O neocolonialismo sanitário dos EUA. Artigo de Tonio Dell'Olio

Foto: Médicos Sem Fronteiras

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11 Junho 2026

Uma decisão que provocou protestos populares, ações judiciais e acusações de neocolonialismo sanitário.

O artigo é de Tonio Dell'Olio, padre italiano, jornalista e presidente da associação Pro Civitate Christiana, publicado por Mosaico di Pace, 09-06-2026. A tradução é de Luisa Rabolini.

Eis o artigo. 

Washington obteve a concordância de Nairóbi para sediar um centro de quarentena para cidadãos estadunidenses vindos da República Democrática do Congo, que potencialmente poderiam ter se exposto ao vírus Ebola. Uma decisão que provocou protestos populares, ações judiciais e acusações de neocolonialismo sanitário.

O direito à saúde, de fato, é um bem universal, não uma mercadoria a ser negociada de acordo com o peso econômico ou geopolítico. Se a tutela da saúde é um direito humano, não pode ser transformada numa espécie de exportação do perigo para quem dispõe de menores instrumentos para fazer ouvir a sua voz. É por isso que os protestos dos cidadãos quenianos não se resumem ao medo do contágio. Expressam a rejeição de uma lógica antiga e que nunca desapareceu totalmente: aquela pela qual os países ricos decidem e os países pobres se submetem. Uma lógica que evoca, em novas formas, relações de domínio que o mundo deveria ter arquivado há muito tempo.

A luta contra o Ebola exige, isso sim, cooperação internacional, compartilhamento das responsabilidades e solidariedade. Não pode se basear na ideia de que alguns povos são chamados a assumir riscos que outros não estão dispostos a assumir. A dignidade humana não conhece fronteiras, e a vida de um queniano é tão valiosa quanto a de um estadunidense.

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