Recusamo-nos. Artigo de Tonio Dell'Olio

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30 Junho 2026

"As guerras infinitas cobram um preço alto de todos nós, infligindo feridas físicas e mentais que durarão pelo resto de nossas vidas."

O artigo é de Tonio Dell'Olio, padre italiano, jornalista e presidente da associação Pro Civitate Christiana, publicado por Mosaico di Pace, 26-06-2026. A tradução de Luisa Rabolini.

Eis o artigo. 

No último dia do ano letivo em Israel, 19 de junho, uma carta intitulada "Recusamo-nos!", redigida por um grupo de adolescentes anunciando a decisão de não se alistarem no exército israelense, foi distribuída em milhares de cópias pelas escolas de todo o país. A carta traz no momento as assinaturas de mais de 120 estudantes do ensino médio que deveriam prestar serviço militar obrigatório. O texto da carta segue abaixo.

Nós, adolescentes prestes a sermos convocados para o exército israelense, com a presente recusamo-nos a tomar parte de seus crimes e de servir aos interesses de um governo ditatorial. Todos nós fomos criados no mito de que Israel age apenas em legítima defesa. Desde pequenos, o sistema educacional nos aterroriza, levando-nos a acreditar que "não há escolha" e que devemos viver para sempre com a espada na mão. Nossas escolas nos preparam para o exército, incutindo-nos uma visão de mundo militarista. No ensino médio, a preparação para testes de aptidão militar e os encontros com os soldados fazem parte do nosso cotidiano; no entanto, a verdade é que o alistamento no exército não é inevitável.

Ninguém nasce soldado. E, como qualquer outra escolha, alistar-se no exército tem suas repercussões.

Nos últimos dois anos e meio, por meio das redes sociais e dos veículos de comunicação, fomos expostos a conteúdos difíceis e violentos relacionados ao 7 de outubro. Mas o que havia começado como uma resposta àquele terrível massacre se transformou em uma cruel campanha de extermínio da população de Gaza, de proporções incompreensíveis. E quais são os resultados das ações do exército? Segundo os dados reconhecidos pelas Forças de Defesa de Israel (IDF), mais de 72 mil pessoas foram mortas desde o início da guerra em Gaza, muitas das quais mulheres, crianças e até recém-nascidos. No entanto, apesar do chamado "cessar-fogo", o genocídio, a limpeza étnica e os crimes de guerra continuam.

Recentemente, assistimos a um forte aumento da violência, tanto por parte de colonos quanto do exército, em toda a Cisjordânia. Não se trata de um fenômeno novo. Há décadas, Israel utiliza seu exército para oprimir o povo palestino, anexar territórios e perpetrar violência contra os palestinos que vivem na Cisjordânia, tudo isso como parte do projeto de limpeza étnica do país. O exército ataca, mata e prende pessoas sem processo, incluindo jovens da nossa mesma idade. A única diferença é que eles nasceram do lado errado da linha de fronteira. Reflitam: são essas as ações de uma "força de defesa"?

As guerras infinitas cobram um preço alto de todos nós, infligindo feridas físicas e mentais que durarão pelo resto de nossas vidas. Vivemos entre uma corrida ao abrigo antiaéreo e outra e os anúncios de soldados mortos em combate. Vocês estão dispostos a se tornar parte das estatísticas? Estão prontos para fazer tal sacrifício em nome de um governo cínico e ditatorial que negocia vidas humanas para consolidar seu próprio poder? E vocês — o que irão fazer?

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