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Por: João Vitor Santos | 28 Agosto 2017

Basta uma rápida olhada nos noticiários que, inevitavelmente, ouviremos algo sobre a chamada crise migratória. Em 2016, 65,6 milhões de pessoas foram forçadas a deixar seus locais de origem, segundo dados da Agência da ONU para Refugiados. Mas, atrás da frieza dos números há vidas que, depois de dilaceradas por guerras e conflitos, tentam uma vida melhor longe de casa, da família e da sua cultura. Muitas dessas pessoas vêm de países do continente africano e se arriscam em viagens insalubres. Só neste ano, segundo a Organização Internacional para as Migrações - OIM, mais de 100 mil imigrantes chegaram à Europa pelo Mediterrâneo em embarcações precárias. O pior é que, depois de tanta dor e dificuldade, essas pessoas encontram ainda mais problemas. Seja por preconceito ou por dificuldades econômicas, os países que escolhem para viver não os recebem bem e eles passam a engrossar a massa de marginalizados.

 

“Não sou preocupado com eu, mas com minha família. Eu vendo, trabalho, faço tudo por eles. Passo dificuldade, mas se vejo no Facebook ou no Whats que estão bem, eu também estou”. O desabafo, feito em português precário, é de Massamba Mbemgue, imigrante senegalês. Ao ouvir seu relato, é inevitável se emocionar, pensar em tudo que passou e nas dificuldades que enfrenta. Ele está entre os inúmeros imigrantes marginalizados na Europa, lá no velho continente? Não, vive aqui no Vale do Sinos, em Novo Hamburgo, no sul de um país que tem fama de bom anfitrião e numa região que se autoenuncia como a mais politizada. “Pede pra eu sair de Novo Hamburgo. E fico triste. É difícil pra sair. Gosto muito de Novo Hamburgo”, diz.

 

Senegaleses participaram de roda de conversa no IHU (Foto: João Vitor Santos/IHU)

Massamba esteve com mais dois conterrâneos, Mor Diagne e Serigne Bamba Toure, participando de uma roda de conversa promovida pelo Instituto Humanitas Unisinos – IHU, no campus Unisinos São Leopoldo, na tarde de quinta-feira, 24-8. O objetivo do encontro era conhecer mais sobre eles e a Associação dos Senegaleses de São Leopoldo e Novo Hamburgo - ASSLNH. Aberto a toda a comunidade da região, a reunião acabou escrachando a inabilidade em entendermos e acolhermos esses imigrantes. “Somos abertos a todas as culturas e nos esforçamos para aprender o idioma, mas temos muitas dificuldades. Se dizem que sou difícil, que não conseguem se comunicar comigo eu fico mal”, desabafa Massamba. “Nos trata mal, mas esquece que aqui São Leopoldo e Novo Hamburgo era tudo de imigrante. Agora somos nós. Por que não nos aceita?”, questiona Bamba.

Sem emprego, rua é alternativa

Massamba é o mais falante dos três. Enquanto desabafa sobre todas as dificuldades, Mor não consegue driblar a timidez e Bamba sacode a cabeça de um lado para outro demonstrando que sofre também, sentimento que se transforma em indignação por não compreender tamanha resistência. Os brasileiros parecem não só não compreender os senegaleses como também não fazem nenhum esforço para os acolher e respeitar sua cultura. “Muitos diz: vem cá haitiano. Eu não sou haitiano”, reclama Bamba, ao reproduzir apenas uma das inabilidades dos nativos para com os imigrantes. O Brasil tem recebido haitianos, que vêm de uma ilha na América Central, enquanto o Senegal fica na costa atlântica da África, pouco abaixo da linha do Deserto do Saara. Ambos os povos são de maioria negros, mas de culturas completamente diferentes.

 

Ruas de Dacar, capital do Senegal (Foto: Wikmedia)

Para muitas das pessoas que estavam participando do encontro, essa é a questão de fundo diante de tanto preconceito: são negros. Como o país nem conseguiu ainda fazer justiça com a história de seus negros, a resistência com o imigrante negro é ainda maior. “Mas italiano, alemão, é tudo imigrante. As pessoas precisam entender. O mundo gira por imigrantes”, diz Massamba. Ele vive há cerca de três anos no Brasil e diz que viu muitos de seus amigos sofrerem por falta de oportunidade. “Trabalham numa empresa, mas se sentem muito mal. Sofrem com isso e vão trabalhar na rua”, conta. Ele ainda diz que muitos até seguem trabalhando “em empresas”, mas o salário muito baixo também os leva a complementar renda vendendo eletrônicos nas ruas das cidades. “Paga 900 Reais, mas com descontos fica muito pouco para viver e ainda mandar dinheiro para a família”.

