Especialistas pedem à OMS que declare crise climática como emergência de saúde pública

Foto: Luis Melendez/Unsplash

Mais Lidos

  • A virada do Papa Leão. Artigo de Massimo Giannini

    LER MAIS
  • “O agronegócio é hegemônico na mídia, no interior do Estado brasileiro e em toda a sua estrutura. Também é hegemônico no governo”. Entrevista com Joao Pedro Stedile

    LER MAIS
  • OMS alerta que a humanidade está à beira de uma pandemia ainda mais devastadora: "O mundo não está mais seguro"

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

19 Mai 2026

Comissão também pede aos governos o fim dos subsídios aos combustíveis fósseis e adoção de medidas para combater a desinformação.

A informação é publicada por ClimaInfo, 18-05-2026.

A Comissão Pan-Europeia sobre Clima e Saúde – grupo independente convocado pelo diretor regional da Organização Mundial da Saúde (OMS) para a Europa, Hans Henri P. Kluge – concluiu que a crise climática é uma ameaça mundial à saúde e deve ser declarada “uma emergência de saúde pública de preocupação internacional” (Pheic, na sigla em Inglês).

Segundo o relatório apresentado a ministros europeus no último domingo (17/5), os impactos provocados pela crise climática, como propagação internacional de doenças transmitidas por vetores (como dengue e chikungunya), bem como os efeitos na saúde de eventos climáticos extremos, aquecimento global, insegurança alimentar e poluição atmosférica tornam necessária a decretação da emergência.

Pheics são o nível mais alto de alerta de saúde – as declarações anteriores incluem doenças como Covid e Mpox (conhecida como varíola dos macacos). “A OMS já reconheceu que as alterações climáticas são uma grande ameaça para a saúde global. O que pedimos é um passo em frente”, afirmou Andrew Haines, professor de mudanças climáticas e saúde pública na Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres e principal conselheiro científico da comissão. A declaração por si só provocaria uma resposta internacional coordenada que a escala da crise sanitária exige, defendem os especialistas.

O relatório também insta os governos a pararem de subsidiar os combustíveis fósseis – que, somente na Europa, são responsáveis por 600 mil mortes prematuras. A região gasta cerca de € 444 bilhões (R$ 2,6 trilhões) por ano com subsídios ao setor, sendo que em 12 países, os valores excedem 10% das despesas nacionais com saúde em 2023, informam Guardian e Times of India.

Os compromissos climáticos da União Europeia ficaram aquém tanto das metas climáticas da ONU quanto das próprias ambições do bloco, lembra o Euractiv. “É algo que pode piorar muito. Novos subsídios para combustíveis fósseis, bem como países que considerem a possibilidade de nova perfuração na sequência da guerra do Irã, seriam catastróficos para a saúde”, afirmou Katrín Jakobsdóttir, antiga primeira-ministra da Islândia que presidiu à comissão.

O relatório também pede que os sistemas de saúde se tornem mais resilientes ao ambiente em rápida mudança climática e que sejam adotadas medidas para combater a desinformação, conta o Público.

“A maneira de desafiar o ceticismo e a desinformação sobre o clima é simples: torne-o pessoal. As alterações climáticas não vão acontecer noutro lugar, a outra pessoa, no futuro. Neste momento, está a encurtar vidas nas cidades europeias. Está enchendo hospitais. Está gerando ansiedade, estresse e outros problemas de saúde mental”, declarou Katrín.

Leia mais