04 Setembro 2026
Articulação para impedir avanço da pauta teria sido liderada pelo coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro (PL) à presidência da República, o senador Rogério Marinho (PL-RN)
A reportagem é de Niara Aureliano, publicada por ExtraClasse, 03-09-2026.
A expectativa do governo de aprovar o fim da escala 6×1 no plenário do Senado nesta quarta-feira, 2 de setembro, não se concretizou. Tanto o presidente Lula (PT) quanto o líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP) culparam um movimento orquestrado pela oposição para impedir o avanço da pauta, como o esvaziamento do plenário. A articulação teria sido liderada pelo senador Rogério Marinho (PL-RN), que é coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro (PL) à presidência da República. Flávio, que é membro da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), não participou da audiência. A ação da oposição gerou insegurança no governo sobre o número de votos necessários para aprovar a PEC 221/2019, que acabara de ser aprovada na CCJ.
Em entrevista coletiva, o senador Randolfe argumentou que seria arriscado tentar votar a PEC em plenário no mesmo dia. Para aprova-la, é preciso 49 votos favoráveis no Senado em dois turnos de votação. De acordo com mapa do governo, teriam 53 votos para aprovar a matéria, uma margem pequena de diferença, e preferiram não arriscar ver a PEC derrotada no plenário.
O governo também conseguiu aprovar na CCJ um requerimento que prevê calendário especial para acelerar a tramitação da matéria, eliminando os intervalos regimentais (chamados de interstícios). O requerimento precisa ser aprovado também no plenário do Senado. A inclusão da PEC 221/2019 na pauta do plenário depende do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).
O que o governo vai fazer
Agora o plano do governo é tentar uma nova data para a votação da matéria, nos meses de setembro ou outubro. Para setembro, seria necessário convencer Alcolumbre (União-AP) a convocar uma sessão extraordinária. O esforço concentrado do Congresso acaba nesta sexta, 4, e deve ser o último até a eleição, marcada para 4 de outubro. O próximo esforço concentrado, segundo Randolfe, deve acontecer na segunda semana de outubro.
🔍 Adicione o Instituto Humanitas Unisinos – IHU às suas fontes favoritas do Google
O fim da escala 6×1 é defendido por 71% da população brasileira, afirmou pesquisa Datafolha divulgada em março deste ano. E é, também, uma das principais bandeiras da campanha de Lula à reeleição.
Na CCJ, quatro senadores de oposição fizeram questão de registrar voto contrário à proposta: Hamilton Mourão (Republicanos-RS), Rogério Marinho (PL-RN), Jaime Bagattoli (PL-RO) e Tereza Cristina (PP-MS).
PEC da oposição
De autoria de Marinho (PL-RN), a PEC 12/2026 foi proposta como alternativa ao fim da escala 6×1, quando da aprovação da pauta, em maio, na Câmara dos Deputados.
A matéria cria um regime baseado em horas trabalhadas, aposta na negociação entre empregador e trabalhador e pretende calcular salários e benefícios como FGTS, férias e 13º salário de forma proporcional à carga horária cumprida. Desta forma, amplia, o modelo de acordos individuais entre trabalhador e patrão, e enfraquece os acordos coletivos negociados por sindicatos. Mas, principalmente, mantém a possibilidade de jornadas de até 44 horas por semana, por isso, a PEC da oposição foi apelidada nas redes sociais de “PEC da escala 7×0”. O senador Otto Alencar (PSD-BA), aliado do governo Lula (PT), não colocou o tema em pauta.
O jornal Extra Classe procurou os senadores Flávio Bolsonaro e Rogério Marinho, que não retornaram até a publicação da matéria. O espaço segue aberto e caso os senadores retornem, a matéria será atualizada.
Leia mais
- Fim da escala 6x1 e a liberdade de dizer sim senhor, patrão. Artigo de Heitor Scalambrini Costa
- Brasil sob polarização: avaliação e perspectivas. Artigo de Esther Solano e Alexandre Fuccille
- Presidente do Senado ainda não enviou PEC do fim da 6×1 à comissão
- Fiergs e sindicatos patronais divulgam carta a favor da ‘PEC 7X0’
- O cinismo dos patrões diante do fim da escala 6x1. Artigo de Heitor Scalambrini Costa
- Governo e Câmara fecham acordo para fim da escala 6×1 e 40 horas semanais
- O que Nikolas Ferreira dava em troca dessas caronas? O deputado do Bolsonaro vai ter que explicar essa. X-Tuitadas
- CCJ aprova fim da 6×1 e pauta vai ao plenário
- Agora a pressão é sobre o senado pelo fim da escala 6x1. Artigo de Heitor Scalambrini Costa
- O Brasil da hora de incertezas e recuos. Entrevista especial com José de Souza Martins
- 6×1: Centrão e oposição querem aproveitar falta de decisão para mudar CLT
- Fim do 6×1: a urgência do descanso esbarra no limite do bolso. Artigo de Marcelo Phintener
- ‘Bateria social esgotada’: a espera de trabalhadores pelo fim da escala 6×1
- Centrais sindicais solicitam audiência com Alcolumbre para tratar do fim da 6×1
- Empresariado lança campanha para que Senado não decida fim da 6×1 nas eleições
- Flavio Bolsonaro tem ‘teto de vidro’ e 6×1 será trunfo de Lula, analisa cientista político
- Autor de PEC do “horário flexível” é coordenador da pré-campanha de Flávio Bolsonaro
- Extrema direita pode barrar votação do fim da 6×1 no Senado
- MPT investiga suspeita de assédio eleitoral após fala de Luciano Hang sobre fim da 6×1