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18 Mai 2022

 

"Se o coração da Europa se comove por esta tragédia determinada de maneira criminal e estúpida por Putin, seu cérebro será capaz de reagir com ideias adequadas à catástrofe?", pergunta Alberto Leiss, jornalista italiano, em artigo publicado por il manifesto, 17-05-2022. A tradução é de Luisa Rabolini

 

Eis o artigo. 

 

Uma guerra “no coração da Europa”. Quando leio ou escuto essa expressão, tenho dois sentimentos. Tenho mais medo de uma carnificina tão "próxima", não tanto geograficamente (Líbia, Síria, Israel, Líbano etc. não são muito mais distantes) quanto espiritualmente. Sim, é um conflito que afunda seus horrores em nosso espírito, nutrido pelos livros de Tolstoi ou Babel, pelas ideias de Kant ou pelas de Habermas, que se questionou sobre aonde nos levará uma guerra que não pode ser perdida nem pela Ucrânia agredida, nem por uma potência nuclear como a Rússia.

 

Outro sentimento questiona: como bate o coração da Europa? Acolhemos com espírito generoso aquele que fogem de Kiev, mas os navios carregados de outros seres humanos que fogem de outros horrores ficam dias e dias no mar. Pagamos há anos o gás russo que financia Putin, mas também o "tirano" Erdogan para que mantenha alguns milhões de refugiados sírios...

 

Se o coração da Europa se comove por esta tragédia determinada de maneira criminal e estúpida por Putin, seu cérebro será capaz de reagir com ideias adequadas à catástrofe? O patriotismo que se rebela, eu o entendo muito bem. Algumas noites atrás, convidado por um programa de TV, o intelectual agora muito suspeito Massimo Cacciari disse em voz baixa algo muito humano: há algo de "indecente" em discutir sobre a guerra e a paz, o uso das armas, a OTAN etc. com aqueles que ao mesmo tempo estão sendo bombardeados.

 

É menos indecente perguntarmo-nos, precisamente, sobre como os nossos corações e cérebros, estarrecidos com as imagens diárias da Ucrânia, saberão orientar-se no modo mais justo (mesmo que a verdadeira justiça não seja deste mundo). Um primeiro aspecto: a guerra já é mundial. Lucio Caracciolo diz isso no Espresso: o confronto entre os “grandes”, Rússia, EUA, China, está aberto na Ucrânia, mas também em outros cenários continentais, da África ao Pacífico ao Oriente Médio. "O retorno ao princípio da realidade - conclui o diretor de Limes - é a premissa da paz".

 

A realidade do mundo foi citada em poucos números por Sergio Fabbrini em il Sole24 ore: os países que podem ser definidos de alguma forma como democráticos e liberais diminuíram em poucos anos de 42 para 34, enquanto os países autoritários crescem e abrigam 70% da população mundial (5,4 bilhões de pessoas). Sem falar que as tendências autoritárias também se fortalecem dentro dos países democráticos.

 

Nessa situação, tem um sentido realista a "paixão" por uma nova guerra muito pouco fria entre "democracias" e "autocracias"? O que pensa disso a ainda não "grande" Europa? Não seria justo perguntar-se seriamente por que a democracia liberal tem tão pouco apelo?

 

Talvez porque a vantagem de uma maior liberdade individual e política seja acompanhada de formas cada vez mais graves de injustiças econômicas e sociais? Por que um sistema econômico baseado na competição desenfreada e no egoísmo produz mal-estar individual e coletivo, guerras e destruição ambiental? Há algo que percebo como obscuro e perigoso mesmo no espírito do Ocidente. Mostra isso para mim a foto de página inteira no Foglio deste fim de semana, com a primeira-ministra finlandesa Sanna Marin sorridente, definida como uma “arma letal contra Putin”.

 

O diretor Claudio Cerasa gosta de mulheres no governo comprometidas com a OTAN e com a guerra. Eu entendo, mesmo que duvide que seja a escolha certa, a reação de quem tem um vizinho perturbador como Putin. Entendo menos que um homem não se questione sobre o "bullying" - palavra dele - bélico internacional que principalmente nós, homens, insistimos em reproduzir. Inclusive fixando nosso olhar apenas nas mulheres que tranquilizam os nossos corações e cérebros perturbados.

 

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