Os plásticos matam o planeta: os resíduos nos mares podem triplicar em 2040

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25 Julho 2020

Dezessete especialistas se reuniram para desenvolver um modelo de computador capaz de rastrear estoques e fluxos de plásticos em todo o mundo, e os números trazem um futuro devastador: os resíduos desses materiais que chegam aos mares, a cada ano, podem quase triplicar em 2040. Urge – dizem - intervir.

A reportagem é publicada por Público, 24-07-2020. A tradução é do Cepat.

Os pesquisadores pedem soluções integrais para “um mundo que se afoga na poluição plástica” e uma das medidas mais eficazes é aumentar a coleta de lixo com serviços e infraestrutura.

Assim, a cada ano, são despejadas em terra quase 30 milhões de toneladas e se queimam quase 50 milhões de toneladas a céu aberto, além dos 11 milhões de toneladas que acabam nos mares.

Os plásticos inundam os oceanos

No caso dos oceanos, os modelos preveem que se não forem tomadas medidas, a quantidade de plástico que entraria neles a cada ano aumentaria de 11 milhões de toneladas para 29 milhões de toneladas, nos próximos 20 anos, o que equivale a quase 50 quilos de plástico em cada metro de costa, em todo o mundo, observa em uma nota Pew Charitable Trust, que financia esse projeto.

Estes são alguns dos dados incluídos no relatório Breaking the Plastic Wave (Quebrando a onda de plásticos) que foi divulgado nesta quinta-feira, juntamente com um artigo publicado na Science.

De acordo com o modelo, se for levado em conta o período 2016-2040, mais de 1,3 bilhão de toneladas de plástico serão despejadas em terra e nos oceanos. Mesmo com esforços imediatos, os números dizem que 710 milhões de toneladas serão despejadas no meio ambiente: 460 milhões de toneladas na terra e 250 milhões de toneladas na água.

Costas Velis, da Universidade de Leeds, destaca que esta pesquisa fornece pela primeira vez uma visão completa das "impressionantes quantidades" de resíduos plásticos que são despejados em ecossistemas terrestres e aquáticos.

"A menos que o mundo aja, estimamos que mais de 1,3 bilhão de toneladas de poluição plástica acabarão na terra ou em cursos de água até 2040", afirma esse especialista.

Cerca de 95% das embalagens plásticas são usadas apenas uma vez e essa análise mostrou que a maior fonte de poluição por plásticos eram os resíduos sólidos urbanos não coletados, muitos procedentes dos domicílios.

Atualmente, cerca de um quarto de todo o lixo plástico não é coletado, deixando que os indivíduos os descartem. Até 2040, um terço de todo esse resíduo não será coletado.

2 bilhões não têm acesso a um serviço de coleta

Segundo dados da ONU, cerca de 2 bilhões de pessoas no mundo não têm acesso a um serviço de coleta para esses resíduos e esse número pode aumentar para 4 bilhões em 2040, de acordo com pesquisa também liderada pela Universidade de Oxford e Systemiq.

O modelo mostra que cada tonelada adicional de plástico coletado reduz a poluição do ambiente aquático em 0,18 toneladas. A falta de um serviço formal de coleta levou ao crescimento de um sistema informal de recuperação desses resíduos: uma estimativa conservadora indica que existem pelo menos 11 milhões de coletores em todo o mundo que ganham a vida revirando materiais não coletados, buscando o que podem vender para reciclar.

Acredita-se que coletem cerca de 58% de todo o plástico reciclado no mundo, mais do que todas as autoridades juntas, mas suas condições de trabalho não são seguras.

Outra coisa que se constatou foi a enorme quantidade de plásticos que são queimados abertamente. Embora a queima reduza a quantidade de lixo que é lançada na terra e nos mares, gera fumaça potencialmente tóxica e contribui para a emissão de gases do efeito estufa.

Se nenhuma medida for tomada, a modelagem computacional estima que aproximadamente 2,5 bilhões de toneladas dessas sobras serão queimadas a céu aberto, entre 2016 e 2040, ou seja, mais do que o dobro da quantidade que se prevê despejar na terra e no meio aquático.

Esses números revelam a escalada de um problema causado pelos sistemas globais de gerenciamento de resíduos, "incapazes de enfrentar o crescente volume de resíduos plásticos", observam os autores.

Concluem que não existe uma única solução mágica, mas, sim, um conjunto que poderia reduzir o fluxo de plástico para os oceanos em 80% do nível projetado até 2040. É preciso, dizem, reduzir o crescimento da produção e do consumo para evitar quase um terço da geração de resíduos plásticos projetada, substituir o plástico por papel e materiais compostáveis e desenhar produtos e embalagens para reciclagem.

Além disso, ampliar as taxas de coleta desse lixo nos países de renda média/baixa até cerca de 90% nas áreas urbanas e cerca de 50% nas áreas rurais e apoiar o setor de coleta informal. O objetivo nos países de alta renda deveria ser diminuir seu consumo, melhorar o design dos produtos e a reciclagem, enquanto nas economias de renda baixa e média devem ser melhorados a coleta de resíduos e o investimento em triagem e reciclagem.

Essas intervenções reduzirão a poluição plástica nos mares, mas não a impedirão. Tentar obter uma poluição plástica quase zero exigiria avanços tecnológicos, novos modelos de negócios, gastos significativos e, o mais importante, inovação.

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