encontro: os jovens casais ocuparam um prédio de propriedade da Cúria, na Piazza Verdi, desabitado há mais de 15 anos, sem luz e sem água, pedindo ao cardeal para poder utilizá-lo, regularizando a sua situação com aluguéis simbólicos até outra eventual sistematização e tornando-o habitável para usos futuros.

"Segundo Tony Pellicane, líder do Movimento dos Sem Casa – lê-se no jornal online BlogSicilia do dia 6 de novembro –, Paolo Romeo teria encerrado o diálogo intimando a desocupar pacificamente os alojamentos para evitar que se criassem mais situações pouco agradáveis".

Da Cúria, apenas silêncio. Não existe nenhum comunicado oficial, mas a negação poderia ser rastreada, seguindo o serviço jornalístico, a um pouco especificado "contencioso entre a Cúria, proprietária do imóvel, e o inquilino anterior, a Idi Informatica".

Os signatários, que se declaram "operários desempregados", retomam o que foi dito pelo papa em visita ao Centro Astalli aos refugiados no dia 10 de setembro (de "que servem à Igreja os conventos fechados? Os conventos deveriam servir à carne de Cristo, e os refugiados são a carne de Cristo"): "O patrimônio da Igreja", escrevem, foi doado acima de tudo "para os pobres, e nós gostaríamos que não se desperdiçasse, mas que fosse utilizado e valorizado por todos aqueles que, como nós, estão vivendo um momento de grande dificuldade e de sofrimentos".

"Não queremos esmolas", destaca o grupo na carta, "não estendemos a mão para extorquir a sua piedade, mas pedimos que nos seja restituída a nossa dignidade de homens e mulheres, de pais e mães que têm vontade de lutar e de trabalhar para manter os seus filhos".

"Abram as portas dos seus palácios abandonados à incúria – é a frase final –, e nós os restituiremos eficientes e habitáveis para as famílias pobres como nós!"