 

Massamba diz que gosta da cidade de Novo Hamburgo

(Foto: João Vitor Santos/IHU)

Os senegaleses não enfrentam só a crise do desemprego, como muitos brasileiros. Eles sequer têm a oportunidade de buscar trabalhos mais rentáveis, embora muitos tenham qualificação. “Tem gente que tem um, dois, três diplomas. Diz o que faz e quando recebem diz que tem vaga para faxina, para segurança. Tenho amigo que tinha negócio e experiência no Senegal e aqui só consegue trabalho de faxina”, recorda Massamba.

Bamba também tem uma profissão, mas sequer deixam falar de suas experiências. Extremamente magro e alto, quando se apresenta logo pensam numa vaga de segurança ou manobrista. “É o que dão para ele, quando não acham que é do crime. Não somos criminosos, senegaleses não se envolvem com o crime. Tem até medo de sangue”, brinca Massamba, que é de estatura bem mais baixa que a do companheiro.

Um currículo na cabeça

Massamba conta que estuda, busca se qualificar no Brasil. Entretanto, lamenta: “eu estudo aqui, estudo administração, mas sei que não vou usar. Estudo porque quero, porque sei que é bom pra mim”. Ele fala com a prioridade conferida pela dor da experiência que já teve. “Tenho um amigo com três, quatro diplomas, com até mestrado, mas que está vendendo na rua”. Com a ajuda de brasileiros que integram a comissão de apoio da Associação dos Senegaleses, um dos imigrantes foi tentar uma vaga no Aeroporto Salgado Filho. Prepararam um currículo para ele, mas sem foto. As qualificações impressionavam, principalmente pela fluência em muitas línguas, mas quando viram que se travava de um negro imigrante a vaga lhe foi negada.

Mais uma vez, Massamba lamenta: “as pessoas têm um currículo pronto na cabeça quando fala que é senegalês. Não adianta, pode mostrar, dizer o que quiser, mas a pessoa não aceita. Já tem um currículo pronto na cabeça”.

Mariana Szajbly acompanha atentamente a conversa. Argentina, religiosa da Comunidade Missionária de Cristo Ressuscitado, lembra que as leis brasileiras são muito duras e é difícil reconhecer diplomas de muitos lugares do mundo. “Nós vivemos essas dificuldades na nossa comunidade”, pontua. Situação que se repete com os senegaleses, revelando uma inabilidade brasileira de acolher qualquer imigrante e até aprender com outras culturas.

 

Mor não entende porque não podem ensinar idiomas a brasileiros (Foto: João Vitor Santos/IHU)

O Senegal tem como língua oficial o francês, mas é falado por uma minoria da população, ainda herança das escolas colonialistas sob a dominação da França. A maioria das pessoas fala sua língua étnica, os também chamados dialetos locais. Para se ter ideia, em Dacar, é falado wolof, o pulaar é o idioma dos fulas e toucouleur e assim seguem uma infinidades de dialetos que misturam línguas tribais e sofreram influências de outros idiomas trazidos pelos colonizadores. Há, inclusive, um português crioulo, falado na região da cidade de Ziguinchor. Isso permite com que os senegaleses aprendam e tenham fluência em outros idiomas. Muitos falam até idiomas árabes, pois há forte presença da religião islâmica na região e aprendem o árabe para ler o Alcorão. “Mas não aceitam que a gente trabalhe ensinando essas línguas. Pedem papel, inventam tudo que é coisa”, reclama Mor.

Repressão

Ao longo da tarde, em meio a tantos relatos que revelavam a inabilidade de reconhecer a si mesmo no outro, os senegaleses diziam frases como: “se o Brasil é um país de paz e democracia, isso não pode acontecer”, “no Senegal, nós gostamos muito de cultura. Quando vemos alguém de uma diferente, logo tratamos de aprender para tentar respeitar”, “se o brasileiro for no Senegal vai ser bem recebido e respeitado, mas isso não se devolve para nós que estamos aqui”. E além de todo o preconceito, ainda sofre com a repressão do poder público nas cidades.

