10 Março 2026
Relatório da Human Rights Watch sobre os ataques na aldeia de Yohmor, no sul do país. "Fotos e comunicações do exército, eis as provas." As Forças de Defesa de Israel: "Não podemos confirmar o uso de tais projéteis no incidente relatado."
A reportagem é de Fabio Tonacci, publicada por La Repubblica, 09-03-2026.
“O exército israelense usou munições de fósforo branco na vila de Yohmor, no sul do Líbano .” A acusação parte da Human Rights Watch (HRW), organização não governamental que monitora conflitos. A ONG, sediada em Nova York, verificou e geolocalizou sete fotografias tiradas em Yohmor no início de março, mostrando nuvens de fumaça esbranquiçada subindo de um bairro residencial e equipes da defesa civil combatendo incêndios que haviam começado em duas casas e um carro.
"Podem causar a morte ou efeitos muito dolorosos"
A primeira imagem foi publicada nas redes sociais na manhã de 3 de março, mostrando nuvens esbranquiçadas, "compatíveis com munições M825 de 155 milímetros contendo fósforo branco", escreve a HRW. Naquele dia, às 5h27, o oficial Avichay Adraee, porta-voz do exército israelense que fala árabe, emitiu um alerta aos moradores de Yohmor e de outras 50 aldeias, ordenando que se afastassem pelo menos um quilômetro dos centros urbanos. O mesmo aviso foi repetido às 12h12, seis horas depois. Em operações militares, o fósforo branco é usado para diversos fins, incluindo obscurecer certas áreas para dificultar a visibilidade, sinalizar e até mesmo atingir diretamente soldados inimigos. Um dispositivo desse tipo, dependendo da altura da explosão, costuma cobrir uma área de até 250 metros de diâmetro com fragmentos químicos. "Os efeitos incendiários do fósforo branco podem causar morte ou ferimentos muito dolorosos que não cicatrizam", explica Ramzi Kaiss, pesquisador libanês da Human Rights Watch que conduziu a investigação.
As proibições das Convenções sobre Armas
Duas fotografias adicionais, datadas de 3 de março e divulgadas pelo Comitê Islâmico de Saúde, uma autoridade sanitária ligada ao Hezbollah, foram analisadas. Elas são do período pós-ataque e mostram casas em chamas. A ONG geolocalizou as imagens e afirma que, com base na análise de metadados, elas foram tiradas a menos de 160 metros de distância uma da outra. Esta não é a primeira vez que as Forças de Defesa de Israel (IDF) são acusadas de usar bombas desse tipo no Líbano.
"Não temos conhecimento, e portanto não podemos confirmar, o uso de munições de fósforo branco no Líbano", explicou um porta-voz militar israelense em um comunicado, especificando que as Forças de Defesa de Israel, "como muitos exércitos ocidentais", possuem projéteis de fumaça contendo fósforo branco "em quantidades legais de acordo com o direito internacional".
Atualmente não existe uma proibição completa e específica, mas seu uso pode estar sujeito às limitações estabelecidas para munições incendiárias no Protocolo III da Convenção sobre Armas Convencionais (CCW). Elas não podem ser usadas contra alvos civis. O Líbano é signatário da Convenção, que está em vigor desde 1983; Israel não é.
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