Cardeal Schönborn: de todos os papas, Bento XVI foi o mais próximo de mim

Foto: kathpress / Stephan Schönlaub

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02 Outubro 2026

Seus lugares favoritos, pizzaria, sorveteria: o arcebispo emérito de Viena, Christoph Schönborn, agora vive longe da Praça de Santo Estêvão. O cardeal aprecia a vida entre o povo.

A reportagem é publicada por katholisch.de, 02-10-2026.

O cardeal e arcebispo emérito Schönborn participou de duas eleições papais e trabalhou em estreita colaboração com três papas. Por que ele tem especial apreço por Bento XVI e o que pensa da proibição do véu para meninas na Áustria?

De todos os papas que o arcebispo emérito de Viena, Christoph Schönborn, conheceu desde que foi admitido no Colégio Cardinalício, o papa Bento XVI (2005-2013) foi o mais próximo dele. “Ele era professor de Teologia e eu estudei com ele”, disse Schönborn em entrevista ao jornal austríaco Heute (sexta-feira).

De 1972 até a renúncia de Bento, ele pôde “trabalhar muito de perto com ele”, explicou o cardeal. “Portanto, não conheci nenhum dos papas tão bem quanto ele e continuo a ter um enorme apreço por ele”. Também de Francisco (2013–2025) ele “gostava muito”. “E acredito que ele também confiava em mim. Ele demonstrou isso repetidas vezes”.

Questionado se, nas duas eleições papais de 2005 e 2013, teria gostado de ser eleito papa, o cardeal-arcebispo respondeu: “Minha mãe respondeu a isso maravilhosamente, com uma frase que deu a volta ao mundo: ‘Isso não seria coisa para o meu menino!’”

Nos dois conclaves, houve uma grande diferença entre as previsões da mídia e os candidatos reais. “Foi assim de novo agora com o Papa Leão, ainda que, internamente, alguns contassem com ele”.

“Essa não é a maneira correta de lidar com isso”

Além disso, Schönborn defendeu sua crítica à proibição do véu para meninas nas escolas. “Nem eu nem os professores e as professoras podemos decidir o que é coerção ou liberdade”. Ele comparou a questão à Primeira Comunhão ou aos meninos judeus que usam a kipá. “Minha convicção pessoal é: o Estado deveria interferir o mínimo possível nisso”, disse Schönborn. “Se, como na França, todos os símbolos religiosos forem proibidos, eu, como representante religioso, não poderia entrar em uma escola nem mesmo com uma pequena cruz peitoral. Essa não é a maneira correta de lidar com o caso”.

Pode muito bem ser, disse, que se deseje mais tolerância por parte de alguns círculos muçulmanos. “Mas não podemos fingir que os cristãos sempre foram campeões mundiais da tolerância”, advertiu o cardeal. Sobre os 42% de crianças muçulmanas nas escolas de ensino obrigatório de Viena, mencionados na entrevista ao Heute, o prelado disse: “Quem tem as crianças tem o futuro”. Isso também seria consequência do desenvolvimento demográfico diferente. O arcebispo emérito de Viena fez referência a uma declaração do prefeito de Viena, Michael Ludwig, que teria dito: “Voltem para a Igreja, assim teremos mais católicos!” A respeito disso, Schönborn afirmou: “Não se pode estranhar que os muçulmanos se tornem a maioria se todo austríaco decente sai da Igreja – ‘porque é assim que se faz’”.

Sobre sua própria vida de aposentado em um pequeno mosteiro vienense, Schönborn falou: “Continuo celebrando a missa diariamente, seja aqui no mosteiro, seja nas paróquias”. Agora, porém, ele tem menos responsabilidade pela instituição Igreja. “O bonito é que agora posso me dedicar às pessoas aqui do bairro – por exemplo, no caminho de ida e volta ao supermercado. Essa também é uma nova liberdade para mim: ir eu mesmo fazer compras. Outras pessoas estão acostumadas com isso desde jovens”.

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