Brasil vai explorar 19 campos de petróleo no Delta do Rio Amazonas

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18 Junho 2025

Euforia do governo Lula com o resultado de um leilão recorde, mas o petróleo corre o risco de contaminar as negociações climáticas da COP30, que o Brasil sediará em novembro.

A reportagem é de Joan Royo Gual, publicada por El País, 18-06-2025.

O Brasil concedeu na terça-feira a exploração de 19 campos de petróleo offshore no Delta do Rio Amazonas a um pequeno grupo de empresas petrolíferas. A concessão fez parte dos leilões realizados periodicamente pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), que disponibilizou 172 áreas ao mercado. O governo comemorou o resultado, enfatizando que o leilão "superou as expectativas" e representa um "recorde absoluto", pois aportará R$ 989 milhões (US$ 180 milhões) aos cofres públicos este ano, o dobro da previsão inicial. Além disso, espera-se que as empresas petrolíferas invistam R$ 1,45 bilhão por ano (mais de US$ 260 milhões) na extração do petróleo.

A euforia do comunicado do Ministério de Minas e Energia após a licitação contrasta com a indignação de ambientalistas e indígenas, que protestaram em frente ao hotel no Rio de Janeiro onde foi realizado o "Leilão do Juízo Final", como diziam algumas faixas. A possibilidade de exploração de petróleo na costa da Amazônia está em pauta há algum tempo, e o Brasil começou a se precipitar depois que a Guiana, não muito distante, descobriu uma fonte de petróleo que está revolucionando sua economia. A questão está causando tensão dentro do governo. A estatal Petrobras está pressionando para explorar petróleo na região, mas as licenças ambientais finais ainda estão pendentes. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou a dizer que o órgão que deve dar o sinal verde final estava "de bobagem".

O leilão de terça-feira demonstra que o governo continua firme na intenção de abrir uma nova fronteira petrolífera na costa norte do país, já que faltam poucos anos para que os poços da barragem, o petróleo escondido a milhares de metros de profundidade sob uma camada de sal na costa sudeste, sequem.

“Este resultado mostra que estamos no caminho certo […]. Sustentabilidade também significa desenvolvimento regional, combate à desigualdade e mais oportunidades para a população”, disse o Ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, após o leilão. No remoto estado amazônico do Amapá, um dos mais pobres do país, a classe política aguarda o petróleo como uma lufada de ar fresco. As jazidas na costa amazônica são apenas um exemplo; no total, as empresas apresentaram propostas para 34 blocos. Alguns deles ficam no interior, no estado do Mato Grosso, e ambientalistas alertam que, devido à proximidade, podem afetar seis terras indígenas.

A Petrobras (que tem o Estado como principal acionista) lidera grande parte das concessões concedidas neste leilão, juntamente com as empresas americanas Exxon e Chevron, e a chinesa CNPC, entre outras. O contrato será assinado em outubro, e outro leilão também será realizado naquele mês, poucos dias antes do Brasil sediar a cúpula do clima COP30, que, para piorar a situação, será realizada na cidade amazônica de Belém do Pará, não muito longe de onde esses futuros poços de petróleo serão localizados.

Para a porta-voz de Oceanos do Greenpeace Brasil, Mariana Andrade, é "incrível" que, em plena COP30, a estatal petrolífera continue querendo "cavar buracos na costa amazônica". "Em vez de expandir suas fronteiras petrolíferas, o Brasil deveria se concentrar em garantir uma estratégia coerente e um mandato social e político para se afastar dos combustíveis fósseis", enfatizou em um comunicado. De modo geral, ambientalistas lamentam que o argumento de empresas como a Petrobras, de que o dinheiro do petróleo financiará a transição energética, seja uma utopia, já que quase nenhum investimento é feito em energia renovável.

Lula quer transformar a COP30 em uma grande vitrine para posicionar o Brasil como líder mundial em diplomacia verde e certamente usará os resultados favoráveis ​​no combate ao desmatamento para se gabar perante a comunidade internacional. Na cúpula do G-7 desta semana, no Canadá, um de seus principais objetivos era garantir a presença do maior número possível de chefes de Estado na cúpula da Amazônia. Mas o evento climático tem tudo para ser uma bomba-relógio. Os protestos contra o grande leilão de petróleo também chegaram a Bonn, na Alemanha, onde uma reunião preparatória para a COP30 está sendo realizada atualmente. Os manifestantes carregavam faixas com a frase "Liderança climática não se constrói com petróleo", uma clara alusão a Lula.

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