10 Julho 2026
Os EUA atingiram 170 alvos, incluindo alguns próximos à usina nuclear de Bushehr. Witkoff e Kushner ainda estão negociando. E Trump está consultando Netanyahu.
A reportagem é de Fabio Tonacci, publicada por La Repubblica, 01-07-2026.
Se ainda não é guerra declarada, certamente não é uma trégua. Pelo segundo dia consecutivo, o Oriente Médio testemunhou fogo cruzado entre os Estados Unidos e o Irã, enquanto o regime celebrava o último dia do longo funeral do aiatolá Ali Khamenei, morto nas primeiras horas do conflito em 28 de fevereiro e sepultado no santuário do Imã Reza em Mashhad.
Na noite passada, seis explosões ocorreram nas cidades de Choghadak e Bushehr, onde se encontra a maior usina nuclear do país. Segundo o site Axios, a Casa Branca está se preparando para uma campanha que pode durar dois ou três dias, ou até mesmo um mês. "Depende dos próximos passos de Teerã", dizem fontes próximas ao governo americano, referindo-se ao Estreito de Ormuz, que foi novamente paralisado. "Estamos mostrando a eles que não estamos brincando."
Donald Trump realizou uma reunião de emergência com seus principais assessores e funcionários de segurança nacional. "A situação vai piorar. Se o Irã nos atacar, nós os atacaremos 20 vezes mais forte." Ele também disse que, durante o voo de volta de Ancara, onde participou da cúpula da OTAN, os iranianos o telefonaram. "Eles querem desesperadamente um acordo", afirmou o magnata.
O Comando Central dos EUA informou ter bombardeado "mais de 170 alvos militares", especialmente ao longo da costa sul do país, para reduzir a ameaça à navegação no Estreito, mas uma ponte ferroviária que liga a capital iraniana a Mashhad também foi alvo de ataques. Apesar disso, ontem, uma enorme multidão se reuniu para prestar suas últimas homenagens ao segundo Líder Supremo da história da República Islâmica.
A última onda de ataques, segundo as autoridades iranianas, deixou pelo menos 14 mortos e 78 feridos. As forças armadas de Teerã, por sua vez, lançaram mísseis e drones contra bases americanas no Kuwait, Catar e Bahrein. E a Jordânia — que abriga contingentes militares dos EUA — declarou ter interceptado foguetes em seu espaço aéreo. A mensagem da Guarda Revolucionária Islâmica permanece a mesma: "O Estreito de Ormuz só será aberto com o nosso consentimento."
Apesar de tudo, o fio condutor das negociações não parece ter se rompido. Os enviados americanos Steve Witkoff e Jared Kushner continuam em contato com seus homólogos e mediadores, confirmando que nem Washington nem Teerã desejam uma retomada total da guerra.
Mas Israel está ansioso. Netanyahu conversou com Trump "para coordenar ações em várias frentes". O líder israelense destacou "a gravidade das declarações de Erdogan e seus representantes contra a existência do Estado de Israel". E o ministro da Defesa, Israel Katz, afirma estar pronto para enviar caças. "Atacaremos uma terceira vez, se necessário, para restabelecer a superioridade aérea sobre o Irã."
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