28 Julho 2026
O Secretariado Geral do Sínodo publica diretrizes para as assembleias de avaliação de 2027 e propõe discernir os frutos da conversão, da corresponsabilidade e da missão em cada Igreja local.
O artigo é de Abraão Canales, publicado por Religión Digital, 28-07-2026.
Eis o artigo.
O Secretariado Geral do Sínodo lançou uma nova etapa do processo sinodal com a publicação das notas "Recordando. Acompanhando a preparação da Assembleia de Avaliação da Igreja Local", um documento dirigido a bispos e equipes sinodais para preparar as assembleias de avaliação que as dioceses e eparquias realizarão durante o primeiro semestre de 2027.
De acordo com as diretrizes publicadas nesta segunda-feira, as assembleias de avaliação são chamadas a "recordar" o caminho percorrido, reconhecer os frutos que amadureceram e discernir os próximos passos para os quais o Senhor chama cada Igreja local.
“A avaliação não é um exercício técnico, mas uma experiência de gratidão e verdade: recordar significa reconhecer o que o Senhor realizou em nossas comunidades e deixar-nos guiar para os próximos passos. Desta forma, a Igreja torna-se cada vez mais capaz de conversão”, resume o Cardeal Mario Grech, secretário-geral do Sínodo, sobre o significado desta etapa.
As diretrizes desenvolvem o roteiro anunciado em maio para preparar as assembleias eclesiais de 2027 e 2028 e constituem o guia prático para a fase denominada “Recordação”, com a qual o trabalho das Igrejas locais culminará antes da assembleia nacional, continental e eclesial planejada para outubro de 2028 no Vaticano.
Uma questão para discernir os frutos do Sínodo
O documento propõe uma única pergunta que deve orientar o trabalho de todas as dioceses e eparquias: “Qual a face concreta de uma Igreja sinodal missionária e quais novos caminhos de sinodalidade estão surgindo em nossa comunidade?”
A resposta deve começar com uma releitura do caminho percorrido desde a conclusão da Assembleia Sinodal de 2024, a fim de reconhecer tanto os frutos alcançados quanto as dificuldades, resistências e questões em aberto.
As notas enfatizam expressamente que "não se trata de repetir a consulta realizada em 2021", mas de reunir a memória do processo vivenciado desde então e reconhecer as transformações ocorridas na vida das comunidades.
Para atingir esse objetivo, as Igrejas locais devem rever três áreas de conversão propostas pelo Documento Final do Sínodo: relacionamentos (escuta, fraternidade e corresponsabilidade); processos eclesiais (tomada de decisões, transparência, prestação de contas ou formação); e vínculos com outras Igrejas, com a sociedade e com todo o Povo de Deus.
De relato narrativo a carta para outras Igrejas
Como resultado desse processo, cada diocese elaborará um relato narrativo, com entre 3 mil e 4 mil palavras, no qual registrará o caminho percorrido, e uma Carta às outras Igrejas, inspirada nas antigas litterae communionis, para compartilhar as principais lições aprendidas, os desafios restantes e os compromissos para o futuro.
Ambos os documentos devem ser validados pelo bispo antes de serem enviados à equipe sinodal nacional ou regional e à Secretaria Geral do Sínodo, com prazo final de 30 de junho de 2027.
O documento também enfatiza que a assembleia de avaliação é uma “experiência profundamente espiritual” e que seu propósito vai além da mera elaboração de documentos. Visa fortalecer um estilo de Igreja baseado na escuta mútua, na conversa no Espírito, no discernimento comunitário e na responsabilidade compartilhada.
Nessa mesma linha, as diretrizes incluem palavras proferidas pelo Papa Leão XIV no consistório extraordinário de 27 de junho: “A sinodalidade não é uma série de reuniões, nem um método de trabalho. É um estilo espiritual. Nasce do encontro, cresce na escuta e amadurece no discernimento.”
O texto reconhece que as igrejas locais chegarão a este estágio partindo de situações muito diferentes. Algumas terão vivenciado mudanças significativas em seus relacionamentos ou processos de tomada de decisão; outras estarão apenas começando essa jornada.
Ele chega a destacar que, em alguns casos, o principal resultado terá sido "aprender a ouvir uns aos outros de maneira diferente e praticar a conversa no Espírito".
Cronograma do processo sinodal até 2028
A publicação das notas "Hacer memoria activa" (Recordar) ativa o cronograma previsto para a fase final do processo de implementação do Sínodo 2021-2028. De acordo com a Secretaria-Geral, as principais etapas serão as seguintes:
— Primeiro semestre de 2027: realização das assembleias de avaliação nas dioceses e eparquias.
— Segundo semestre de 2027: assembleias de conferências episcopais, estruturas hierárquicas das Igrejas Católicas Orientais e outros grupos eclesiais.
— Primeiro trimestre de 2028: celebração das assembleias continentais.
— Outubro de 2028: Assembleia Eclesial no Vaticano, convocada para concluir o processo de implementação do Sínodo iniciado em 2021.
Cada uma dessas etapas será alimentada pelas contribuições da anterior, por meio do envio de relatos narrativos e cartas preparadas pelas Igrejas locais, em um processo que a Secretaria-Geral define como uma “troca de dons” entre as diferentes comunidades eclesiais.
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