Papa no Cazaquistão, esperanças e problemas

Nur-Sultan, Cazaquistão. (Foto: Ilya Varlamov | Wikimedia Commons)

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09 Agosto 2022

 

Que preço o papa está disposto a pagar, encontrando-se com o patriarca de Moscou Kirill no Cazaquistão? A raiz do questionamento é se e como poderia ser possível que o chefe da Igreja Católica Romana e aquele da Igreja Russa encontrem um ponto de vista compartilhado sobre a guerra na Ucrânia. Um tema que, até agora, os viu em posições irreconciliáveis.

 

A reportagem é de Luigi Sandri, publicada por L'Adige, 08-08-2022. A tradução é de Luisa Rabolini.

 

As conjecturas, que já duram meses, aumentaram depois que, três dias atrás, Francisco recebeu em audiência o metropolita Antonij de Volokolamsk, presidente do Departamento de Relações Exteriores do Patriarcado de Moscou, na prática seu novo "ministro das Relações Exteriores". De fato, o antecessor, o metropolita Hilarion, no início de junho foi subitamente "demitido" de um cargo que desempenhava desde 2009 e transferido para Budapeste, para liderar os magiares ortodoxos ligados à Igreja Russa. Por que tal demissão? Não houve explicações oficiais: a mais citada pelos observadores é que ele havia levantado algumas dúvidas sobre a adequação e a moralidade da "operação militar especial" lançada contra a Ucrânia pelo chefe do Kremlin, Vladimir Putin, sempre totalmente apoiado por Kirill.

 

Em meados de setembro, o papa estará em Nur-Sultan (Astana) por três dias, onde, sob a alta proteção do presidente cazaque Kasym Jomart Tokayev, se realizará um simpósio sobre o diálogo inter-religioso. Nesse contexto - esta é a hipótese - ele deverá se encontrar com o patriarca russo pela segunda vez, após sua primeira "cúpula" em Cuba em 2016.

 

Mas, após o início, em 24 de fevereiro, da "operação especial", enquanto o papa fez uma avaliação negativa muito severa daquela agressão, Kirill a abençoou; levando Francisco a defini-lo publicamente como "coroinha de Putin" e a cancelar um encontro com ele em Jerusalém em 14 de junho. Nesse contexto, o que os dois dirão sobre a Ucrânia se se encontrarem no Cazaquistão? E por ocasião daquele simpósio, o papa verá Putin? E ele também visitará Kiev e Moscou, ou as peregrinações à Ucrânia e à Rússia serão, se acontecerem, separadas? As certezas são poucas, as perguntas numerosas, e difícil a possibilidade de Francisco e Kirill assinarem juntos um documento sobre a paz, a menos que seja tão aguado que não toque nos nós dramaticamente controversos: mas, se for assim, seria realmente embaraçoso para a Santa Sé.

 

Por outro lado, Moscou - o Kremlin e o patriarcado - nunca concordará em ver condenada a agressão russa contra a Ucrânia. Então? As partes em questão têm pouco mais de dois meses para aparar as arestas para um dos textos mais espinhosos que a Rússia e o Vaticano jamais teve que enfrentar. Sempre, obviamente, que os encontros "de cúpula" de que estamos falando - nunca confirmados oficialmente – efetivamente aconteçam.

 

Enquanto isso, o pontífice saudou ontem "com satisfação a saída dos portos da Ucrânia dos primeiros navios carregados de cereais", considerando o evento uma luz para a paz.

 

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