08 Julho 2026
Nem metade dos países da região têm planos para lidar com os riscos à saúde relacionados ao calor, diz a entidade.
A informação é publicada por ClimaInfo, 07-07-2026.
Com a iminência de uma nova onda de calor na Europa, a Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou na 3ª feira (7/7) para a possibilidade do continente enfrentar “semanas mais mortais” com a disparada dos termômetros. Já são mais de 9 mil mortes associadas às altas temperaturas na última onda de calor, no fim de junho, sendo 5 mil somente na Alemanha. Mas esse número deve aumentar.
Diretor regional da OMS para a Europa, Hans Kluge disse que os países que já têm planos de ação para a saúde em altas temperaturas responderam mais rapidamente e protegeram melhor suas populações na última onda de calor. O problema é que menos da metade das nações europeias que integram a entidade tem esses planos, informam Folha, UOL, Reuters e Euronews.
A onda de calor de 20 a 28 de junho foi a mais severa já registrada na Europa, de acordo com especialistas. As altas temperaturas interromperam a geração de energia elétrica, danificaram a infraestrutura e sobrecarregaram os sistemas de saúde. Um estudo da World Weather Attribution (WWA), rede global de cientistas climáticos, mostrou que o calor extremo seria praticamente impossível sem as mudanças climáticas, provocadas pelas emissões antrópicas de gases-estufa.
Kluge disse que os residentes de lares de idosos, pessoas em situação de rua e idosos socialmente isolados ainda não estavam sendo atendidos de maneira consistente no continente. “O trabalho agora é em duas frentes: corrigir o que falhou nas últimas semanas antes que a próxima onda de calor chegue e construir o tipo de sistema de saúde que não apenas responda ao calor extremo, mas esteja preparado para ele”, declarou o diretor da OMS.
A próxima onda de calor a chegar ao continente já está se formando sobre o Atlântico. Portugal e o sul da Espanha devem registrar 43°C nos próximos dias. França, Bélgica, Países Baixos e Luxemburgo também deverão sentir a alta das temperaturas em breve.
Em tempo
Uma análise de dados abertos feita pelo pesquisador Thami Croeser, do Centro de Pesquisa Urbana da RMIT University, da Austrália, mostra que 84% de 5,5 milhões de edifícios em 25 grandes cidades europeias estão abaixo do nível de cobertura arbórea considerado necessário para proporcionar resfriamento significativo, informa o Um Só Planeta. O levantamento analisou a quantidade de copa de árvores em um raio de até 60 metros ao redor dos edifícios.
Segundo a literatura científica, é preciso que pelo menos 30% dessa área seja coberta por árvores para reduzir de forma relevante o efeito das ilhas de calor urbanas. Entre as cidades analisadas, Colônia e Hamburgo, na Alemanha, tiveram os melhores resultados: cerca de 45% dos edifícios atingem o patamar mínimo de cobertura arbórea. Na outra ponta está Sevilha, na Espanha, onde 98% dos prédios ficam abaixo desse limite, apesar da cidade enfrentar temperaturas extremas todos os verões.
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