O livro que o papa Francisco indicou ao primeiro-ministro espanhol Pedro Sánchez

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27 Outubro 2020

Em seu discurso improvisado, o papa Francisco recomendou a Pedro Sánchez, chefe de governo espanhol, uma leitura contra nacionalismos e ideologias.

A reportagem é publicada por Religión Digital, 26-10-2020. A tradução é de Wagner Fernandes de Azevedo.

O papa Francisco aconselhou a Pedro Sánchez e sua delegação a leitura de um livro de um intelectual comunista para entender o mundo presente.

“O livro é intitulado ‘Síndrome 1933’, escrito por um intelectual italiano que era do Partido Comunista. Refere-se à Alemanha e à ideologia nazista”, disse o Papa ao se referir ao livro de Siegmund Ginzberg.

Depois de ter recebido o socialista Sánchez por meia hora em sua biblioteca privada do palácio apostólico, o Papa argentino, em um gesto sem precedentes durante uma visita de um chefe de governo, falou por oito minutos diante de toda a delegação. Sentado, ao que parece improvisando porque não tinha algum papel nas mãos, pronunciou um discurso que foi gravado e distribuído como vídeo pela Sala de Imprensa do Vaticano.

Com tom sério, em um clima muito respeitoso e ainda laico, o Papa enviou uma espécie de mensagem à Espanha sobre os perigos do nacionalismo e das ideologias, tema do livro. “As ideologias são sectárias, as ideologias desconstroem a pátria, não constroem. É preciso aprender isso com a história. Neste livro o autor, com muita delicadeza, faz uma comparação com o que está ocorrendo na Europa: ‘cuidado que estamos fazendo um caminho parecido’. Vale a pena ler”, explica.

Ginzberg, nascido na Turquia em 1948, no seio de uma família judia que chegou a Milão na década de 1950, foi um dos históricos escritores do jornal do partido comunista italiano, “L’Unità”, para o qual trabalhou durante muito tempo como correspondente na China, Índia, Japão, Coreia do Norte e do Sul, assim como em Nova York, Washington e Paris.

O ensaio de Ginzberg, lançado no ano passado pela editora Feltrinelli, reconstrói com detalhes a conquista do poder por parte do nazismo e o desmoronamento de todas as demais forças políticas e sociais.

“O Império de Weimar desmoronado começou uma salada de possibilidades para sair da crise. Aí começou uma ideologia, o caminho do nazismo, e seguiu até chegar ao que conhecemos: ao drama da Europa com essa pátria inventada por uma ideologia”, resume o Papa que também encontra similitudes entre essa Europa e a dos nossos dias.

“Uma campanha eleitoral permanente, um partido que não é nem de direita, nem de esquerda, mas ‘do povo’, um contrato de governo improvável, a grande voz que silencia os jornais, o ódio que penetra no discurso público, as acusações contra os técnicos. Manejo pérfido das finanças, com endividamento pedagógico e irresponsável”, resume a contracapa do livro sobre os anos 1930.

“São as mesmas analogias que ameaçam o presente e se corre o risco de que apareça perigosamente um passado que acreditávamos ter deixado para trás. Quando Hitler tornou-se chanceler do Reich em 1933”, explica o ensaio.

“Um déjà vu ameaçador pode nos ajudar a entender para onde vamos e talvez, não cometer os mesmos erros”, adverte o autor, cujo livro foi elogiado por sua extensa bibliografia e sua capacidade de síntese e escrita.

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