Rio aposta em energia limpa e data centers para ser polo de inteligência artificial na América Latina

Foto: Divulgação/Agenda do Poder

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28 Agosto 2026

Cidade busca atrair grandes projetos com bilhões e oferta de energia renovável, infraestrutura e mão de obra qualificada.

A reportagem é de Gustavo Kaye, publicada por Agenda do Poder, 26-08-2026.

O Rio de Janeiro pretende assumir um papel de destaque na economia digital da América Latina ao combinar disponibilidade de energia renovável, infraestrutura tecnológica e investimentos bilionários. A estratégia da cidade passa pela atração de grandes data centers e pela formação de um ecossistema voltado à inteligência artificial (IA), computação em nuvem, telecomunicações e cibersegurança.

A Invest.Rio, agência de promoção e atração de investimentos da Prefeitura do Rio, avalia que entre 15 e 20 cidades globais deverão concentrar boa parte da economia digital nas próximas décadas. Segundo a agência, apenas duas ou três estarão na América do Sul, e o objetivo é colocar o Rio nesse grupo.

O projeto Rio AI City é considerado um dos principais pilares dessa estratégia. Previsto para a região da Barra da Tijuca, próximo ao Parque Olímpico, o complexo pretende se transformar em um dos maiores polos de data centers da América Latina, com infraestrutura destinada ao processamento de grandes volumes de dados.

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Projeto prevê energia renovável em larga escala

O empreendimento foi desenvolvido em parceria entre a Prefeitura do Rio, o governo federal e a Elea Data Centers. A previsão é começar com capacidade de 1,5 gigawatt (GW) de energia, totalmente renovável, com possibilidade de expansão para até 3,2 GW.

A oferta de energia limpa em grande escala é apontada como um dos principais diferenciais do Rio para atrair empresas que precisam de enorme capacidade de processamento. A expansão da inteligência artificial vem aumentando a demanda mundial por servidores e data centers, tornando o acesso à eletricidade um fator estratégico para novos investimentos.

Em junho, a Elea anunciou um aporte inicial de US$ 550 milhões no projeto. O presidente da empresa, Alessandro Lombardi, estima que os investimentos da companhia possam ultrapassar US$ 10 bilhões e chegar a US$ 50 bilhões quando forem considerados também os equipamentos de informática, como chips especializados em IA e servidores.

Obras devem começar em 2027

As obras do Rio AI City estão previstas para começar no primeiro trimestre de 2027. O cronograma de implantação deve durar entre sete e dez anos, com expectativa de gerar cerca de 10 mil empregos diretos durante a construção.

Além das vagas relacionadas às obras, a expectativa é que o complexo estimule a criação de novas empresas e oportunidades no entorno, especialmente em áreas ligadas à tecnologia, inovação e serviços especializados.

Para a Elea, etapas consideradas fundamentais para a implantação do empreendimento, como a aquisição do terreno e a garantia do fornecimento de energia, já foram superadas.

Rio já ocupa segundo lugar no setor

O movimento ocorre em um mercado que já apresenta forte expansão no Brasil. O país possui pouco mais de 200 data centers, com potência instalada de aproximadamente 1 GW. A demanda existente pode sustentar novos projetos que, juntos, acrescentariam mais de 1 GW de capacidade, segundo estimativa da Associação Brasileira de Data Centers.

O Rio de Janeiro já é a segunda maior região brasileira em infraestrutura de data centers, atrás apenas de São Paulo. Atualmente, são 76 MW de potência em operação, 63 MW em construção e outros 40 MW em projetos planejados.

Empresas como Cirion Technologies e Ascenty também mantêm estruturas no estado. A Cirion possui duas unidades em São Cristóvão, enquanto a Ascenty opera um campus na Pavuna, na Zona Norte.

A estratégia, portanto, vai além da instalação de grandes centros de processamento. A intenção é consolidar no Rio uma cadeia tecnológica capaz de reunir infraestrutura digital, energia renovável, empresas de tecnologia, profissionais especializados e novos investimentos relacionados à inteligência artificial.

Com o avanço da IA e a crescente necessidade de processamento de dados, o Rio aposta na combinação desses fatores para disputar espaço entre as cidades que poderão liderar a economia digital na América Latina.

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