A Santa Sé e o Irã na Nova Desordem Mundial. Artigo de Antonio Spadaro

Foto: Wikimedia Commons

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06 Março 2026

"Como Leão XIV afirmou com veemência, o único caminho viável continua sendo o 'diálogo razoável, autêntico e responsável'. A única solução duradoura é a diplomática. Mas, para que a diplomacia recupere seu papel, os poderosos do mundo devem renunciar ao que Francisco certa vez chamou de tentação de 'brincar com fogo, com mísseis e bombas, com armas que semeiam choro e morte, cobrindo nossa casa comum com cinzas e ódio'", escreve Antonio Spadaro, subsecretário do Dicastério para a Cultura e a Educação da Santa Sé, em artigo publicado por UCAnews, 04-03-2026.

Eis o artigo.

O conflito que assola o Oriente Médio desde 28 de fevereiro pode ter redesenhado irreversivelmente a geografia política da região. Os ataques conjuntos entre Estados Unidos e Israel contra o Irã — que mataram o aiatolá Ali Khamenei, Líder Supremo da República Islâmica desde 1989, juntamente com o ministro da Defesa Aziz Nasirzadeh e o comandante da Guarda Revolucionária Mohammed Pakpour — abriram um novo capítulo de derramamento de sangue em uma terra já marcada por décadas de conflito.

Os ataques retaliatórios do Irã com mísseis, atingindo Israel, os países do Golfo e bases americanas em toda a região, desencadearam um conflito regional de proporções sem precedentes. Em Israel, pelo menos 12 pessoas morreram; no Irã, o Crescente Vermelho relata 787 mortos desde o início das operações, incluindo as 168 vítimas dos ataques à escola feminina Shajareh Tayyebeh, em Minab. O Líbano está em chamas novamente: cerca de 40 pessoas morreram e mais de 150 ficaram feridas em decorrência dos bombardeios israelenses no sul do país e no distrito de Dahiyeh. Os números continuam a subir.

Nesse contexto de devastação e medo, a voz da Santa Sé se ergueu com firmeza e urgência condizentes com a gravidade do momento. Mas para compreender o peso dessa voz e seu alcance, é preciso primeiro refazer o longo e paciente caminho trilhado pelos papas em suas relações com o Irã e o mundo xiita — um caminho tecido por encontros, palavras cuidadosamente ponderadas e gestos proféticos que, em meio à catástrofe, adquirem agora um significado ainda mais profundo.

A relação entre a Santa Sé e a República Islâmica do Irã foi marcada por um período complexo durante o pontificado de Bento XVI, tanto por um genuíno desejo de diálogo quanto por tensões inevitáveis. O Discurso de Regensburg, em setembro de 2006, que citou o imperador bizantino Manuel II Paleólogo sobre o tema da guerra santa, provocou uma forte reação negativa em todo o mundo muçulmano.

O próprio aiatolá Khamenei descreveu as declarações do papa como "um elo na corrente da conspiração israelense-americana para fomentar um conflito entre religiões", enquanto o ex-presidente reformista Mohammad Khatami as chamou de "insolentes". Universidades corânicas iranianas suspenderam as aulas em protesto, e as relações entre a Santa Sé e o mundo islâmico pareciam estar caminhando a passos largos para uma crise sem retorno.

Contudo, com a paciência que é a marca registrada da diplomacia vaticana, Bento XVI conseguiu remendar os fios soltos. Seu discurso ao Embaixador da República Islâmica do Irã junto à Santa Sé, em 29-10-2009, permanece um documento de rara clareza. Nele, Ratzinger afirmou que "estabelecer relações cordiais entre fiéis de diferentes religiões é uma necessidade urgente de nosso tempo" e expressou sua satisfação com "a existência, há vários anos, de encontros organizados regularmente e em conjunto pelo Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-religioso e pela Organização para a Cultura e Relações Islâmicas, sobre temas de interesse comum".

Ele não deixou de reconhecer a presença cristã no Irã "desde os primeiros séculos do cristianismo", chamando essa comunidade de "verdadeiramente iraniana" e sua "experiência secular de coexistência harmoniosa com os muçulmanos" de patrimônio a ser defendido. Bento XVI também exortou as autoridades iranianas a "fortalecer e garantir aos cristãos a liberdade de professar sua fé".

