02 Abril 2026
O abade Geoffroy Kemlin de Solesmes propôs a reconciliação das missas antigas e "novas", mas essa proposta encontrou reservas por parte de representantes da liturgia tradicional. Em entrevista à plataforma "L'Homme Nouveau", Philippe Darantière, presidente da Notre-Dame de Chrétienté, expressou sua crítica à iniciativa.
A informação é publicada por Katholisch, 01-04-2026.
Darantière e sua associação organizam a peregrinação anual a Chartres no Pentecostes, considerada a maior peregrinação tradicionalista da França. Segundo a comunidade de Notre-Dame de Chrétienté, é "o maior local de encontro e santificação para os fiéis que seguem o rito tradicional da Missa". Mais de dez mil pessoas participam da "Pèlerinage de Chrétienté" a cada ano.
O Abade Kemlin havia proposto recentemente a fusão da liturgia pré-Vaticano II com a forma reformada posterior ao Concílio Vaticano II (1962-1965) em um único missal. Ambas as ordens coexistiriam, contribuindo assim para a unidade. Darantière, no entanto, considera essa abordagem problemática. Embora o conceito lembre o modelo de um rito com duas formas defendido pelo Papa Bento XVI, as adaptações planejadas para o rito antigo — como os elementos de reforma posteriores — não se originam diretamente da própria constituição conciliar. "Por meio da revisão da antiga ordem, ela é permeada pelo espírito da reforma, esse espírito de novidade que não lhe é próprio", argumenta Darantière.
Diferentes lógicas litúrgicas
Fundamentalmente, duas lógicas litúrgicas distintas estão em conflito. O rito renovado caracteriza-se pela diversidade e pela escolha, enquanto a forma tradicional se baseia em procedimentos fixos e na repetição. "É uma pedagogia da regularidade, da repetição, uma forma que nos é imposta." As duas abordagens são dificilmente compatíveis. Darantière também rejeita a "diferença antropológica" entre as formas de missa mencionada pelo abade. Isso implicaria que a humanidade mudou fundamentalmente nos 60 anos desde o Concílio. Na verdade, a geração mais jovem aceita a liturgia tradicional quando lhe é oferecida; alguns recém-batizados até encontram o caminho para a fé por meio dela.
Darantière também avalia criticamente propostas específicas, como a adoção do novo calendário litúrgico ou lecionário. Ele argumenta que o calendário reformado causou rupturas em muitos lugares e destruiu pontos de referência familiares. Ele também não se convence com o argumento de maior acesso à Bíblia. No geral, Darantière considera improvável a aprovação da proposta do abade. Muitos fiéis do novo rito não querem mudanças, enquanto os adeptos da liturgia tradicional exigem, principalmente, o reconhecimento de sua prática. Uma fusão das duas formas poderia, portanto, exacerbar, em vez de resolver, as tensões dentro da Igreja.
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