30 Abril 2026
Trump não gosta de críticas. E quando as recebe, explode. É o que está acontecendo com as repreensões do chanceler alemão Friedrich Merz a respeito da guerra entre EUA e Israel no Irã.
A reportagem é de Andrés Gil, publicada por El Diario, 29-04-2026.
Na última segunda-feira, durante um debate com estudantes do ensino médio em Marsberg, na região de Sauerland, Merz afirmou não acreditar que os EUA possam encerrar a guerra no Irã rapidamente, ao contrário do que o presidente americano vem anunciando. Segundo o jornal Frankfurter Allgemeine Zeitung, Merz argumentou que os iranianos são "obviamente mais fortes do que o esperado" e que os americanos não possuem "uma estratégia verdadeiramente convincente nas negociações".
“O problema com esse tipo de conflito é que você não só precisa se envolver, como também precisa sair depois”, disse Merz, que comparou a guerra no Irã a outras anteriores: “Vimos isso de forma muito dolorosa no Afeganistão, durante 20 anos. Vimos isso no Iraque.”
O chanceler também criticou os americanos por "entrarem nesta guerra no Irã sem qualquer estratégia", o que, segundo ele, torna o fim da guerra "ainda mais difícil". "Especialmente porque os iranianos são claramente negociadores muito habilidosos, ou melhor, muito habilidosos em não negociar", disse Merz, acrescentando que "uma nação inteira está sendo humilhada pela liderança iraniana", referindo-se aos EUA.
E Trump não gostou nada disso, a ponto de declarar nesta quarta-feira no Truth Social: "Os Estados Unidos estão estudando e analisando a possível redução de tropas na Alemanha, e uma decisão sobre o assunto será tomada nos próximos dias."
Espanha, também na mira
O revanchismo de Trump contra países críticos às suas políticas, em particular a guerra ilegal no Irã, também afeta a Espanha.
Assim, um e-mail interno do Pentágono sugere que os EUA estão buscando a suspensão da Espanha da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) por sua posição contrária ao apoio dos Estados Unidos na ofensiva contra o Irã.
O documento, obtido pela Reuters, descreve as opções que os Estados Unidos têm para punir os aliados da OTAN que não prestaram auxílio nas operações no Oriente Médio. Apesar da ameaça, o Pentágono não descreve nenhum mecanismo específico dentro da Aliança para suspender um país, porque tal mecanismo não existe.
No caso da Espanha, o memorando descreve o descontentamento de altos funcionários americanos com a posição do primeiro-ministro Pedro Sánchez, que negou aos EUA o uso das bases militares de Rota e Morón e do espaço aéreo espanhol para apoiar a ofensiva no Irã. Segundo o memorando, a suspensão da Espanha da OTAN, que não é regulamentada pelos tratados da Aliança, teria um efeito limitado nas operações militares, mas um peso simbólico significativo.
“Como disse o presidente Trump, apesar de tudo o que os Estados Unidos fizeram pelos nossos aliados da OTAN, eles não estiveram presentes para nós. O Departamento de Guerra garantirá que o presidente tenha opções viáveis para assegurar que os nossos aliados deixem de ser um tigre de papel e, em vez disso, façam a sua parte. Não temos mais comentários a fazer sobre quaisquer deliberações internas relativas a este assunto”, respondeu o secretário de Imprensa do Pentágono, Kingsley Wilson, às perguntas do elDiario.es.
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