Empresariado lança campanha para que Senado não decida fim da 6×1 nas eleições

Foto: Letycia Bond / Agência Brasil | Brasil de Fato

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01 Setembro 2026

A ação conta com o apoio de 34 federações e sindicatos aliados e foi lançada às vésperas de a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) analisar a PEC, na quarta-feira, 2 de setembro.

A reportagem é de Niara Aureliano, publicada por ExtraClasse, 31-08-2026.

A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) lançou uma campanha para pressionar o Senado a não decidir sobre o fim da escala 6×1 durante as eleições. Com o lema “A conta já está alta demais. Mudança das regras do trabalho às vésperas da eleição? Agora não”, empresários afirmam que a atualização da jornada de trabalho significará repassar aos consumidores o aumento de preços em forma de inflação, aumento de informalidade e prejuízos aos lucros.

A campanha conta com o apoio de 34 federações e sindicatos aliados e foi lançada no fim de semana de 29 e 30 de agosto, às vésperas de a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) analisar a PEC 221/2019 que prevê o fim da escala 6×1, nesta quarta-feira, 2 de setembro.

O setor também ataca o fim da Taxa das Blusinhas, o que classifica como “agravante na concorrência desleal para o varejo nacional”. A pauta também deverá ser apreciada esta semana durante o esforço concentrado no Congresso Nacional, que ocorre entre 31 de agosto e 4 de setembro.

PEC alternativa

A reaproximação entre o presidente Lula (PT) e o presidente do Senado Davi Alcolumbre (União-AP) no mês de agosto destravou a PEC 221/2019, que aguardava desde maio despacho à comissão.

Em junho, outra campanha do empresariado criticava “rigidez” proposta pela PEC do fim da 6×1, que prevê duas folgas remuneradas por semana e redução da jornada de trabalho de 44 horas para 40 horas, sem diminuição de salários. No manifesto Uma carta para o Brasil que acorda cedo, os empresários alegavam que a mudança aumentaria “o custo dos produtos e serviços” e que “quem paga a conta é o trabalhador brasileiro”.

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Na ofensiva, o empresariado propôs que o Senado Federal aprovasse a PEC 12/2026, que cria o regime baseado em horas trabalhadas, ampliando o modelo de acordos individuais entre trabalhador e patrão, e que mantinha a possibilidade de jornadas de até 44 horas por semana. A matéria é de autoria do senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha do candidato a presidente da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ), e uma resposta ao fim da escala 6×1 aprovada na Câmara dos Deputados, defendida pelo governo.

A PEC da oposição foi apelidada nas redes sociais de “PEC da escala 7×0”. Entidades sindicais rechaçaram a proposta e classificaram que o desrespeito do empresariado começava pelo título do manifesto.

“Um desrespeito de um setor empresarial que se beneficia, que lucra, vive de quem acorda cedo, que são as trabalhadoras e os trabalhadores, e não têm tempo pra viver, pra fazer o que precisa fazer, e que dão a sua vida para o trabalho – e o trabalho tem que ser para a vida, e não o contrário”, analisou Amarildo Cenci, presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT-RS), à época.

A ação reuniu confederações como a do Comércio, da Indústria (CNI) e da Agricultura e Pecuária (CNA).

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