Vance alerta Israel de que Trump é seu “último aliado forte” e lembra que o armamento americano o protegeu de ataques iranianos

Foto: Wikimedia Commons

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19 Junho 2026

Diante da crescente pressão sobre a Casa Branca para que explique os detalhes e os mecanismos de implementação do "Memorando de Entendimento de Islamabad" assinado pelos EUA e pelo Irã — que prevê como primeiro passo a reabertura do Estreito de Ormuz e o levantamento do bloqueio naval americano —, o vice-presidente dos EUA, JD Vance, compareceu perante a imprensa nesta tarde na Casa Branca para relatar o escopo da negociação.

A informação é publicada por elDiario.es, 18-06-2026.

Vance informou que a Marinha dos EUA permitiu que mais de uma dúzia de navios atravessassem o Estreito de Ormuz rumo a portos iranianos, suspendendo o bloqueio como parte do acordo, e que mais de 12,5 milhões de barris transitaram pela passagem na noite de quarta-feira, o maior número desde o início do conflito no final de fevereiro.

Após minimizar repetidamente as críticas de que o acordo favorece o Irã, Vance insistiu que os EUA destruíram o programa nuclear iraniano e "sua capacidade de enriquecimento, as instalações que utilizavam para desenvolver o enriquecimento e uma possível arma nuclear", mas informou que estimativas da inteligência americana sugerem que o Irã reteve cerca de 70% de seu arsenal de mísseis balísticos e de cruzeiro pré-guerra.

Questionado sobre a mudança na posição de Donald Trump em relação ao arsenal de mísseis balísticos do Irã — desde 28 de fevereiro, no início da guerra, quando o presidente americano afirmou que destruir os mísseis iranianos e a indústria de mísseis era um objetivo fundamental da guerra —, Vance insistiu que os países não renunciam ao direito à autodefesa, mas ressaltou que espera que "como parte do acordo final, eles não sejam capazes de construir o tipo de míssil que possa representar uma ameaça generalizada para o mundo todo".

Além disso, ele pediu aos jornalistas presentes que informassem que os Estados Unidos "não estão cedendo um único centavo ao Irã" e que "os benefícios econômicos, o levantamento das sanções e tudo o mais que este acordo implica só se concretizarão se os iranianos cumprirem o combinado".

Durante a conferência de imprensa, e num comentário inesperado, Vance também atacou duramente os responsáveis israelenses que criticam o presidente Trump pelo acordo preliminar alcançado com o Irã: "Trump é o único chefe de Estado em todo o mundo que demonstra simpatia pela nação de Israel neste momento", afirmou, antes de excluir o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, da acusação de "seguir esse caminho", culpando, em vez disso, membros do seu Gabinete.

"O problema de Israel não é Trump, e qualquer pessoa em Israel que pense que seu maior problema é o presidente dos EUA precisa acordar e perceber a realidade da situação em que o país se encontra", declarou ele.

Em relação aos próximos passos, Vance disse que o Congresso deveria ter recebido a cópia formal assinada do memorando de entendimento esta manhã ou ainda hoje, e que a Casa Branca planejava informar os legisladores em breve.

Vance afirmou que não sabia se viajaria para a Suíça na sexta-feira para as negociações com o Irã, que originalmente deveriam culminar na assinatura do acordo. Ele acrescentou que o plano era ir à Suíça, embora não soubesse a data exata, e que acreditava que as negociações técnicas começariam neste fim de semana, mas que, embora ainda estivessem planejadas, poderiam sofrer alterações.

Momentos antes, o Ministério das Relações Exteriores do Paquistão anunciou o cancelamento da cerimônia de assinatura em Genebra, uma vez que o acordo já havia sido assinado remotamente. Trump assinou o documento pela segunda vez na noite de quarta-feira — depois de tê-lo assinado digitalmente no domingo — no Palácio de Versalhes, antes de partir da França, onde participou da cúpula do G7.

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