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30 Setembro 2021

 

Aos 400 jovens que estavam na sua frente, o cientista Antonio Navarra, presidente do Euro-Mediterranean Center on Climate Change, convidado para falar no Youth4Climate em Milão, disse uma coisa clara: “Temos duas alternativas pela frente. Ou deixamos que as mudanças climáticas ampliem ainda mais a crise, ou trabalhamos com mais recursos, cooperação e solidariedade. Seja como for, vocês devem continuar acreditando na ciência. Hoje, estamos em uma situação excepcional devido ao superaquecimento: coisas excepcionais podem ocorrer em qualquer lugar, e devemos estar prontos”.

A reportagem é de Giacomo Talignani, publicada por La Repubblica, 29-09-2021. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

A mensagem que o cientista italiano reiterou aos jovens que chegaram a Milão de todas as partes do mundo é a de buscar soluções para a “mitigação e a adaptação” que possam ser realmente aplicadas pelos poderosos na COP-26.

“Vocês têm uma oportunidade. Aproveitem-na acreditando na ciência”, repetiu. No Green&Blue, à margem do evento, ele lembrou uma série de problemas aos quais estamos indo ao encontro e que todos devemos começar a levar a sério.

 

Eis a entrevista.

 

Os jovens e os poderosos do mundo realmente conseguirão encontrar sistemas eficazes para mitigar os efeitos do aquecimento global?

Já existem diversas ações de mitigação em curso, que de fato são os compromissos assumidos pelos países durante a COP de Paris e aqueles que deverão ser confirmados na COP-26. São todas medidas que contribuem para mitigar as emissões, mas a adaptação também será necessária, porque sabemos que, apesar das medidas de mitigação, as alterações climáticas, em um certo nível, vão ter um impacto sobre todos nós mesmo assim. Por isso, devemos ter uma ideia desses efeitos para podermos preparar medidas políticas, econômicas e sociais para mitigar os seus efeitos negativos.

Um dos problemas que enfrentamos hoje é a necessidade de remover CO2 da atmosfera. Você acredita que as novas tecnologias nos ajudarão a alcançar isso?

As tecnologias para a remoção de CO2 ainda estão em fase experimental. Existem soluções, mas ainda não conseguem dimensionar as quantidades que são necessárias para melhorar, e a única tecnologia de verdade que temos para remover CO2 da atmosfera neste momento, de fato, é plantar árvores e tentar remover o carbono dessa forma. Quanto ao restante, ainda temos muito trabalho de desenvolvimento para fazer.

Além disso, há a necessidade de descarbonizar para reduzir as emissões, mas ao mesmo tempo encontrar fontes suficientes de energia alternativa.

Hoje estamos tentando fazer algo que nunca foi feito na história da humanidade. Transições importantes do modelo de desenvolvimento sempre ocorreram. A questão é que, desta vez, temos a ambição de governar essa transição: não é simples, a descarbonização ocorrerá por trajetórias previstas e moderadas. Não é possível fazê-la de forma instantânea ou rápida: devemos encontrar tecnologias substitutivas viáveis e modelos de organização da sociedade e da economia, das nossas vidas. Preparemo-nos, porque os caminhos serão longos: não existem varinhas mágicas, e será um trabalho contínuo que exigirá o empenho constante de todos.

Em termos do impacto da crise climática, quais são os maiores riscos para a Itália?

Como sabemos, os eventos meteorológicos tornam-se cada vez mais intensos e frequentes. O aumento do nível do mar é um problema sério e muito complexo. Sabemos que, por motivos físicos, ele tem uma modulação espacial muito alta: em alguns pontos, pode subir mais e em outros talvez pode descer. Portanto, é fundamental que continuemos, como cientistas, a desenvolver instrumentos que nos permitam fazer cenários de subida no Mediterrâneo. A relevância para a Itália é muito alta, porque temos uma grande extensão costeira: posso prever tranquilamente que o problema do impacto das alterações climáticas sobre as costas e sobre a economia costeira será um dos problemas centrais dos próximos 10 a 15 anos.

Você confia nas novas gerações?

Sim, tenho uma grande confiança nos jovens. Na minha época, dizia-se para não se confiar em que tinha mais de 30 anos. Agora, eu confio que eles têm uma visão menos dogmática da questão.

Na luta contra a crise climática, você vê algum sinal positivo?

Alguma coisa já está acontecendo: no ano passado e no ano anterior, pela primeira vez, tivemos o desacoplamento, ou seja, a economia e o aumento das emissões se desacoplaram. A taxa de crescimento da economia foi maior do que o aumento das emissões. Substancialmente, isso significa que usamos menos combustíveis fósseis para produzir a mesma quantidade de riqueza. Esse me parece um bom sinal.

 

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