Negociar tarifas com os EUA é prudente e evita trunfos para a oposição, avalia pesquisador

Foto: Ben Mater/ Unsplash

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26 Agosto 2026

Ricardo Lães apontam que o governo brasileiro deve dialogar, apesar do forte viés político imposto por Donald Trump.

A informação é de José BernardesLarissa Bohrer e Maria Teresa Cruz, publicada por Brasil de Fato, 25-08-2026. 

Delegações do Brasil e Estados Unidos se reunirão na próxima segunda-feira (31), às 14h30, para retomar as negociações sobre as tarifas impostas a produtos brasileiros. Apesar de o presidente Donald Trump já ter assumido um lado com relação às eleições brasileiras e não esconder que o tarifaço também tem forte viés político, é importante que o governo Lula sente à mesa de negociação.

Essa é a análise do professor Ricardo Leães, pesquisador de Relações Internacionais, ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato. Ele acrescenta o fato de que, apesar de a palavra de Trump valer pouco, o governo brasileiro não pode se recusar a dialogar, “ainda mais em um contexto de eleições”.

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“Se o governo brasileiro desistisse nesse momento, seria um prato cheio para a oposição dizer que o Lula tem uma posição intransigente, inconsequente e que seria o grande responsável dessa crise tarifária. Vamos lembrar que o bolsonarismo está tentando tirar o corpo fora”, reforça. “É prudente que o governo brasileiro negocie.” Para Leães, contudo, não há por que esperar alguma postura amigável da delegação estadunidense.

O professor também comenta a postura do governo canadense, que retaliou o governo Trump com tarifas de 50%. “O Canadá é um país muito mais dependente dos EUA. E, mesmo assim, adotou uma postura bastante dura.” Ele lembra que o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, fez um apelo em Davos para que os países afetados pelas práticas tarifárias de Trump se unissem para reativar mecanismos multilaterais. A ideia que não saiu do papel.

Para o professor, o presidente estadunidense tem uma postura de “valentão” e se sustenta pela inação das nações ocidentais, que acabam por obedecer.

“Se estamos em um contexto em que apenas o Canadá e a Espanha conseguem, dentro do Ocidente, ter uma postura mais firme, mais dura, mais corajosa e combativa contra os EUA, é um sinal de que todo o sistema está caminhando nesse sentido. Ou seja, não é apenas que as lideranças ocidentais estejam aquém das necessidades históricas. Elas traduzem a realidade concreta. Porque esses países todos estão à imagem e semelhança dos EUA há muitas décadas”, avalia.

 

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