Tanto em São Leopoldo quanto em Novo Hamburgo, sob o argumento de combater o comércio ilegal de ambulantes, os senegaleses são os que mais sofrem. “Tem gente vendendo de tudo, mas é sempre nos senegaleses”, diz Bamba, que não faz comércio de rua, mas luta pelo direito de seus companheiros para venderem os produtos. “Dizem que a gente vende mercadoria falsa, que é contrabando. Compramos as coisas em São Paulo, tudo com nota fiscal. Sabem que tem loja que vende mercadoria falsa, mas o fiscal não vai lá”, completa Massamba.

Cláudia Aguiar Soares, uma das brasileiras que apoia os imigrantes, confirma: “não é contrabando. Eles compram tudo em São Paulo e vem vender aqui. Tudo tem nota fiscal. Temos como provar”.

Bamba luta pelo direito do comércio de rua de companheiros (Foto: João Vitor Santos/IHU)

Mas parecem ser argumento não válidos para fiscais municipais. Segundo os imigrantes, apreensões de mercadorias e truculência nas ações são rotina. “Eles levam todas as mercadorias e não conseguimos recuperar nem 1%. E sei de gente que não consegue nem recuperar nada”, revela Massamba, ao evidenciar a mágoa com a cidade de Novo Hamburgo.

Recentemente houve apreensão no município e o grupo, auxiliado por brasileiros, tentou reaver a mercadoria. “Disseram que não poderia devolver, pediam várias coisas e não conseguimos resolver. Disseram que ia destruir. Tudo bem, mas quero ver destruir. Ninguém sabe para onde vai e o que fazem com as mercadorias”, denuncia.

Bamba e Massamba ainda trazem bem forte na memória discussões que tiveram no prédio da Prefeitura de Novo Hamburgo por causa das mercadorias. “Nos proibiram até de falar nossa língua entre nós”, diz Bamba. “Tentamos falar brasileiro, mas não conseguimos às vezes. Se falamos entre nós, não é para desrespeitar ninguém”, completa Massamba.

Os senegaleses reconhecem que há regras para comércio de rua e por isso tentam interlocução com o poder público. “Em Porto Alegre, tem dois senegaleses que tem loja. Nós também queremos, não gostamos de vender na rua, todos querem ter um lugar, um espaço para vender”, destaca Massamba. Cláudia conta que é por isso que tem proposto reuniões com as prefeituras para discutir a possibilidade de regularizar esse comércio. “Temos ideia e proposta de fazer um tipo de centro comercial. Em São Leopoldo estamos conversando nesse sentido, mas em Novo Hamburgo sequer conseguimos falar sobre isso. Parece que não querem saber dos senegaleses lá”, aponta.

O que dizem as prefeituras

A IHU On-Line entrou em contato com as prefeituras de São Leopoldo e Novo Hamburgo e levou algumas questões a partir das reivindicações dos senegaleses. Confira as respostas enviadas por e-mail.

 

São Leopoldo

Respostas concedidas pelo secretário de Desenvolvimento Econômico e Tecnológico, Olimar Queiroz.

IHU On-Line – Como o município vem desenvolvendo ações ou projetos de inclusão dos senegaleses em São Leopoldo?

Olimar Queiroz – O município vem se reunindo com a associação dos senegaleses visando buscar alternativas para a inclusão dos ambulantes no mercado formal, contratando empresas ou entidades.

IHU On-Line – De que forma a Administração vem atendendo esses imigrantes que chegam na cidade?

Olimar Queiroz - Alguns dos senegaleses já foram indicados para vagas no mercado formal de trabalho e ainda estamos em tratativas com CDL e ACIST.

IHU On-Line – Foram relatados diversos conflitos com comerciantes locais. Como o poder público tem agido diante desses conflitos, mediando a relação entre imigrantes e comércio local?

Olimar Queiroz – Esses conflitos foram superados à medida que se intensificou o processo de fiscalização, sobretudo nas ruas Independência e Lindolfo Collor. Durante este processo, não houve situação de repressão e nem apreensão de mercadorias.

IHU On-Line – Diversas pessoas, não só senegaleses, relatam que estabelecimentos comerciais avançam sobre o passeio público com correntes e outras forma de obstáculos a fim de impedir a ação de comércio feito por ambulantes. Isso é permitido? Como a Prefeitura tem trabalhado a questão com o comércio local?

Olimar Queiroz – Essa informação não procede. Isto acontecia antes que a prefeitura tomasse providências de fiscalização mais intensa na Rua Grande. A prefeitura continua realizando fiscalização diária, em horário comercial, nas ruas centrais da cidade, tanto nos estabelecimentos regulares como nos irregulares.

