‘Grande Sertão: Veredas’ completa 70 anos e segue encantando o mundo

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15 Abril 2026

Publicado em 1956, romance de João Guimarães Rosa foi incluído em lista de melhores livros do mundo e ganha nova tradução em 2026.

A reportagem é de Marcelo Moreira, publicada por Agenda do Poder, 11-04-2026.

O tempo passou, mas o sertão de Guimarães Rosa permanece vivo. Em 2026, Grande Sertão: Veredas completa 70 anos de publicação, consolidado como um dos pilares da literatura brasileira e uma das obras mais importantes da língua portuguesa.

Lançado em 1956 pela Livraria José Olympio Editora, o romance nasceu quase como acidente. Inicialmente, Guimarães Rosa planejava incluí-lo como uma das novelas de Corpo de Baile, lançado no mesmo ano. A história, porém, cresceu, ganhou autonomia e transformou-se no épico que conhecemos hoje.

A narrativa em primeira pessoa de Riobaldo, jagunço idoso que relembra sua juventude de violência e paixão no sertão mineiro, revolucionou a linguagem literária. Rosa criou um português único, arcaico e coloquial ao mesmo tempo, cheio de neologismos que capturam o ritmo da oralidade sertaneja.

O reconhecimento veio rápido. Em 2002, o Clube do Livro da Noruega incluiu Grande Sertão: Veredas em sua lista dos cem melhores livros de todos os tempos. Foi o único autor brasileiro entre cem escritores de 54 países.

A trama gira em torno de dois eixos: a jornada de Riobaldo pelo sertão como jagunço e sua relação com Diadorim, companheiro de armas por quem nutre amor proibido. O livro mergulha em questões filosóficas como bem e mal, livre-arbítrio e a natureza da existência, enquanto transforma o sertão em metáfora da alma brasileira.

Cinema e televisão

A obra já foi adaptada para o cinema e para a televisão. Em 1985, a Rede Globo exibiu minissérie baseada no romance. Agora, em 2026, ganha nova tradução para o inglês, intitulada Vastlands: The Crossing, da tradutora Alison Entrekin.

Eventos culturais celebram a data. A Flipoços 2026, de 25 de abril a 3 de maio, no Parque José Affonso Junqueira, em Poços de Caldas-MG, dedica mesa especial ao romance, reconhecendo sua importância na redefinição da linguagem literária brasileira.

Guimarães Rosa chamou a obra de sua autobiografia irracional. O sertão de suas veredas, aquele labirinto de caminhos que se entrelaçam, continua a atrair leitores sete décadas depois. O livro prova que, como diz Riobaldo, viver é negócio muito perigoso, mas também muito necessário.

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