26 Agosto 2026
O Ministro das Relações Exteriores da Santa Sé reuniu-se com seu homólogo russo, Lavrov. Em declarações à imprensa, reconheceu "diferenças substanciais e duradouras" e "numerosos pontos de convergência importantes".
A reportagem é de Iacopo Scaramuzzi, publicada por La Repubblica, 25-08-2026.
O Ministro das Relações Exteriores da Santa Sé, Monsenhor Paul Richard Gallagher, recomendou ao seu homólogo russo, Sergey Lavrov, que o recebeu hoje em Moscou, que pusesse fim à guerra na Ucrânia por meio de "negociações genuínas" e reiterou a disposição da Santa Sé em oferecer "espaço para o diálogo".
Primeiro o Papa Francisco e depois o Papa Leão XIV expressaram repetidamente sua disposição em facilitar as negociações de paz entre a Rússia e a Ucrânia, sem ainda alcançar resultados concretos. Moscou e Kiev, no entanto, aceitaram a mediação do Vaticano, liderada pelo Cardeal Matteo Zuppi, em questões humanitárias como a troca de prisioneiros e o retorno à Ucrânia de crianças levadas para a Rússia.
“Esta guerra tem de acabar”
“Sejamos claros”, disse o Arcebispo Gallagher em um comunicado à imprensa ao concluir seu encontro com o Ministro das Relações Exteriores de Vladimir Putin: “Esta guerra precisa acabar. Por isso, reiterei o apelo do Papa Leão XIV para que cessemos as hostilidades e iniciemos negociações genuínas com o apoio da comunidade internacional. A posição da Santa Sé permanece clara: o conflito não pode ser resolvido militarmente. É essencial criar as condições para um processo político e diplomático sério, e o engajamento em um diálogo genuíno implica que, quanto mais tempo o conflito se prolongar, mais difícil será alcançar uma solução adequada, enquanto o sofrimento da população continua a aumentar. A Santa Sé apela a ambos os lados para que demonstrem abertura e boa vontade, para que esse diálogo se torne realidade o mais breve possível.”
Ofícios do Vaticano
Para alcançar uma paz "justa e duradoura", disse o Arcebispo britânico, "a Santa Sé continuará a oferecer seu apoio espiritual, diplomático e humanitário, contribuindo e oferecendo um espaço para o diálogo, enquanto escuta pacientemente e auxilia concretamente os esforços humanitários. Oferecemos nossos bons ofícios em tudo o que pudermos ajudar, na esperança de que a tão desejada paz possa ser alcançada o mais breve possível."
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Divergências e convergências
O Arcebispo Gallagher chegou a Moscou ontem, pela primeira vez desde o início da invasão russa da Ucrânia. Amanhã, ele se reunirá com o conselheiro de política externa de Putin, Yuri Ushakov, e retornará a Roma na sexta-feira, 28 de agosto. O Secretário para as Relações com os Estados da Santa Sé — este é o seu título oficial — agradeceu a Lavrov por uma "conversa franca e construtiva" e enfatizou que, apesar das "diferenças substanciais e duradouras", ambos os lados encontraram "numerosos pontos importantes de convergência": a conveniência de manter canais de comunicação abertos, a necessidade de proteger a população civil e a cooperação humanitária. Sobre este último ponto, "a Santa Sé", disse Gallagher, "continua pronta para oferecer sua contribuição, incluindo a missão humanitária confiada ao Cardeal Zuppi".
Acusações de Lavrov contra Kiev
O Ministro das Relações Exteriores da Rússia, por sua vez, agradeceu ao Vaticano por sua "posição equilibrada" sobre o conflito na Ucrânia e "confirmou" uma avaliação positiva do "envolvimento ativo do Vaticano na resolução de uma série de questões humanitárias urgentes". No entanto, a Rússia não se esqueceu do "ato terrorista sangrento de Zelensky em Starobelsk", disse Lavrov, referindo-se a um atentado ucraniano ocorrido em maio passado contra um alojamento estudantil na região de Lugansk. Ele denunciou o fato de a língua russa ser "proibida" na Ucrânia e expressou sua esperança de que o Vaticano tome medidas para defender a Igreja Ortodoxa Ucraniana, ligada ao Patriarcado Russo, das leis ucranianas.
Ceticismo ucraniano
O bispo de Kharkiv, dom Pavlo Honcharuk, expressou o ceticismo ucraniano em relação à missão do arcebispo Gallagher. De Rimini, onde participa do encontro Comunhão e Libertação, ele declarou: "Putin não tem o menor interesse na paz. E o fato de terem permitido a chegada de um enviado do Vaticano é muito útil para eles. Porque eles dizem: 'Vejam, somos a favor da paz. Estamos prontos para conversar sobre isso, mas não podemos fazer a paz porque Kiev não a quer.' Mas é bom", acrescentou, "que o Vaticano esteja fazendo essa tentativa."
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