 

Comércio de rua na periferia de Dacar (Foto: Wikmedia)

IHU On-Line – Por que os senegaleses não podem comercializar seus produtos nas ruas principais do centro antes das 17 horas?

Olimar Queiroz – O município esta priorizando a emissão de licença para ambulantes que atuem no ramo de alimentação ou artesanato. Não há nenhum tipo de discriminação pela origem daqueles que requeiram licenças para este tipo de atividade.

IHU On-Line – Como a administração vem tratando a sugestão do grupo de construir uma espécie de centro comercial para os senegaleses e outros ambulantes possam vender seus produtos? Já tem prazos e datas estabelecidos?

Olimar Queiroz – A administração, através do diálogo, vem buscando alternativas de comercialização tanto para os senegaleses como para outros ambulantes, pensando em espaços estratégicos, como por exemplo, a Rua 24 Horas, o Centro Comercial Popular (Camelódromo), a Rodoviária ou a participação de grupos, como a Economia Solidária e outros grupos parceiros no ramo de artesanato. Outra opção é o registro como MEI, na sala do empreendedor. Com relação ao prazo, não há nada definido, pois a administração está se reunindo internamente entre as secretarias afins. Trata-se de um assunto complexo e que exige várias discussões.

Novo Hamburgo

Respostas elaboradas pela Assessoria de Imprensa da prefeitura.

Senegaleses em manifestação por mais direitos em cidades do Vale do Sinos (Foto: Alex Glaser/ASSLNH)

IHU On-Line – Os senegaleses alegam que tiveram mercadorias apreendidas por fiscais da prefeitura. Foi pedido que apresentassem as notas fiscais dos produtos para que fossem retirados. Segundo eles, isso foi feito e nem 1% das mercadorias foram devolvidas. Há casos de pessoas que não conseguiram recuperar sequer um produto. Por que esses materiais foram apreendidos? Que infração cometeram? Por que esses materiais não foram devolvidos em sua totalidade, já que as devidas notas foram apresentadas?

Prefeitura – Os materiais foram apreendidos porque os ambulantes não possuem alvarás para a comercialização, atuando em zona não permitida para o comércio ambulante e não apresentando notas das mercadorias no momento da fiscalização, além de comercializarem mercadorias piratas.

Nas mercadorias apreendidas foram devolvidas, quando posteriormente os ambulantes apresentaram nota. As que não possuíam notas fiscais não foram devolvidas. As notas apresentadas não foram do total de mercadorias que eles comercializavam. Alguns ambulantes não apresentaram nenhum comprovante de compra legal da mercadoria para a retirada do material apreendido.

As mercadorias só podem ser retiradas pessoalmente pelo nome constado na nota fiscal, mediante comprovação de documento identificatório e assinatura do termo de recebimento.

Infrações cometidas pelos infratores: ao Decreto Municipal 2444 (que estabelece o perímetro proibido ao comércio ambulante e a quaisquer atividades exercidas sobre a área de domínio público), a Lei Municipal 1542 e a Lei Federal 9610.

IHU On-Line – O grupo relata que foram até a prefeitura e, com frequência, não são recebidos. Alegam que sofrem discriminação e que são proibidos até mesmo de falarem seu dialeto no prédio da Prefeitura e chegaram a ser coagidos com a presença da guarda municipal. Por que isso ocorre?

Prefeitura – Isso não ocorre. Em todos os momentos que vieram na Prefeitura foram recebidos. Na primeira vez em que compareceram com uma representação da Associação e mais três representantes dos senegaleses foram recebidos pela Gerente de Inovação e Captação, pelo Diretor de Desenvolvimento, a Chefe de Gabinete da Secretaria de Desenvolvimento Econômico e a Chefe de Gabinete da Secretaria de Segurança. Em todos os outros momentos que eles compareceram à Prefeitura, foram recebidos pelos funcionários da SEDEC.

Num segundo encontro, os senegaleses e um professor da Unisinos se reuniram com o Procurador-Geral do Município, pelo Secretário da Fazenda, com o Chefe de Gabinete do Executivo e a Chefe de Gabinete da SEDEC.

A Guarda Municipal está presente quando um grupo determinado de pessoas acessam um espaço público de maneira agressiva, sem organização e horário marcado.

Numa mesa de negociação torna-se necessário o entendimento mútuo, em função disto foi solicitado para falarem a língua portuguesa.