A abordagem de Bento XVI ganhou forma institucional concreta por meio do diálogo inter-religioso coordenado pelo Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-religioso. Um momento significativo nesse processo ocorreu em novembro de 2010, quando o Cardeal Jean-Louis Tauran, então presidente do dicastério, viajou a Teerã para a sétima rodada do diálogo Santa Sé-Irã. Nessa ocasião, Tauran entregou uma mensagem pessoal de Bento XVI ao Presidente Mahmoud Ahmadinejad.

A carta papal, datada de 03-11-2010, transmitia a alta consideração do Papa pelas autoridades iranianas e expressava sua esperança de colaboração em questões éticas universais e na paz mundial. A resposta iraniana foi de abertura: o embaixador Ali Akbar Naseri relatou que Ahmadinejad havia convidado formalmente o Papa a visitar o Irã, enfatizando que as relações eram "muito sinceras e cordiais". O convite foi reiterado em fevereiro de 2012, após a visita do Cardeal Tauran a Teerã, confirmando a disposição do regime, na época, de usar o canal do Vaticano como meio de mitigar seu isolamento internacional.

Com a eleição do Papa Francisco em março de 2013, a abordagem da Santa Sé em relação ao Oriente Médio e ao Irã assumiu uma nova dimensão, moldada pela "cultura do encontro" que o pontífice argentino colocou no centro de seus ensinamentos. Como escrevi em meu livro A Diplomacia do Papa Francisco (a ser publicado pela Georgetown University Press), o engajamento da Santa Sé com o mundo durante o pontificado de Francisco foi definido por um diálogo abrangente com os protagonistas do cenário internacional: de Trump a Putin, de Maduro a Rouhani, de Castro aos negociadores de paz colombianos.

É nesse contexto que se deve compreender o compromisso da Santa Sé em tratar o Irã como um interlocutor global. Diante do conflito intraislâmico entre sunitas e xiitas — que encontrou um de seus sangrentos palcos na Síria — a Santa Sé teve que se precaver contra o risco de fazer o jogo daqueles que buscavam colocar Riad contra Teerã, alinhando-se a um lado ou ao outro. O cenário era, e continua sendo, extraordinariamente complexo, mas eliminar o flagelo do chamado Estado Islâmico exigiu que sunitas, xiitas, Rússia e Ocidente unissem forças.

O ponto alto dessa estratégia ocorreu com a visita do presidente iraniano Hassan Rouhani ao Vaticano em 26-01-2016. Naquele dia, o presidente escreveu em sua conta no Twitter: "O Islã e o Cristianismo precisam de diálogo mais do que nunca hoje, porque na raiz dos conflitos entre as religiões está, sobretudo, a ignorância e a falta de entendimento mútuo."

A Sala de Imprensa do Vaticano informou que “durante as cordiais conversas, emergiram valores espirituais comuns e foi feita referência ao bom estado das relações entre a Santa Sé e a República Islâmica do Irã, à vida da Igreja no país e à atuação da Santa Sé em prol da promoção da dignidade da pessoa humana e da liberdade religiosa. A atenção voltou-se então para a conclusão e aplicação do Acordo Nuclear e para o importante papel que o Irã deve desempenhar, juntamente com outros países da região, na promoção de soluções políticas adequadas para os problemas que afligem o Oriente Médio, no combate à disseminação do terrorismo e ao tráfico de armas. A este respeito, as partes destacaram a importância do diálogo inter-religioso e a responsabilidade das comunidades religiosas na promoção da reconciliação, da tolerância e da paz.”

Com o Irã, tratava-se de um reconhecimento diplomático recíproco que ia muito além das cortesias do protocolo: a Santa Sé havia estabelecido relações diplomáticas regulares com Teerã — relações que, por exemplo, não existem com o Reino da Arábia Saudita. O vínculo com Teerã prosseguiu com a visita do ministro das Relações Exteriores, Mohammad Javad Zarif, em 17-05-2021.

Mas a relação da Santa Sé com o Irã nunca esteve isenta de sombras ou denúncias. A partir de setembro de 2022, o Irã foi abalado pelos protestos "Mulher, Vida, Liberdade", que eclodiram após a morte de Mahsa Amini. A repressão foi violenta.

O Papa Francisco escolheu seu discurso de Ano Novo aos embaixadores acreditados junto à Santa Sé como ocasião para expressar tanto sua preocupação com o impasse nas negociações nucleares quanto sua condenação a um país onde "o direito à vida é ameaçado pela pena de morte, usada para uma suposta justiça de Estado".

