02 Junho 2026
Alcolumbre colocou PEC do horário flexível, alternativa da oposição, na frente da fila; presidente da CCJ não deve pautar projeto da oposição antes de pautar proposta aprovada na Câmara dos Deputados.
A reportagem é de Niara Aureliano, publicada por Extra Classe, 01-06-2026.
O presidente do Senado Davi Alcolumbre (União-AP) não enviou até o início da manhã desta segunda-feira, 1º de junho, a proposta de emenda à Constituição (PEC) que extingue a jornada 6×1 à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado para análise. A PEC foi aprovada pela Câmara dos Deputados na última quarta-feira, 27 de maio.
Por outro lado, proposta encabeçada pela oposição ao governo Lula (PT), alternativa ao fim da 6×1, que cria um regime flexível baseado em horas trabalhadas, foi despachada à CCJ por Alcolumbre no mesmo dia em que foi protocolada, na última quinta, 28. O autor da PEC 12/2026 é o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da pré-campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Queda de braço
O presidente da CCJ, senador Otto Alencar (PSD-BA), aliado do governo Lula (PT), não deverá passar na frente o projeto da oposição. Ele já indicou que a prioridade da CCJ será a proposta aprovada na Câmara dos Deputados, que prevê a redução da jornada de trabalho sem redução de salários, e que conta com o apoio de mais de 73% da população brasileira.
No entanto, a PEC que prevê o fim da escala 6×1 não deverá ser pautada no Senado nesta primeira semana de junho. O senador Otto Alencar afirmou à CNN que a expectativa é iniciar a análise do tema na CCJ no próximo dia 10 de junho.
Oposição enfrenta fim da 6×1
A ideia de criar um regime flexível baseado em horas trabalhadas arrematou 40 senadores, do total de 81, que assinaram a proposta. Protocolada ainda na madrugada do dia 28 de maio, o objetivo da oposição é se contrapor ao fim da escala 6×1 que, aprovada na Câmara dos Deputados, representa uma vitória do governo Lula e parlamentares da base governista.
A PEC 12/2026 cria um regime flexível baseado em horas trabalhadas, aposta na negociação entre empregador e trabalhador e calculará salários e benefícios como FGTS, férias e 13º salário de forma proporcional à carga horária cumprida.
Apesar do largo apoio no Senado, centrais sindicais como a Central Única dos Trabalhadores (CUT) apostam que é possível pressionar os senadores a mudarem de lado.
A Plataforma Na Pressão, ferramenta desenvolvida pela CUT, possibilita pressionar cada um dos parlamentares por meio de mensagens diretas a eles por e-mail e também por mensagens nos perfis de redes sociais.
Um dos senadores que assinou a proposta da oposição foi Romário (PL-RJ). O baixinho, no entanto, foi ao X (antigo Twitter) dizer que, apesar de ter assinado, votará pelo fim da escala 6×1.
“Mas quero deixar claro: quando chegar a hora da votação no Senado, meu voto será pelo FIM da escala 6×1. O povo brasileiro merece trabalhar com dignidade, descansar e ter mais tempo com a família”, declarou.
Galera, só pra esclarecer: sempre estive e sempre vou estar do lado do trabalhador brasileiro.
— Romário (@RomarioOnze) May 29, 2026
Acredito que toda proposta que discuta melhores condições de trabalho precisa ser debatida com responsabilidade.
Mas quero deixar claro: quando chegar a hora da votação no Senado, meu… pic.twitter.com/Wlf1G9jz0e
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