IHU On-Line - Integrantes da Associação, composta por brasileiros que prestam apoio e os próprio senegaleses, buscam com frequência a instância municipal para, juntos, discutirem um projeto de inclusão dos mesmos na cidade. Entretanto, alegam que o poder público se nega a discutir propostas de inclusão e não recebem membros da associação. Por quê? O que o município desenvolve em termos de projetos ou ações para a inclusão de senegaleses no município?

Prefeitura – Em nenhum momento deixamos de receber os integrantes da associação e os próprios senegaleses. O poder público não se nega a discutir propostas de inclusão que sejam legais e atinjam toda a população e não só parte dela. O princípio da gestão pública é a garantia do bem-estar e equidade para todos os membros da sua comunidade. O município orientou todos os senegaleses a procurarem a nossa Agência Municipal de Emprego para a confecção de carteira de trabalho e também verificarem as vagas disponíveis pelo órgão.

IHU On-Line – De que forma o município medeia com a comunidade e comércio local a inclusão de imigrantes vindos de diversos países?

Prefeitura - Acesse matéria a respeito: AME encaminha imigrantes para o trabalho formal

IHU On-Line – Deseja acrescentar algo?

Prefietura - Os senegaleses, na primeira ação de fiscalização, foram orientados quanto à legislação de ambulantes do município. Na segunda ação, foram notificados e mais orientações foram dadas. A partir do descumprimento das notificações, foram feitas as apreensões de acordo com as Leis Municipais e Federais. As ações são realizadas não somente com ambulantes senegaleses, são realizadas notificações e apreensões a todos os ambulantes ilegais no município, independente de naturalidade e nacionalidade.

Por um direito de sonhar

Como todo o continente africano, o Senegal vive conflitos internos, guerras e disputas políticas que fazem aumentar a pobreza e a desigualdade. Muitos desses conflitos, como em países do Oriente Médio, levam a população local a buscar melhores condições de vida. Assim, se lançam mundo afora em busca de trabalho que possa fazer com que melhorem um pouco a vida das famílias que ficam na terra natal. Seguindo com as características das organizações sociais clânicas, a decisão de imigrar é sempre tomada em família. Massamba, por exemplo, tem o pai que vive há anos na Itália. Em um determinado momento, a família entendeu que ele também precisava sair. “Nem conhecia o Brasil. Só sabia de futebol, achava que falavam espanhol”, recorda.

 

E o Brasil não estava nos seus planos mesmo. Depois que a família decidiu que viria para a América, deixou o Senegal e ingressou no continente pelo Peru. Em 2013, chega a Argentina. “Mas não me adaptei e de lá resolvi vir para o Brasil. Cheguei em 2014”, conta.

Com a dificuldade do idioma, se associou a outros senegaleses mais no centro do Brasil e de lá veio a ideia de vir para o Rio Grande do Sul.

Normalmente, eles viajam com referência de conterrâneos e vão se deslocando com a ajuda de outros companheiros que passam a considerar irmãos. Acabam arrumando pequenos cômodos nas periferias das cidades e dividem as despesas entre si. Com os três não foi diferente. “Nos ajudamos muito. Não estamos aqui por nós. Estamos aqui por nossas famílias, para enviar dinheiro para eles”, completa Massamba.

Mor também viu sua hora de imigrar chegando e queria ir para qualquer país. Foi pesquisando na internet que descobriu o Brasil. “Quando cheguei já sabia algumas coisas. Preparei muito a viagem, mas nem por isso não encontrei dificuldades”, diz. Bamba se mostra inquieto e irrompe: “todo mundo tem direito de sonhar. Nós sonhamos, mas quem realiza é Deus. Todo o brasileiro também sonha, mas vai para os Estados Unidos, para o Canadá. Quem tem oportunidade, vai para um lugar melhor. É isso que nós buscamos”.

 

Momento de integração cultural entre senegaleses e brasileiros (Foto: Alex Glaser/ASSLNH)

E é para lutar por esse direito dos senegaleses de sonhar que um grupo de brasileiros tem se aproximado. É assim que está nascendo a Associação dos Senegaleses de São Leopoldo e Novo Hamburgo. O grupo reúne imigrantes do Vale do Sinos e de cidades da região metropolitana como Esteio e Montenegro.

Em Porto Alegre, também há uma associação similar. “Temos muitas ideias, pensamos em ter uma sede para receber os senegaleses e poder arrumar um lugar para ficar, ajudar a conseguir trabalho. Por isso, toda ajuda é bem-vinda”, diz Cláudia, uma das brasileiras que se associa ao grupo.

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