O pensamento complexo é a nossa esperança. Artigo de Francesco Bellusci

Foto: Landiva Weber | Pexels

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06 Junho 2026

"Afinal, a consciência da complexidade humana leva à benevolência e, como ele gostava de repetir, é bom ser bons."

O artigo é de Francesco Bellusci, professor de filosofia e história no ensino médio, ex-professor contratado de Didática da Filosofia na Universidade da Basilicata, publicado por L'Osservatore Romano, 01-06-2026. A tradução é de Luisa Rabolini.

Eis o artigo.

Edgar Morin, mestre do pensamento complexo, faleceu aos 104 anos. A atividade de Morin como pensador e pesquisador abrangeu toda a segunda metade do século XX e se estendeu até o nosso século — seu último livro, um diálogo com Marc de Smedt, foi publicado na França em 1º de abril. Suas inúmeras obras, algumas monumentais, cruzaram todas as fronteiras, tendo sido traduzidas para mais de 30 idiomas. Sociólogo de profissão e diretor de pesquisa do CNRS de Paris, na verdade sua fama cresceu porque, com seu método interdisciplinar e transdisciplinar, intercruzou todos os campos do conhecimento e, em sua vida, atravessou todas as épocas, mesmo as mais dramáticas, da história.

Nascido em 1921 em Paris, filho de pais judeus sefarditas, como jovem estudante engajado, vive com angústia a Guerra Civil Espanhola e, posteriormente, junta-se à Resistência após a ocupação nazista. Assim, o estudante judeu e pacifista torna-se "Morin" — nome de guerra que manteria em vez de seu sobrenome original: Nahoum —, líder comunista de guerra. Mas, em 1951, rompe com o PCF, o partido comunista mais stalinista da Europa, e em 1959 escreve Autocrítica, obra na qual realiza uma autópsia dos efeitos do stalinismo e seus mecanismos de cegueira ideológica.

Paralelamente à sua intensa atividade como acadêmico, diretor de revistas culturais e pesquisador, sempre demonstra a coragem de um intelectual pronto para intervir em questões políticas de relevância pública, nacional e internacional, como a guerra na Argélia, a questão israelense-palestina ou o terrorismo islâmico, até a invasão russa da Ucrânia, à qual dedica um pequeno livro, De guerra em guerra, em 2023. Seus artigos sobre a atualidade no Le Monde, por vezes, devido à sua profundidade analítica e intuição crítica, conquistaram lugar na historiografia, como aqueles sobre o Maio de 1968.

Foi precisamente por ocasião da minha tradução desses artigos, para a Raffaello Cortina Editore, em 2018, cinquenta anos depois de 1968, que me encontrei com ele pela primeira vez, na Feira Internacional do Livro de Turim, por intermédio de seu aluno italiano predileto, Mauro Ceruti, que foi seu colaborador em Paris e com quem foi agraciado, dois meses atrás, com o Prêmio La Chiave d'Europa. Desde então, ele sempre foi também um afetuoso apoiador da aventura de pensamento e de escrita que Ceruti e eu estamos compartilhando.

Ao longo dessa longa jornada, o sociólogo profissional, também conhecido por suas pesquisas sobre cinema e cultura de massa, transformou-se gradualmente no filósofo, epistemólogo e metodologista do pensamento complexo, cuja exposição mais robusta continua sendo aquela nos 6 volumes de Método (1977-2004) e em Ciência com Consciência (1982). A palavra latina complexus significa "aquilo que está entrelaçado", "aquilo que abraça". Morin constata que nossa educação e nossos conhecimentos são separados, divididos e isolados uns dos outros, o que nos torna incapazes de abarcar os nossos grandes problemas. Em nenhum lugar, por exemplo, nos ensinam o que é o ser humano, porque para compreendê-lo, devemos entender que é uma realidade simultaneamente física, biológica, cultural e espiritual, e que o Homo sapiens, o homem racional, é ao mesmo tempo Homo demens, homem capaz de qualquer loucura. Morin busca reunir esses conhecimentos sobre o ser humano em seus livros, a começar por Paradigma perdido (1973).

O pensamento complexo, proposto como alternativa ao pensamento simplificador e reducionista dominante no Ocidente desde os inícios da ciência clássica no século XVII, é um pensamento capaz de ligar o que está separado, recorrendo a certos princípios, a certos métodos e a um mínimo de noções, ilustrados no monumental Método, que, se aplicados, permitem uma melhor compreensão. É claro que, como Morin sempre ressaltaria, o conhecimento total é impossível. Complexidade não significa completude. A complexidade permanece o desafio permanente da realidade lançado ao nosso pensamento e ao nosso conhecimento.

Isso também se aplica à policrise "complexa" que vivenciamos hoje. Aquela que Morin começa a diagnosticar na década de 1990 com Terra-Pátria (1993), quando sua análise se amplia para o horizonte planetário. Neste momento, vivemos crises ligadas umas às outras: a crise ecológica do planeta, a crise climática, a crise das pandemias, a crise das guerras, uma crise da civilização, a nossa e a das outras civilizações, que a nossa modernidade transformou.

Vivemos, portanto, um conjunto de crises entrelaçadas e interligadas cuja totalidade não podemos apreender, mas cujos nexos devemos tentar entender e monitorar, ficando preparados para o imprevisto. A tese básica que Morin desenvolveu nestas últimas décadas é bem conhecida. A "nave Terra" precisa desacelerar sua corrida desenfreada e diminuir o superaquecimento de seus quatro motores descontrolados: ciência, tecnologia, economia e lucro. Uma sociedade só pode evoluir em complexidade, isto é, ao mesmo tempo em autonomia, em liberdade e em comunidade, se progredir em solidariedade. E Morin, em A Via: Para o Futuro da Humanidade (2012), chega a indicar possíveis "saídas de emergência" para a policrise e a Idade do Ferro planetária. Com a observação de que a aventura humana em nossa casa comum terrestre e no universo permanece incerta e desconhecida, apela a uma fraternidade necessária, universal e vital.

Morin reiterou repetidamente que o sentido de seu pensamento consiste em tentar responder às três perguntas de Kant: "O que posso saber?", "O que devo fazer?", "O que me é dado esperar?". Posso cultivar e praticar o pensamento complexo, sem a ilusão da onisciência, que as novas tecnologias reacendem; devo resistir à crueldade do mundo e à barbárie e alinhar-me às forças de Eros, contrariando as de Tânatos; posso esperar o que o destino comum dos homens de todos os continentes, postos diante dos perigos comuns (nucleares, ecológicos, econômicos, geopolíticos), permite entrever: a possibilidade de uma metamorfose, não transumanista, mas pan-humanista, rumo a uma Terra-Pátria que englobe, sem suprimir, as pátrias nacionais. E mais do que as respostas, Morin sempre convidou a refletir sobre a vitalidade dos questionamentos kantianos e como elas nos reconduzem à constante necessidade de conhecer o ser humano e a complexidade humana. Afinal, a consciência da complexidade humana leva à benevolência e, como ele gostava de repetir, é bom ser bons.

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