16 Abril 2026
Para desarmar a bomba de Trump, o Vaticano está aplicando o método Backis (do diplomata formado, como o Secretário de Estado Parolin, por Casaroli e Silvestrini): "Afagar a cabeça da fera para que ela não morda sua mão". Enquanto isso, o Papa não recua e declara na Argélia: "Deus não está do lado dos malvados, dos prepotentes e dos soberbos, e seu coração está destroçado pelas guerras, pelas violências, pelas injustiças e pelas mentiras. Com os pequenos e humildes, ele leva adiante o reino de amor e de paz".
A informação é de Giacomo Galeazzi, publicada no jornal La Stampa, 15-04-2026. A tradução de Luisa Rabolini.
O Arcebispo Michele Pennisi, figura histórica na construção de pontes para o diálogo ecumênico, explica: "O problema não são os Estados Unidos, mas o Presidente Trump, que não conhece o estilo diplomático e já no passado conduziu de maneira inadequada as relações com a Nunciatura Apostólica em Washington. Leão XIV deixou claro que atua em outro patamar; ele se mantém firme, mas não revida golpe por golpe; permanece em uma esfera superior. Sua popularidade está crescendo, e até mesmo Giorgia Meloni, política habilidosa, finalmente se adequou, tomando distância do desajeitado deslize do líder EUA. A Casa Branca não é a Trump Tower."
A opinião pública internacional, acrescenta o prelado, "está com o Pontífice, e parece ter começado a espiral descendente de Trump. Leão XIV, com sua diplomacia soft, está trabalhando discretamente. Não é contra ninguém, mas sim a favor de todos. Nos Estados Unidos, seu embaixador é agora o Arcebispo Gabriele Caccia, que já atuou na Cúria Romana, no Líbano e na ONU. Há 50 milhões de católicos nos EUA, e muitos fiéis de outras denominações também estão mudando de posição. Trump calculou mal sua estratégia e, em seu narcisismo, não recua. Ataca em todas as frentes, seguido por seu vice, J.D. Vance, mas não pelo outro católico na administração, o mais experiente e habilidoso Rubio”.
O Padre Filippo Di Giacomo, canonista e analista de assuntos eclesiásticos, descreve a reação da Santa Sé da seguinte forma: "Nos incidentes diplomáticos ou quando ocorrem ataques desse tipo, a diplomacia pontifícia dá uma pausa, se imobiliza e deixa que se atue na sombra, no terreno entram em campo astutos mediadores que muitas vezes são figuras anônimas para o grande público, mas bem conhecidas em seus âmbitos de atuação." Reitores de instituições católicas, mediadores entre Igreja e política e líderes de think tank culturais.
"Devido ao choque que se seguiu ao discurso de Bento XVI sobre o Islã em Regensburg, foram enviados negociadores inter-religiosos, como o Bispo Padovese, posteriormente mártir, que possibilitou que o caso fosse encerrado com uma visita papal a Istambul, recebida com aplausos pelos turcos", recorda Di Giacomo. Diretrizes que podem ser definidas como "normalização" e "exigência de seguir em frente". O Arcebispo Gian Carlo Perego, presidente da Comissão Episcopal para a Migração, amplia a perspectiva: "Insultos aos papas não são novidade na história, especialmente por parte daqueles que se consideram os donos do mundo. Exemplos incluem Napoleão e o exílio dos Papas Pio VI e Pio VII, e o plano de Hitler para sequestrar Pio XII". Intimar o Pontífice a se recolher ao recinto sagrado é "uma heresia". Agora, Leão XIV está protegendo o episcopado EUA, que se opõe à escalada da guerra e à repatriação de migrantes. O Cardeal Robert McElroy negou que o conflito no Irã atende aos critérios da guerra justa. O Cardeal Blase Cupich denunciou a "gamificação" do conflito nos vídeos da Casa Branca: "Estamos desumanizando as vítimas ao transformar o sofrimento em entretenimento". O Cardeal Joseph Tobin reiterou a definição do ICE como uma "organização sem lei". O Papa Prevost não está sozinho.
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