30 Abril 2026
O Pentágono divulgou o número em detalhes durante uma audiência no Congresso e foi questionado por alguns parlamentares democratas.
A informação é publicada por Página|12, 30-04-2026.
O Pentágono estima que a guerra contra o Irã tenha custado aos Estados Unidos US$ 25 bilhões desde o início da operação, em 28 de fevereiro, afirmou um alto funcionário do Departamento de Guerra nesta quarta-feira. Enquanto isso, com as negociações paralisadas, Donald Trump instou Teerã a "acordar" e anunciou que está considerando estender o bloqueio naval.
O preço de “Fúria Épica”
“Até o momento, estamos gastando aproximadamente US$ 25 bilhões na Operação Epic Fury. A maior parte desse valor é destinada a munições”, declarou Jules Hurst, secretário adjunto interino de Guerra para Assuntos Financeiros, em uma audiência na Câmara dos Representantes.
O funcionário explicou que "parte desse valor é destinada a despesas operacionais e de manutenção, bem como à substituição de equipamentos".
Hurst afirmou que o Departamento de Guerra apresentará um pedido de orçamento suplementar ao Congresso por meio da Casa Branca "assim que tiverem uma avaliação completa do custo do conflito".
O Pentágono divulgou pela primeira vez um valor referente aos gastos com a guerra durante uma audiência para apresentar o orçamento do Departamento aos legisladores, na qual estiveram presentes o secretário de Defesa, Pete Hegseth, e o chefe do Estado-maior Conjunto, general Dan Caine.
Segundo estimativas do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS), as primeiras 100 horas da guerra contra o Irã custaram pelo menos US$ 3,7 bilhões, o que equivale a quase US$ 900 milhões por dia.
Por sua vez, Hegseth insistiu na justificativa para a continuação da operação, argumentando que o Irã ainda não havia abandonado suas ambições nucleares e minimizando a duração do conflito.
“Lembro-vos quanto tempo estivemos no Afeganistão e quanto tempo estivemos no Vietname. Estamos envolvidos há apenas dois meses numa luta existencial pela segurança do povo americano. O Irão não pode possuir uma bomba nuclear”, disse ele.
Durante a sessão, vários legisladores apresentaram seus argumentos contra a guerra e questionaram Hegseth. O deputado Adam Smith, o democrata de maior hierarquia na comissão, apontou para as repercussões regionais do conflito e seu custo tanto para as tropas americanas quanto para os civis, afirmando que queria respostas sobre o rumo do conflito e "o plano para alcançar nossos objetivos".
Enquanto isso, o democrata John Garamendi acusou Hegseth de "mentir para o povo americano sobre esta guerra desde o primeiro dia" e descreveu o que está acontecendo no Oriente Médio como uma "calamidade geopolítica, um erro estratégico que levou a uma crise econômica global".
Em resposta às perguntas dos legisladores, Hegseth adotou uma postura combativa e declarou: "O maior desafio, o maior adversário que enfrentamos agora, é a retórica imprudente, ineficaz e derrotista dos democratas no Congresso e de alguns republicanos", criticou.
Este mês, os democratas da Câmara apresentaram seis pedidos de impeachment contra Hegseth, embora não tenham chances reais de sucesso. Eles o acusam de "crimes graves e delitos menores", incluindo a declaração de guerra contra o Irã sem a aprovação do Congresso.
Diversos membros do Congresso, incluindo republicanos, também lamentam que o Poder Executivo dos EUA não tenha consultado o Congresso mais detalhadamente antes de iniciar a ofensiva, quando a Constituição exige sua aprovação para "declarar" guerra formalmente.
A nova ameaça de Trump
Por sua vez, Trump, que na semana passada prorrogou indefinidamente o cessar-fogo com Teerã, escreveu nesta quarta-feira em sua plataforma de mídia social, Truth Social: “O Irã não consegue se organizar. Eles não sabem como assinar um acordo não nuclear. É melhor que se organizem logo!”
O republicano acompanhou a mensagem com uma imagem encenada na qual aparece armado e usando óculos escuros, enquanto várias explosões ocorrem atrás dele, acompanhadas da frase “CHEGA DE SR. GENTILEZA!”
Na terça-feira, o líder republicano afirmou que o Irã o informou estar em "estado de colapso" e que, enquanto resolve seus problemas de liderança, deseja que Washington reabra o Estreito de Ormuz "o mais rápido possível".
A mensagem do líder republicano coincidiu com relatos de sua insatisfação com o novo plano de Teerã para desbloquear as negociações de paz e reabrir a rota estratégica de petróleo e mercadorias, adiando o diálogo sobre o programa nuclear iraniano.
Na reunião de segunda-feira entre Trump e seus conselheiros de Segurança Nacional, o presidente americano teria indicado que não está inclinado a aceitar o plano, que também insta Washington a suspender o bloqueio naval imposto à costa iraniana, de acordo com a CNN.
A este respeito, Trump informou executivos da indústria petrolífera que os Estados Unidos manterão o bloqueio naval aos portos iranianos por meses, se necessário, afirmou um funcionário da Casa Branca na quarta-feira. O presidente americano enfatizou a eficácia dessa medida em entrevista à Axios.
“O bloqueio é um pouco mais eficaz do que os bombardeios. Eles estão sendo sufocados como um porco recheado. E isso vai piorar para eles”, declarou o presidente dos EUA.
Segundo informações da Axios, Trump realizou uma reunião com executivos do setor na Casa Branca na terça-feira. Eles discutiram “as medidas tomadas pelo presidente para aliviar a situação nos mercados globais de petróleo e aquelas que poderiam ser tomadas para manter as restrições atuais por meses, se necessário, e minimizar o impacto sobre os consumidores americanos”, disse à AFP uma fonte, que falou sob condição de anonimato.
“O presidente se reúne frequentemente com executivos do setor energético para ouvir suas opiniões sobre os mercados de energia nacionais e internacionais”, afirmou o funcionário. Ele acrescentou que essas reuniões abrangem temas como “produção interna, progresso na Venezuela, o futuro do petróleo, gás natural e transporte marítimo”.
O secretário do Tesouro, Scott Bessent, o vice-presidente JD Vance e a chefe de gabinete Susie Wiles participaram da reunião. A gigante petrolífera americana Chevron confirmou à AFP que seu CEO, Mike Wirth, também esteve presente.
Os preços globais do petróleo dispararam na quarta-feira após notícias na mídia de que Trump estaria considerando estender o embargo ao Irã.
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