Religiosas e abusos: consciência crescente

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16 Setembro 2020

Uma das instituições eclesiais católicas alemãs mais comprometidas em ajudar as missões, Missio (Aachen), publicou um primeiro levantamento de dados sobre a sensibilidade das estruturas e organizações católicas com a qual tem relações em todo o mundo sobre o problema dos abusos contra as freiras.

Não se trata de uma pesquisa quantitativa, mas o resultado de um levantamento feito com organizações para saber o quanto o problema é percebido.

O comentário é de Lorenzo Prezzi, teólogo italiano e padre dehoniano, publicado por Settimana News, 15-09-2020. A tradução é de Luisa Rabolini.

Ásia e África

O questionário foi enviado a 38 organizações que operam na África, Ásia e Oceania. 14 responderam, mas o questionário foi por sua vez relançado e as respostas globais foram 101. 69 das respostas recebidas atribuem uma importância elevada ou muito elevada ao tema e testemunham como a sensibilidade esteja crescendo e os casos não são poucos e marginais.

A intenção da Missio é criar uma rede de apoio às irmãs vítimas em nível internacional, financiando projetos de formação e terapêuticos para as emergências.

Os países com maior número de respostas foram a Índia e Camarões, mas com presença significativa também em outros estados (10 na África e 8 na Ásia). Enquanto apenas uma resposta veio da Oceania e, portanto, não permitiu que fosse integrada ao estudo. 48% das respostas africanas reconheceram o tema como sendo de alta ou muito alta importância, enquanto, do lado asiático, a resposta atingiu 75%. Como está escrito em uma resposta: "Quando você pode ver a parte emergente de um iceberg, significa que a parte subaquática é muito grande".

Ainda muito por fazer

A reação eclesial ainda é percebida como insuficiente porque os abusos são marcados por tabus e encobrimentos, com pouca colaboração entre as instituições eclesiais e uma consciência ainda fraca. Para algumas organizações ainda não houve nenhuma denúncia sobre o assunto.

Da África: “Ainda não foi feito nada para resolver um problema que é considerado um tabu. Lamento que os padres que cometeram esses abusos não sejam sancionados pelos responsáveis, mas simplesmente transferidos para outra paróquia”. “Depois de um abuso em um convento, enviamos uma carta a todas as autoridades envolvidas, mas não houve nenhum aviso de recebimento”.

Na Ásia: “Em geral, o problema é escondido debaixo do tapete e a vítima enfrenta o peso sozinha. Os bispos têm medo de enfrentar o assunto”. "A vítima deve recorrer à superiora local e maior de sua congregação, mas muitas vezes a tendência entre as religiosas é suprimir o problema ... e a vítima é transferida em vez de agir contra o autor do abuso.

Os perigos: poder e clericalismo

“Todas as congregações religiosas deveriam organizar seminários para suas irmãs, a fim de garantir que estejam cientes de seus direitos pessoais e humanos. Na realidade, foram organizados workshops em nível nacional e regional”. Diretrizes sobre os abusos estão começando a circular entre as congregações e estão sendo abertos centros de aconselhamento e apoio.

Sobre os motivos que facilitam as violências, muita ênfase é colocada sobre as estruturas de poder e sobre o clericalismo. “As pessoas tendem a apoiar o padre porque o consideram acima de qualquer suspeita. A moralidade da vítima é posta em discussão”. "As freiras são colocadas entre os degraus mais baixos da hierarquia e isso as torna mais vulneráveis aos abusos sexuais".

Uma segunda razão é o medo e a vergonha da vítima: “Muitas vezes a vítima é acusada de sedução. O que significa perder a confiança para contar o que aconteceu”. “A maioria dos eventos é escondida. As mulheres se envergonham e os predadores clericais continuam ativos”.

Mas existem outros motivos: a inferioridade cultural da mulher, a estigmatização das vítimas, a manipulação do senso de pertença, a negação, o escasso apoio das hierarquias, a dependência econômica.

As forças mais ativas em termos de resistência aos abusos e às denúncias são as organizações eclesiais, as ordens e as congregações e, só depois, as dioceses e os poderes seculares.

“É importante antes de tudo que as vítimas de abusos sejam acreditadas e apoiadas pelas superioras e autoridades da Igreja”, que os “atores” sejam processados e penalizados, que exista um apoio psicológico e uma vasta campanha de sensibilização. Além de uma proteção física.

Do lado positivo, é necessário melhorar a formação e a competência das irmãs, a elaboração de códigos de conduta claros, uma nova consciência entre sacerdotes e seminaristas e o reconhecimento da igualdade de oportunidades na Igreja. Espera-se um ambiente seguro para as irmãs e condições de trabalho claras e de sustentação econômica.

Denúncias e mecanismos administrativos relacionados deveriam ser facilitados para punir os infratores: “Os abusadores devem ser desafiados e acusados, sejam eles quem forem. Os agressores precisam saber que terão que enfrentar as censuras canônicas e do direito civil.

Essas são algumas das indicações contidas no relatório da Missio que vão envolver os futuros investimentos da organização caritativa e as colaborações entre as Igrejas.

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