Ele também reconheceu que os protestos "exigem maior respeito pela dignidade das mulheres". Este era o Francisco que nunca abdicou do dever de dizer a verdade, mas que nunca fechou a porta ao diálogo.

Foi durante a viagem apostólica ao Iraque, em março de 2021, que a relação entre o pontificado e o mundo xiita atingiu seu ápice profético. Na manhã de 6 de março, um voo da Iraqi Airways transportou o Papa de Bagdá para Najaf, o principal centro religioso xiita do Iraque, um destino de peregrinação para xiitas de todo o mundo, pois abriga o túmulo do Imam Ali, primo e genro do Profeta Maomé e o primeiro imã da tradição xiita.

Francisco dirigiu-se à residência do Grande Aiatolá Sayyid Ali al-Husayni al-Sistani, dentro da mesquita do Imã Ali, percorrendo as ruelas da cidade sagrada. A interpretação de al-Sistani das fontes islâmicas exige que as autoridades religiosas se abstenham de atividades políticas diretas, opondo-se à interpretação teocrática do Aiatolá Khomeini, que prevalecia no Irã. O encontro durou aproximadamente 45 minutos: nunca antes o Aiatolá havia recebido um chefe de Estado, e nunca antes havia se levantado para cumprimentar um convidado — contudo, nesta ocasião, ele o fez mais de uma vez.

Durante a visita, cartazes com imagens de Francisco e al-Sistani, acompanhados de um famoso ditado do Imam Ali, apareceram nas ruas próximas: "As pessoas são de dois tipos: ou são seus irmãos na fé ou seus iguais em humanidade". Os dois líderes enfatizaram a importância da colaboração entre as comunidades religiosas e do fortalecimento dos valores de harmonia, coexistência pacífica e solidariedade humana. Francisco classificou o encontro como "inesquecível". Mohammad Ali Abtahi, vice-presidente durante a presidência de Khatami, chamou-o de "um dos pontos de virada históricos das religiões divinas".

A importância desse encontro deve ser compreendida em seu contexto geopolítico. A viagem de Francisco lançou luz sobre Najaf, a "cidade sagrada" xiita, e abriu uma nova e importante perspectiva para o diálogo intra-islâmico. O papa inseriu-se — e, ao fazê-lo, desmantelou — narrativas arraigadas que retratavam todas as grandes potências mundiais atuando naquele território.

A primeira narrativa a ser desconstruída retratava os cristãos como a quinta coluna do Ocidente, assim como retratava os xiitas como representantes do Irã e os sunitas como representantes da Arábia Saudita. A segunda foi a narrativa religiosa de um conflito permanente entre sunitas e xiitas: muitas pessoas descobriram, naquele momento, que o islamismo xiita é plural e que existe uma vertente tradicional — precisamente a vertente personificada por al-Sistani.

A terceira era a visão geopolítica alimentada pela ideologia apocalíptica, na qual os interesses do islamismo político — tanto sunita quanto xiita — se entrelaçam em detrimento da religião, instrumentalizando-a. A mensagem da visita a al-Sistani foi o reconhecimento pacífico de um islamismo "plural", pré-requisito para garantir a plena cidadania a todos.

Hoje, cinco anos após aquele encontro profético, o fogo voltou a devastar o Oriente Médio. E a voz do sucessor de Francisco, o Papa Leão XIV, se elevou com a urgência que o momento exige. No Ângelus de 1º de março, o segundo domingo da Quaresma, o Papa declarou: "Acompanho com profunda preocupação o que se desenrola no Oriente Médio e no Irã nestas horas dramáticas. A estabilidade e a paz não se constroem por meio de ameaças mútuas, nem por meio de armas, que semeiam destruição, sofrimento e morte, mas somente por meio de um diálogo racional, autêntico e responsável. Diante da possibilidade de uma tragédia de proporções enormes, faço um apelo sincero às partes envolvidas para que assumam a responsabilidade moral de deter a espiral de violência antes que ela se torne um abismo irreparável! Que a diplomacia reencontre seu papel e que o bem dos povos seja promovido — povos que anseiam por uma convivência pacífica fundada na justiça. E continuemos a rezar pela paz."

A linguagem é reveladora: este não é um apelo que se limita a lugares-comuns de moralidade, mas sim um que identifica uma responsabilidade específica — a de deter a espiral de violência antes que ela se torne um abismo irreparável.

