EUA acusam Brasil de ajudar China a evitar tarifas

Mais Lidos

  • Imaculada e Assunta: um século de “invenção” da tradição. Artigo de Andrea Grillo

    LER MAIS
  • A Dormição e Assunção de Maria. O dogma que torna o “Ferragosto” sagrado. Artigo de Giovanni Maria Vian

    LER MAIS
  • Com Nossa Senhora da Assunção, caminhamos para o futuro com os olhos e o coração elevados. Artigo de Matteo Zuppi

    LER MAIS

Assine a Newsletter

Receba as notícias e atualizações do Instituto Humanitas Unisinos – IHU em primeira mão. Junte-se a nós!

Conheça nossa Política de Privacidade.

Revista ihu on-line

Aceleracionismo Amazônico

Edição: 559

Leia mais

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

14 Agosto 2026

Governo Trump incluiu o Brasil em uma lista de mais de 40 países que estariam sendo usados como intermediários para a exportação de mercadorias chinesas.

A reportagem é publicada por DW, 13-08-2026.

O governo dos Estados Unidos incluiu o Brasil em uma lista de mais de 40 países que acusa de ajudarem a China a burlar tarifas de importação.

Pequim estaria fazendo isso ao enviar seus produtos para outros países para embalagem e montagem, uma prática conhecida como transbordo comercial (transshipping, em inglês), segundo relatório divulgado nesta quinta-feira (13/08).

A tática teria surtido o efeito de maquiar as importações americanas provenientes da China, que apesar de terem diminuído à primeira vista, seguiriam ameaçando fábricas e empregos nos EUA e gerando perdas anuais bilionárias de arrecadação tributária.

"Durante anos, o grande golpe do transbordo comercial permitiu que a China comunista lavasse suas exportações", declarou o assessor comercial da Casa Branca, Peter Navarro, ao apresentar o relatório a jornalistas.

Navarro, contudo, destacou que os problemas apontados dizem respeito principalmente a outras nações que facilitam a evasão das tarifas.

O relatório classifica os países em três níveis de ligação com Pequim. O Brasil foi incluído no "nível 2", classificado como "integração econômica significativa", ao lado de países como Indonésia, Malásia, Tailândia, Turquia e Vietnã.

Segundo a Casa Branca, esses países combinam volumes significativos de transbordo comercial com integração mais profunda com cadeias de abastecimento ligadas à China, plataformas de manufatura, sistemas logísticos ou canais regionais de redirecionamento das mercadorias.

O Brasil, na qualidade de "importante plataforma regional de produção e logística", atuaria para simular a transformação de produtos para alterar sua origem declarada.

UE também foi enquadrada pela Casa Branca

Já o "nível 1", que reúne Canadá, União Europeia (UE), Índia, Israel, Japão, México, Coreia do Sul e Taiwan, faria o transbordo comercial dos "maiores volumes absolutos", com "risco embutido em fluxos comerciais amplos e legítimos".

Especialistas observam há anos desvios nas cadeias de suprimentos envolvendo a China desde o primeiro mandato de Donald Trump na Presidência dos EUA, quando Washington e Pequim travaram uma guerra tarifária em 2018.

O governo chinês tem classificado sua relação com os Estados Unidos como uma de "estabilidade estratégica". Ainda assim, suas políticas de apoio às exportações de produtos manufaturados têm desestabilizado os setores automotivo, metalúrgico e eletrônico nos Estados Unidos, na Europa, no Japão e em outras regiões.

Navarro afirmou que outros países, como a Índia, também podem recorrer ao transbordo comercial para evitar novas tarifas. Segundo ele, os novos acordos comerciais promovidos pelo governo Trump incluirão cláusulas para punir parceiros que adotarem essa prática.

Balança comercial americana ainda em déficit apesar de tarifas

O governo Trump impôs tarifas elevadas a grande parte do mundo na tentativa de proteger os fabricantes americanos, atingindo aliados e rivais com impostos de importação. Ao mesmo tempo, essas tarifas criaram novas pressões inflacionárias dentro dos Estados Unidos.

O relatório apresenta uma série de estimativas sobre a dimensão do transbordo comercial destinado a evitar tarifas. Com base em dados governamentais e do setor privado, calcula-se que entre 34,2 bilhões e 303 bilhões de dólares em mercadorias sejam redirecionados anualmente.

Para enfrentar o problema, Navarro afirmou que a Alfândega e Proteção de Fronteiras dos Estados Unidos (CBP) começou a utilizar inteligência artificial em um programa piloto para impedir o transbordo comercial. Segundo ele, quando se comprova que um importador falsificou a origem de um produto, as tarifas podem ser aplicadas retroativamente, abrangendo aproximadamente o ano anterior.

As tarifas impostas por Trump durante seu segundo mandato enfrentaram uma série de contestações judiciais. Em fevereiro, a Suprema Corte derrubou algumas delas.

Os Estados Unidos continuam importando mais do que exportam para o restante do mundo. No entanto, o déficit comercial acumulado até agora neste ano, de 371 bilhões de dólares, está cerca de 189 bilhões de dólares abaixo do registrado no mesmo período do ano passado.

Leia mais