Uma investigação da Al-Jazeera revela que Israel teria usado munição que incinerou quase 3 mil habitantes de Gaza

Foto: Abed Rahim Khatib/Anadolu Ajansi

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21 Fevereiro 2026

O uso desse tipo de arma contra a população civil é proibido pelo direito internacional humanitário.

A reportagem é publicada por El Salto, 11-02-2026.

Segundo uma investigação da Al Jazeera Arabic publicada ontem, desde 07-10-2023, cerca de 3 mil palestinos foram "vaporizados" após o uso, por Israel, de armas térmicas e termobáricas que geram temperaturas superiores a 3.500 graus Celsius. Essas armas são proibidas internacionalmente para uso contra populações civis e também são conhecidas como "bombas de vácuo ou aerossol".

Os dados fornecidos na investigação provêm de comparações realizadas pela Defesa Civil de Gaza, relatos de familiares sobreviventes e da análise dos locais onde os dispositivos caíram. A existência de todos esses corpos é conhecida porque, apesar de seu completo desaparecimento, vestígios de sangue podem ser encontrados em calçadas ou paredes, comprovando sua presença.

Armas utilizadas em escolas e “zonas seguras”

Conforme explicado pela Al Jazeera, “diferentemente dos explosivos convencionais, essas armas dispersam uma nuvem de combustível que, ao ser inflamada, cria uma enorme bola de fogo e um efeito de vácuo”. Uma de suas fontes explica que “para prolongar o tempo de combustão, pós de alumínio, magnésio e titânio são adicionados à mistura química. Isso eleva a temperatura da explosão para entre 2.500 e 3 mil graus Celsius”, fazendo com que os tecidos evaporem e se transformem instantaneamente em cinzas. Isso oblitera completamente os corpos.

A investigação, que identifica os modelos utilizados — fabricados e vendidos pelos Estados Unidos — também fornece informações sobre onde esses tipos de bombas foram lançados, pois existem evidências físicas, como invólucros. Um deles, por exemplo, foi usado em um ataque a Al-Mawasi, uma área que havia sido declarada “zona segura” em setembro de 2024. Essa bomba em particular matou ou fez desaparecer 22 pessoas. O invólucro de outro desses dispositivos foi encontrado em uma escola. Desde 7 de outubro, prédios escolares têm sido usados ​​para abrigar refugiados que fogem dos bombardeios. O modelo encontrado causa “uma onda de pressão que rompe os pulmões e uma onda térmica que incinera o tecido mole”, segundo a investigação citada pelo veículo de comunicação. Esse tipo de armamento é frequentemente usado pelos militares para demolir cavernas ou complexos de túneis subterrâneos.

Mais uma violação do direito internacional humanitário

Esta nova descoberta soma-se à longa lista de violações do direito internacional e dos direitos humanos cometidas por Israel em território palestino. É mais uma prova dos seus métodos desumanos, que resultaram na morte de mais de 72 mil pessoas em Gaza desde o início da sua campanha genocida. Mais uma vez, não é apenas a brutalidade do Estado israelense que deve ser destacada, mas também a cumplicidade da comunidade internacional — esta semana, por exemplo, a Austrália recebeu a visita do presidente israelense Yitzhak Herzog — e de todos os atores que comercializam armas com a entidade sionista.

O uso dessas armas, já denunciadas por organizações internacionais de direitos humanos, viola o direito internacional humanitário, que proíbe o uso de bombas térmicas contra civis e constitui um crime de guerra; mais um na longa lista de tais delitos cometidos por Israel. Desde 7 de outubro de 2023, Israel tem violado sistematicamente os princípios de proteção aos civis que devem ser aplicados durante conflitos armados, como os princípios da distinção — entre civis e militares — e o princípio da proporcionalidade.

Em outubro de 2023, apenas três dias após 7 de outubro, a Anistia Internacional encontrou evidências de que Israel havia usado projéteis de artilharia com fósforo branco em áreas civis densamente povoadas de Gaza; armamento também fornecido pelos Estados Unidos, país que se tornou um aliado necessário nesse massacre.

À medida que surge mais uma prova do genocídio cometido por Israel em Gaza, milhares de famílias no enclave continuam a procurar pelos seus entes queridos: milhares de corpos permanecem sob os escombros; outros nunca mais serão encontrados.

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