Quem é Jorge Rodríguez, o influente arquiteto do chavismo na Venezuela

Jorge Rodríguez | Foto: Gobierno Danilo Medina/Flickr

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09 Janeiro 2026

O irmão de Delcy Rodríguez exerce o cargo de presidente da Assembleia Nacional após ocupar vários postos, mas seus diversos papéis formais não explicam o papel que desempenha há anos no intrincado sistema de poder do chavismo.

 A informação é de Descifrando la Guerra, publicada por El Salto, 08-01-2025. 

No entanto, a estrutura chavista permanece intacta. Delcy Rodríguez ocupa agora o cargo máximo do país, mas o restante das principais figuras políticas e militares mantém suas posições, ao menos por enquanto. Nesse contexto, Jorge Rodríguez, irmão da presidente interina, ocupa um lugar singular.

Não é mais um político dentro do gabinete nem um funcionário intercambiável na rotação burocrática do chavismo. É, segundo coincidem inclusive vozes críticas dentro e fora do oficialismo, um dos cérebros centrais da administração e um operador político cuja gravitação ultrapassa amplamente sua investidura oficial.

Formalmente, Rodríguez exerce a presidência da Assembleia Nacional da Venezuela — cargo no qual foi reconduzido na segunda-feira, 5 de janeiro —, embora anteriormente tenha sido vice-presidente (2007-2008), prefeito de Libertador (2008-2017), ministro da Comunicação e Informação (2017-2020) e presidente do Conselho Nacional Eleitoral (2005-2006).

O arquiteto de Maduro

Seus diversos papéis formais não explicam o papel que, de fato, ele desempenha há anos no intrincado sistema de poder do chavismo. Durante o mandato de Nicolás Maduro, Jorge Rodríguez foi um dos assessores políticos que atuavam no círculo íntimo do ex-presidente. Era, de fato, um dos mais próximos e leais.

Esse vínculo lhe permitia projetar sua influência sobre áreas que não constavam de seu organograma formal: a negociação política, a gestão de crises institucionais, o comando da comunicação do Estado e o desenho de estratégias frente à oposição e às pressões externas, sobretudo dos Estados Unidos.

Ainda assim, o poder de Rodríguez nunca se apoiou em algo semelhante a uma base mobilizada própria ou “rodriguista”, como poderia ocorrer no caso de Diosdado Cabello, mas esteve mais ligado a seus laços com Maduro e, atualmente, com Delcy.

A família Rodríguez constitui outro elemento central para entender sua posição dentro do poder. Sua irmã, Delcy Rodríguez, atual presidente interina do país e ministra de Hidrocarbonetos — uma área-chave nos governos chavistas —, tem sido por anos uma das figuras de maior projeção internacional do regime, impulsionada pelo próprio Maduro e colocada reiteradamente em cargos de alta visibilidade política e diplomática.

Nesse contexto, Jorge Rodríguez tem sido apontado como um dos arquitetos da influência que, na prática, o chavismo exerce como movimento político sobre o poder eleitoral do Estado venezuelano.

Por sua vez, figura em listas de sancionados pelos Estados Unidos e é mencionado em relatórios internacionais, especialmente nos divulgados pela Casa Branca e, mais especificamente, pela Administração Donald Trump, que considera Rodríguez uma peça-chave no “núcleo duro” do agora detido Maduro.

Seus evidentes vínculos familiares com Delcy, bem como seu alinhamento ideológico com a presidente, indicam que Jorge manterá a influência política da qual desfruta há anos dentro do chavismo. Por ora, sua posição à frente da Assembleia Nacional será decisiva para renovar o mandato de sua irmã, que, segundo a Constituição da Venezuela, expira em 90 dias e pode ser prorrogado por outros 90 por decisão do Poder Legislativo.

Jorge Rodríguez frente aos EUA

Jorge Rodríguez tem sido uma das vozes mais críticas em relação aos Estados Unidos. Após as reiteradas acusações de Donald Trump contra Caracas — a quem acusou de ter “roubado” o petróleo norte-americano em solo venezuelano —, enviou uma mensagem a Washington nos seguintes termos:

“Os recursos petrolíferos que existam no mar, no território nacional, sob o leito do mar territorial, na zona econômica exclusiva e na plataforma continental pertencem à República Bolivariana da Venezuela. Essa intenção, confessada por Donald Trump e ratificada por Stephen Miller, e expressa de joelhos pela ‘genocida’ [María Corina] Machado, gerou tamanha indignação no povo da Venezuela que hoje, mais do que nunca, estamos prontos para defender nossa terra. O petróleo da Venezuela pertence às venezuelanas e aos venezuelanos.”

Jorge Rodríguez possui um longo histórico de discursos e declarações estridentes contra os diferentes governos dos Estados Unidos. Sem ir mais longe, foi a voz mais dura do chavismo nas semanas posteriores às eleições de julho de 2024, no contexto da contestação eleitoral por setores da oposição e pela própria Administração norte-americana, então liderada por Joe Biden.

Atualmente, embora assegure que seu principal objetivo será “trazer de volta Nicolás Maduro” — a quem chega a qualificar como “irmão” — e mantenha um tom crítico em relação a Washington, tudo indica que essa narrativa deve ser lida principalmente em chave interna. Na prática, posicionar-se-á a favor de construir pontes com a potência norte-americana para manter o chavismo no poder e evitar novos ataques militares contra o país.

Já antes de 3 de janeiro de 2026, em julho do ano passado, Rodríguez declarou o seguinte:

“Sempre negociamos com o Governo dos Estados Unidos da América […]. Quem vier em nome do Governo dos Estados Unidos, evidentemente […], nós recebemos e conversamos.”

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