"Guerra preparada há tempo com os comércios de armas", constata o Papa Francisco

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04 Abril 2022

 

O Papa Francisco de repente desmente todas as indiscrições, mesmo aquelas russas e ucranianas, das últimas semanas. “Minha visita a Kiev está na mesa”, revelou Bergoglio no avião que o levou a Malta para uma viagem de dois dias. É a primeira vez que se fala, ainda mais pela voz mais autorizada, de uma confirmação de que o Papa levou realmente a sério o convite do prefeito de Kiev, Vitaliy Klitschko, para ir o mais breve possível à capital ucraniana na tentativa de colocar um fim da guerra em curso. Uma visita contestada pelo Kremlin que várias vezes, através dos canais diplomáticos, manifestou sua firme oposição, abandonando também a oferta de mediação que a Santa Sé, do Papa ao cardeal secretário de Estado, Pietro Parolin, expressou várias vezes. Mas a oposição à presença de Francisco em Kiev também foi expressa por franjas da Igreja Ortodoxa Ucraniana, bastante fragmentada internamente e recém saída do cisma com aquela russa.

 

A reportagem é de Francesco A. Grana, publicada por Il Fatto Quotidiano, 03-04-2022. A tradução é de Luisa Rabolini.

 

“Acreditamos - escreveu Klitschko ao Pontífice - que a presença pessoal dos líderes religiosos mundiais em Kiev possa ser a chave para salvar vidas, abrindo o caminho para a paz em nossa cidade, em nosso país e além. Oferecemos nossa ajuda em tudo que Sua Santidade possa precisar”. E acrescentou: "Recorremos a você, como líder espiritual, para mostrar sua compaixão, para estar com o povo ucraniano, divulgando juntos o apelo pela paz". A visita do Papa tem o pleno apoio do presidente ucraniano Volodymyr Zelensky, que teve numerosos contatos com Francisco durante a guerra em curso: "O papel de mediação da Santa Sé para pôr um fim ao sofrimento humano seria bem recebida". O tema da guerra na Ucrânia também está fortemente presente na visita de Bergoglio a Malta.

 

Encontrando-se com as autoridades do país, o Papa destacou que “hoje é muito difícil pensar com a lógica da paz. Acostumamo-nos a pensar com a lógica da guerra. Daqui começa a soprar o vento gélido da guerra, que mais uma vez foi alimentado ao longo dos anos. Sim, a guerra vem se preparando há tempo com grandes investimentos e negócios de armas. E é triste ver como o entusiasmo pela paz, que surgiu após a Segunda Guerra Mundial, foi se desvanecendo nas últimas décadas, assim como o caminho da comunidade internacional, com poucos poderosos que avançam por conta própria, em busca de espaços e zonas de influência". Francisco então acrescentou o que parece ser uma referência implícita a Putin, não citado diretamente. Uma dura crítica que desmente as acusações recebidas pelo pontífice nestas semanas de guerra: "Enquanto mais uma vez algum poderoso, tristemente preso às anacrônicas pretensões de interesses nacionalistas, provoca e fomenta conflitos, as pessoas comuns sentem a necessidade de construir um futuro que, ou será juntos, ou não será".

 

O Papa também falou de "agressividade infantil": "Infelizmente, aquele 'infantilismo' não desapareceu.

 

Reaparece com prepotência nas seduções da autocracia, nos novos imperialismos, na agressividade generalizada, na incapacidade de construir pontes e partir dos mais pobres”.

 

A bênção da guerra na Ucrânia pelo patriarca ortodoxo russo Kirill, de acordo com o que havia afirmado o Cardeal Parolin, havia afastado a possibilidade de um novo encontro cara a cara, depois daquele de Havana em 2016, com o Papa. De Moscou, porém, chegou o sinal de que o encontro, no qual se estava trabalhando há tempo, poderia ocorrer no verão de 2022. Uma costura, aquela entre Bergoglio e Kirill, depois da conversa que os dois tiveram por videoconferência após o Patriarca ter abraçado totalmente a linha do presidente russo Vladimir Putin. Francisco foi imediatamente muito claro com Kirill afirmando que “no passado também se falava em nossas Igrejas de guerra santa ou guerra justa. Hoje não se pode mais falar assim. Desenvolveu-se a consciência cristã da importância da paz”.

 

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