11 Março 2026
A ala mais radical do regime prevalece, mas o mistério em torno do novo Líder Supremo se aprofunda: ainda nenhum sinal de Khamenei.
A informação é de Gabriella Colarusso, publicada por La Repubblica, 11-03-2026.
Sobreviver à guerra, mas como? E, sobretudo: por quanto tempo? No décimo segundo dia do conflito, o Irã precisa resolver uma questão estratégica: continuar o conflito para restabelecer alguma dissuasão, mas arriscar consequências ainda mais desestabilizadoras.
O objetivo da República Islâmica é sair praticamente ilesa do desafio contra duas superpotências militares, reorganizar-se internamente, iniciar uma purga de "traidores" e reunificar a população, celebrando os feitos de uma "resistência" que não cedeu. Mas mesmo que o plano seja bem-sucedido, o maior perigo não será evitado: um novo ataque, uma nova guerra, quando israelenses e americanos determinarem que o sistema ainda é vulnerável. "Não buscamos um cessar-fogo. Acreditamos que o agressor deve ser punido e receber uma lição que o dissuada de atacar o Irã novamente", afirma Mohammad Bagher Ghalibaf, presidente do parlamento e ex-general que lidera as operações militares ao lado do líder do Pasdaran, Ahmed Vahidi. "O regime sionista perpetuou consistentemente um ciclo vicioso de guerra, negociações, cessar-fogos e, em seguida, nova guerra ao longo de sua história repugnante. Vamos quebrar esse ciclo vicioso."
Os iranianos estão convencidos de que este conflito é apenas uma fase de uma guerra destinada a se repetir, a menos que consigam restabelecer sua capacidade de dissuasão. Os membros mais linha-dura das forças armadas não têm pressa em pôr fim ao conflito: eles acreditam, explicou o analista Ali Vaez ao Wall Street Journal, que nos próximos dias os americanos e israelenses esgotarão seus interceptores, permitindo-lhes infligir muito mais danos aos seus inimigos e, assim, pressionar Trump a buscar um cessar-fogo. Essa é uma crença ilusória, segundo Vaez, porque Israel e os Estados Unidos controlam o espaço aéreo iraniano e ainda podem realizar ataques em larga escala. Mas para os paquistaneses, a alternativa seria uma rendição que prenunciaria mais problemas.
Quando o Secretário de Defesa dos EUA, Hegseth, ameaça com novos bombardeios ainda mais devastadores, enquanto Teerã e outras cidades do país já sofrem com incessantes ataques das Forças de Defesa de Israel (IDF), a Guarda Revolucionária responde com novos ataques contra Israel e os países árabes do Golfo, além de aumentar a pressão sobre o Estreito de Ormuz. Eles lançam mísseis que definem como "estratégicos", mais letais do que os usados até então — o Fattah, o Emad e o Khaibar. Ameaçam navios que tentam cruzar o estreito: "Não permitiremos a exportação de sequer um litro de petróleo para nossos inimigos e seus aliados. Qualquer passagem da frota americana e seus aliados será bloqueada por mísseis iranianos e drones kamikaze." Quando se espalha a notícia de que os americanos escoltaram um petroleiro pelo estreito, Ghalibaf tuíta sarcasticamente: "Talvez no PlayStation."
A inteligência americana teme que o canal esteja sendo sabotado, e Trump ameaça com ataques mais agressivos. "O Irã não tem medo. Aqueles maiores que vocês não conseguiram nos eliminar, então tomem cuidado para não serem eliminados", responde Ali Larijani, chefe do Conselho de Segurança Nacional. "Ormuz será um Estreito de paz e prosperidade para todos, ou um Estreito de derrota e sofrimento para os belicistas." Para Teerã, no entanto, prolongar a guerra também teria custos insustentáveis.
O país já enfrentava uma grave crise econômica, sanções a setores-chave e crises hídricas e ambientais. O presidente Pezeshkian lutava para finalizar o orçamento. Quanto mais o conflito se prolongar, mais desestabilizadoras serão as consequências para o sistema, inclusive no âmbito político. A nomeação de Mojtaba Khamenei como novo Líder Supremo já gerou divisões. Todos aguardam o pronunciamento do novo líder sobre os rumos da guerra, mas dois dias após sua posse, Mojtaba ainda não fez nenhum anúncio. A inteligência israelense informou que ele ficou ferido no ataque que matou seu pai.
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