Algumas horas depois, durante uma visita à comunidade paroquial da Ascensão, no bairro de Quarticciolo, em Roma, Leão XIV voltou a falar sobre a tragédia que se desenrolava: "Estou muito preocupado com o que está acontecendo no mundo, especialmente no Oriente Médio, ontem, hoje e não sabemos por quantos dias mais. Guerra, mais uma vez!"

E às crianças ali reunidas, ele recordou a tragédia de Gaza, "onde tantas crianças morreram, onde tantas crianças ficaram sem pais, sem escola, sem um lugar para morar". Essas palavras brotam da tradição de denúncia que, desde Francisco, caracteriza o magistério papal sobre o Oriente Médio — e que hoje assume uma urgência ainda mais dramática.

Qualquer reflexão séria sobre o presente não pode ignorar as questões mais radicais que este conflito levanta. A questão não é a defesa do regime iraniano e sua inegável brutalidade — da repressão ao Movimento Verde de 2009 à violenta repressão ao movimento "Mulher, Vida, Liberdade", das execuções sumárias à perseguição sistemática da dissidência. A questão é que esta guerra não é uma guerra entre as forças da justiça e as forças da opressão: ela é movida por cálculos políticos e pelos interesses do poder, e deixa para trás, sobretudo, civis inocentes — crianças, mulheres, idosos.

O que termina com Khamenei, e o que corre o risco de retornar em outras formas? Devemos levar seriamente em conta a tendência apocalíptica dentro da liderança khomeinista — uma visão do tempo moldada não pela linearidade, mas por colisões entre o bem e o mal, que devem se tornar cada vez mais violentas para apressar o dia da batalha final. A morte do líder supremo não anuncia automaticamente o alvorecer de uma nova era: o espectro do caos, da fragmentação e de uma possível guerra interna entre facções rivais do regime paira sobre um país que pode não possuir os recursos internos para uma transição pacífica.

O bispo Paolo Martinelli, vigário apostólico da Arábia Meridional, entrevistado enquanto mísseis iranianos atingiam Abu Dhabi e Dubai, ofereceu a perspectiva eclesial com a clareza que a situação exige: "Não creio que isto possa ser chamado de guerra contra o Islã. Há sempre o grande risco de instrumentalizar a religião para interesses partidários. Devemos continuar a promover o diálogo entre pessoas de diferentes crenças." Ele acrescentou um alerta que serve de bússola: "Devemos voltar a olhar para o bem dos povos. Olhar para o bem dos povos revela imediatamente a fragilidade dos confrontos e ameaças ideológicas."

O presidente Trump declarou que a guerra contra o Irã pode durar "de quatro a cinco semanas" e que tem "três excelentes opções" de candidatos para comandar o país após o assassinato de Khamenei — palavras que evocam os fantasmas de guerras anteriores, do Iraque ao Líbano, onde as promessas de uma resolução rápida e de mudança de regime invariavelmente se transformaram em décadas de caos e sofrimento.

Será que aprendemos alguma coisa com a guerra do Iraque, que ocorreu há pouco menos de duas décadas? Como Francisco escreveu na encíclica Fratelli tutti, "toda guerra deixa o mundo pior do que o encontrou". A guerra é o fracasso da política e da humanidade, uma vergonhosa capitulação diante das forças do mal. Escolher a paz não é sentimentalismo ingênuo: é sabedoria visionária.

O que a Santa Sé construiu ao longo destes anos — o encontro com Rouhani, a viagem a Najaf, o Documento sobre a Fraternidade Humana assinado em Abu Dhabi, o diálogo incansável com todas as partes — não se perdeu. É o património espiritual e diplomático sobre o qual a reconstrução será possível quando as armas silenciarem.

Como Leão XIV afirmou com veemência, o único caminho viável continua sendo o "diálogo razoável, autêntico e responsável". A única solução duradoura é a diplomática. Mas, para que a diplomacia recupere seu papel, os poderosos do mundo devem renunciar ao que Francisco certa vez chamou de tentação de "brincar com fogo, com mísseis e bombas, com armas que semeiam choro e morte, cobrindo nossa casa comum com cinzas e ódio".

O destino do Oriente Médio, e com ele o da paz mundial, será decidido nas próximas horas e dias. A oração que Leão XIV elevou da janela do Palácio Apostólico é também um programa político, no sentido mais elevado do termo: pôr fim à violência, restaurar a primazia da diplomacia e zelar pelo bem dos povos. É o mínimo que a história nos pede. Mas, num mundo que parece ter esquecido a linguagem da razão, é também o máximo a que podemos aspirar.

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