Minicentrais nucleares: um futuro radioativo

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12 Março 2026

A segunda cúpula internacional sobre energia nuclear civil foi realizada em Paris, na terça-feira, a convite do presidente Emmanuel Macron e com o patrocínio da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). O foco do encontro se concentrou claramente na construção de novas centrais nucleares em todo o mundo. Esta terça-feira marcou 15 anos do desastre de Fukushima e quase 40 anos do desastre de Chernobyl. Nos últimos anos, a energia nuclear havia perdido muita popularidade devido a essas tragédias e aos problemas não resolvidos na gestão de resíduos nucleares. Agora, o interesse por ela parece estar ressurgindo.

A reportagem é de Rudolf Balmer, publicada por La Diaria, 11-03-2026. A tradução é do Cepat.

Na cúpula, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, descreveu a retirada europeia da energia nuclear como um “erro estratégico”. Argumentou que a energia nuclear é uma “fonte de energia confiável e acessível, com baixas emissões”, e defendeu o seu retorno à União Europeia (UE), destacando que sua participação na geração de eletricidade era de cerca de 30%, em 1990, mas desde então caiu para aproximadamente 15%.

Von der Leyen, que é integrante da CDU (União Democrata Cristã) e ex-ministra da Defesa alemã, apresentou um plano que prioriza a construção de minicentrais nucleares, os chamados pequenos reatores modulares (SMRs), frente às centrais convencionais em grande escala. A UE apoiará o desenvolvimento de novas tecnologias nucleares por empresas privadas, com uma garantia de 200 milhões de euros. Até o início dos anos 2030, a Europa deve ser líder no setor de SMRs, afirmou, pois poderão se tornar um grande sucesso de exportação. Além disso, espera-se que a energia nuclear contribua para reduzir os preços da eletricidade para os consumidores e fortalecer a competitividade internacional das empresas europeias. Prevê-se que o próximo orçamento da UE direcione 5 bilhões de euros para pesquisa no campo da fusão nuclear.

A crise no fornecimento de petróleo relacionada à guerra na região do Golfo conferiu maior relevância e importância à cúpula internacional de Paris. O anfitrião Macron explicou que a situação exige uma revisão dos modelos de política energética da Europa: “Estes devem ser capazes de conciliar a descarbonização, o emprego e a independência energética”.

Para o presidente da França, país onde 57 reatores produzem mais de 70% da eletricidade, a expansão da energia nuclear com seis novos reatores na próxima década já é uma certeza. Ele espera fervorosamente que outros países sigam o exemplo, utilizando especialmente a tecnologia francesa. Atualmente, 30 países operam um total de aproximadamente 450 reatores. No entanto, segundo o diretor-geral da AIEA, Rafael Grossi, outros 40 países, entre eles, Argentina e África do Sul, têm um “claro interesse” em gerar sua eletricidade com reatores nucleares. Representantes de 40 países participaram da cúpula. A Rússia não foi convidada.

A demanda mundial por eletricidade está aumentando, em grande parte devido ao enorme consumo de energia dos sistemas de servidores de inteligência artificial. Fatih Birol, diretor da Agência Internacional de Energia, acredita que a resposta está em um “retorno forçado à energia nuclear” que complemente a expansão da energia solar, eólica e outras fontes de energia renováveis.

Assim como outras ONGs, o Greenpeace criticou esse entusiasmo unânime pelo futuro da fissão ou fusão nuclear como fonte de energia rentável e solução para a transição energética no marco da Cúpula de Paris. O Escritório Federal para Segurança da Gestão de Resíduos Nucleares de Berlim alertou, em um estudo de 2024, que as desvantagens e os problemas pendentes em torno das minicentrais nucleares superavam suas vantagens e que seu lançamento no mercado era imprevisível.

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