Armas explosivas causam a maioria dos ferimentos de guerra em Gaza, mostra estudo com dados de Médicos Sem Fronteiras publicado na Lancet

Foto: UNRWA | Ashraf Amra

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02 Agosto 2025

Análise de mais de 200 mil consultas realizadas por MSF em 2024 revela que 83% das vítimas foram feridas por armas, como bombas e granadas.

A informação é publicada por MSF, 01-08-2025.

Uma análise de dados de mais de 200 mil consultas realizadas por Médicos Sem Fronteiras (MSF) em seis unidades de saúde na Faixa de Gaza, em 2024, revela que 83% dos pacientes atendidos com ferimentos de guerra foram vítimas de armas explosivas, como bombas e granadas. O estudo foi publicado ontem na revista The Lancet (clique aqui para ler na íntegra).

Essas armas foram projetadas para uso em campos de batalha abertos. No entanto, são cada vez mais utilizadas em ambientes urbanos. "As armas explosivas estão sendo usadas de maneira indiscriminada, causando ferimentos complexos por explosão, fragmentação e calor. Em dois hospitais, observamos que quase 60% dos ferimentos estavam relacionados a esse tipo de armamento", afirma Meinie Nicolai, que trabalhou como coordenadora de emergências em Gaza.

Os abrigos improvisados, onde a população é forçada a viver após sucessivos deslocamentos, oferecem pouca ou nenhuma proteção contra esse tipo de arma. A análise de dados ainda revela uma taxa de infecção muito alta em feridas, superior a 18% em pacientes que procuram atendimento pela primeira vez. Isso se deve às condições de vida precárias após múltiplos deslocamentos forçados.

A falta de proteção aos civis é evidente: 29,6% de todas as consultas relacionadas a ferimentos de guerra são em crianças menores de 15 anos, e 32% em mulheres. A falta de proteção também é uma realidade para os profissionais de saúde: 1.580 pessoas, incluindo 12 colegas de MSF, foram mortas desde outubro de 2023. E nenhum hospital em Gaza está em pleno funcionamento.

Esses ataques indiscriminados precisam parar!

A carnificina humana e a fome imposta aos palestinos em Gaza são deliberadas. O uso massivo de armas explosivas faz parte dessa guerra sangrenta. A ajuda humanitária foi bloqueada e os serviços de saúde são alvos diários.

Médicos Sem Fronteiras reitera seu apelo por um cessar-fogo imediato e permanente. A organização pede proteção para os civis e respeito ao trabalho médico e humanitário, que é essencial. MSF apela para que Israel permita e proteja a ajuda médica imparcial e irrestrita.

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