Irã terá que parar de produzir petróleo se bloqueio dos EUA vier a ser efetivo

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16 Abril 2026

A parada da produção iraniana se somaria aos mais de 12 milhões de barris diários de petróleo já interrompidos pela guerra, elevando os preços.

A informação é publicada por ClimaInfo, 15-04-2026. 

O Irã é um dos maiores produtores mundiais de petróleo – cerca de 3,6 milhões de barris por dia (bpd) -, e aproximadamente metade desse óleo é comprado pela China. Os ataques dos Estados Unidos e de Israel ao país reduziram os volumes que passam pelo Estreito de Ormuz, por onde agora só transitam navios autorizados pelo governo iraniano. Agora, com o bloqueio total anunciado pelos EUA, ainda menos petróleo deverá ser disponibilizado. Resultado: preços ainda mais altos e governos em desespero.

Segundo o Financial Times, em matéria repercutida pelo Valor, o bloqueio naval estadunidense pode forçar o Irã a reduzir significativamente sua produção em duas semanas. E analistas ouvidos pela Reuters, em matéria repercutida pelo UOL, avaliam que o país pode suportar até dois meses antes de paralisar a extração de petróleo.

Independentemente do prazo, os efeitos sobre o mercado de petróleo, já totalmente instável pelo conflito, não serão nada bons. Qualquer paralisação da produção iraniana se somaria aos mais de 12 milhões de bpd de suprimento já interrompidos pela guerra, afetando ainda mais a oferta global, já comprometida, e elevando os preços do petróleo. Segurança energética? Não temos.

Para piorar, o Irã ameaçou obstruir a navegação e as exportações de petróleo no Mar Vermelho caso os EUA não suspendam o bloqueio naval, informa a Folha. O país não tem acesso ao Mar Vermelho, mas pode acionar os rebeldes hutis do Iêmen, seus aliados na região, que já promoveram ataques aéreos em resposta à invasão de Gaza pelos israelenses, lembra a Veja.

A ameaça iraniana fez os preços do petróleo iniciarem a 4ª feira (15/4) em elevação, mas fecharam a sessão em estabilidade. O Brent, com vencimento em junho, teve alta de 0,14%, cotado em US$ 94,93 por barril, enquanto o WTI, com entrega prevista para maio, subiu 0,01%, para US$ 91,29 por barril, detalha o Valor.

Vale lembrar que tudo isso está acontecendo no “cessar-fogo” de duas semanas acordado entre os EUA e o Irã no final de semana passado.

Em tempo 1: As 100 maiores empresas de petróleo e gás do mundo lucraram mais de US$ 30 milhões (R$ 150 milhões) por hora no primeiro mês dos ataques dos EUA e de Israel ao Irã, mostra uma análise do Guardian. A saudita Saudi Aramco, a russa Gazprom e a estadunidense ExxonMobil estão entre as maiores beneficiárias dessa bonança - o que significa que os principais opositores das medidas climáticas continuam a prosperar. Esses lucros excessivos saem dos bolsos das pessoas comuns, que pagam preços altos para abastecer seus veículos e ter eletricidade em suas casas, bem como das empresas, que incorrem em contas de energia mais altas. Sem falar que vários países reduziram impostos sobre combustíveis para ajudar os consumidores em dificuldades, o que significa que essas nações - incluindo Austrália, África do Sul, Itália, Brasil e Zâmbia -, estão arrecadando menos dinheiro para serviços públicos.

Em tempo 2: O choque do petróleo decorrente da guerra é o principal responsável pelo salto do Índice Geral de Preços – 10 (IGP-10) em abril, informa O Globo. O indicador, que recuou 0,24% em março, registrou agora um avanço de 2,94%. No ano, o índice acumula uma alta de 2,57%. Com o barril rondando US$ 100 e acumulando uma alta superior a 60% em 2026, os efeitos já começam a se manifestar em cadeia: primeiro nos combustíveis, depois no frete, nos alimentos e, por fim, na inflação e nos juros, lembra o E-Investidor. O movimento ainda não é totalmente visível nos preços, mas já mudou as expectativas e deve pesar cada vez mais nas decisões de consumo e de investimento.

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