“Não me chame de Greta da África. Já somos milhões”. Entrevista com Vanessa Nakate

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01 Outubro 2021

 

“Não me chame de Greta da África. Eu sou Vanessa Nakate. E nem quero ser a ‘Vanessa da África’, porque não se trata de uma pessoa. Há tantos jovens que estão fazendo coisas incríveis em Uganda e em todo o continente. O movimento pelo clima é formado por milhões de pessoas”. A ativista ugandense de 24 anos, que na segunda-feira emocionou o público de 400 jovens reunidos em Milão para o Youth4Climate, se protege. Ela não tem interesse em roubar a cena de Greta, embora confirme com orgulho que aquele discurso tão poderoso - em nome de todos os países mais vulneráveis do mundo - o escreveu sozinha.

A entrevista com Vanessa Nakate é de Sara Gandolfi, publicada por Corriere della Sera, 30-09-2021. A tradução é de Luisa Rabolini.

 

Eis a entrevista.

 

Você, como Greta, acredita que é apenas um "blá, blá, blá" ou sairá da COP de Glasgow algo de bom?

É blá blá blá quando os líderes fazem promessas que não cumprem. Quando falam em metas, garantem que querem chegar a zero emissões até 2030 e, depois, abrem novas usinas a carvão. Mas também sou otimista, porque é difícil ser ativista sem cultivar a esperança. Luto por algo porque quero que se realize, não quero ceder ao pessimismo. É por isso que continuo a lutar e a falar de justiça climática.

 

 

Você diz que não pode falar sobre justiça climática sem abordar o colonialismo e o capitalismo. O que quer dizer?

Conhecemos a história da crise climática, sabemos que tudo começou com a revolução industrial. O capitalismo é o principal responsável, com as emissões contínuas de gases de efeito estufa, o uso de combustíveis fósseis, as usinas movidas a carvão, o gás extraído por fracking. É tudo resultado do sistema capitalista que dá prioridade ao lucro e não às pessoas.

 

Você ficou famosa quando, em Davos, foi "apagada" de uma foto de grupo com Greta. Você era a única negra, falou-se de racismo climático. Você disse: "Você apagaram um continente, não apenas a mim". A África está de volta ao centro da foto?

Está começando a entrar na discussão. Nós, ativistas, trabalhamos muito para ocupar todos os espaços disponíveis e fazer com que nossa voz seja ouvida. Cada ativista tem uma história para contar, cada história tem uma solução e cada solução pode mudar a vida de uma pessoa. Principalmente na África. Estamos fazendo todo o possível para evitar que nosso continente seja posto de lado na discussão climática, assim como em outros âmbitos. Estamos na vanguarda desta crise, mas dificilmente chegamos às manchetes. Queremos mudar essa dinâmica e tornarmo-nos protagonistas.

 

É perigoso ser ativista na África?

Na minha experiência, é bastante difícil devido às chamadas questões de segurança. Você tem que obter as autorizações das autoridades, se você não é apoiado por grandes organizações, você não as consegue. Para mim foi um desafio. É por isso que muitas das iniciativas que realizamos em Uganda ocorreram dentro das escolas. Aulas de educação ambiental, mas também as greves pelo clima.

 

 

Você já teve algum problema?

Quase… mas conseguimos evitar a prisão. No entanto, uma minha amiga ativista foi presa em fevereiro.

 

Você também irá à COP em Glasgow com Greta?

Espero que sim. Mas é tão complicado. Credenciamento, vacina, visto ... Se tudo correr bem, estarei . Mas não só com Greta, com ela e muitos outros ativistas.

 

Não é fácil ver ativistas do Sul global na COP. Onde você consegue o dinheiro?

Graças aos fundos de uma organização ambientalista. Sozinha, nunca teria conseguido participar da COP. Muitos ativistas desistem, apesar de terem o credenciamento, porque não têm dinheiro. A Cop27, no ano que vem, deveria ser na África, talvez no Egito. Os líderes devem garantir que os ativistas do continente estejam presentes. Uma COP na África seria um absurdo sem os africanos.

 

Seus pais e irmãos estão felizes com seu ativismo?

Muito e eles me apoiam.

 

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