09 Janeiro 2025
- O arcebispado se distancia da organização dessas iniciativas e de qualquer empresa privada que as realize. Ao mesmo tempo, lembra que as terapias já foram rejeitadas pela Santa Sé, que instou em 2021 a não apoiar, participar ou recomendar esses tratamentos.
- Madri junta-se a Barcelona, que já reiterou o seu desacordo com estas terapias, enquanto Valência garante que a diocese não está neste tipo de prática. No entanto, de Getafe os encontros são admitidos como testemunhos de aproximação à fé de pessoas que antes não eram católicas.
- Após a publicação deste artigo, a Diocese de Getafe emitiu uma declaração em uma frase: "Como resultado das recentes informações publicadas, a Diocese de Getafe reitera e sublinha sua rejeição às terapias de conversão para pessoas homossexuais".
A reportagem é de Jesús Bastante, publicada por Religión Digital, 08-01-2024.
"Nenhuma permissão foi dada para terapias de conversão." O Arcebispado de Madri é veementemente contra essa prática, após a denúncia apresentada em 30 de dezembro ao Ministério da Igualdade pela Associação Espanhola Contra as Terapias de Conversão, e que afeta as terapias de conversão para homossexuais organizadas pela Media Salud Comunicación e pela Fundação Nova Evangelização para o século 21, sete dioceses, incluindo a da capital, e vários de seus padres. Entre eles está Jesús Silva, pároco de San Pedro Claver, onde, de acordo com uma carta de 94 páginas, proferiu uma palestra endossando essa prática em 23-06-2023.
"Em relação às terapias para pessoas homossexuais, o Arcebispado de Madri insiste que a permissão não foi dada para eles", afirma a diocese, em resposta a perguntas do Relilgión Digital. Nesse ponto, a diocese está alinhada com Amoris Laetitia e, em seu projeto pastoral, "contempla o acompanhamento de pessoas com orientação sexual diversa e suas famílias entre suas ações pastorais".
Por isso, "o arcebispado se distancia da organização dessas iniciativas e de qualquer empresa privada que as realize". Ao mesmo tempo, lembra que "as terapias já foram rejeitadas pela Santa Sé, que instou em 2021 a não apoiar, participar ou recomendar esses tratamentos".
Omella e Cobo, contra: Getafe?
Uma posição, a de Madri, que se soma à já estabelecida pelo cardeal Omella em Barcelona, que indicou há poucos dias seu "desacordo com essas terapias de conversão, especialmente aquelas que podem ter sido organizadas em território diocesano".
Por sua vez, o Arcebispado de Barcelona "se distancia da organização dessas iniciativas que supostamente estão vinculadas a duas empresas privadas que não têm vínculo com a arquidiocese de Barcelona", embora admita que "recentemente o Papa Francisco reiterou sua preocupação com essas práticas em um encontro com um grupo de prelados".
Da mesma forma, consultada pelo Religión Digital, a diocese de Valência, outra das envolvidas na denúncia, sublinha que "não endossa neste tipo de prática". No entanto, fontes da diocese de Getafe consultadas pela Cadena SER reconheceram a realização de dois eventos (nos quais participou o ex-diretor de Comunicação, Julián Lozano), mas negaram categoricamente que fossem terapias de conversão porque, por exemplo, "não houve acompanhamento". Além disso, eles garantem que "eram apenas testemunhos de aproximação à fé de pessoas que antes não eram católicas".
Após a publicação desse artigo, a diocese de Getafe emitiu uma declaração, em uma frase: "Como resultado das recentes informações publicadas, a diocese de Getafe reitera e sublinha sua rejeição às terapias de conversão para pessoas homossexuais".
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