14 Abril 2026
Pelo 41º ano, o Serviço Pastoral dos Migrantes (SPM), organismo da CNBB fundado há mais de 40 anos, mobiliza o país para a Semana do Migrante (14 a 21 de junho), desta vez com foco inédito: "Migração e Moradia", com o lema "Eu não tenho onde morar!". A iniciativa dialoga diretamente com a Campanha da Fraternidade 2026 ("Fraternidade e Moradia") e denuncia como o Brasil convive com 6 milhões de domicílios em déficit habitacional enquanto milhões de imóveis permanecem vazios.
A informação é de Alfredo J. Gonçalves, CS, padre, assessor do Serviço Pastoral dos Migrantes – SPM/São Paulo.
Eis a nota.
Crise habitacional + migração = exclusão estrutural.
Migrantes nacionais e internacionais, refugiados, apátridas, deslocados internos, sazonais e marítimos enfrentam aluguéis que consomem toda a renda, periferização forçada e, em muitos casos, voltam às ruas. "A especulação imobiliária e a segregação urbana transformam o solo em instrumento de exclusão", alerta o texto-base do SPM, que cita dados da Fundação João Pinheiro/Ministério das Cidades/IBGE.

Teologia aplicada à realidade: "Jesus refugiado no Egito (Mt 2,13-15) e sem-teto (Lc 9,58) se identifica com cada migrante excluído. Negar moradia é negar espaço ao próprio Cristo", ensina o documento assinado por Dom João Bergamasco, presidente do SPM. A programação nacional segue os 4 pilares do Papa Francisco — acolher, proteger, promover, integrar — com ações concretas em paróquias, pastorais e movimentos sociais.
Programação em todo o Brasil
Celebrações e formação: Missas de abertura/encerramento com leituras proféticas (Jr 20,10-13; Rm 5,12-15; Mt 10,26-33), 3 rodas de conversa bíblicas (ver-discernir-agir)
- Cultura e resistência: Festivais interculturais com danças, música, culinária típica e
poesia de migrantes - Advocacy: Seminários, colóquios, mesas-redondas e audiências públicas sobre políticas
migratórias e habitacionais - Ação direta: Iniciativas locais de solidariedade e protagonismo migrante.
A 41ª Semana do Migrante inclui quatro eixos de ação: celebrações e formação, com missas de abertura e encerramento com leituras proféticas (Jr 20,10-13; Rm 5,12-15; Mt 10,26-33) e três rodas de conversa bíblicas (ver-discernir-agir); cultura e resistência, com festivais interculturais de danças, música, culinária típica e poesia de migrantes; advocacy, com seminários, colóquios, mesas-redondas e audiências públicas sobre políticas migratórias e habitacionais; e ação direta, com iniciativas locais de solidariedade e protagonismo migrante.
Convocação nacional
Desde 1985, o SPM organiza a Semana do Migrante como referência na defesa dos direitos humanos de migrantes nacionais e internacionais, refugiados, apátridas e deslocados internos. Em 2026, o texto-base — de autoria de Arivaldo Sezyshta (João Pessoa/PB) — convoca uma conversão pessoal, comunitária e social para que "não haja mais entre nós nenhuma família sem teto, nenhum camponês sem terra, nenhum trabalhador sem direitos" — revisando práticas pastorais, escolhas políticas e modelos urbanos excludentes.
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