Uma morte pelo coronavírus a cada 1 minuto e 40 segundos no Brasil

Foto: Vatican News

Mais Lidos

  • Lula, sua última eleição e seus demônios. Artigo de Antonio Martins

    LER MAIS
  • Vozes de Emaús: Movimento Fé e Política faz história. Artigo de Frei Betto e Claudio Ribeiro

    LER MAIS
  • Parte do Sul Global, incluindo o Brasil, defende que países desenvolvidos abandonem os combustíveis fósseis primeiro. Para Martí Orta, não há espaço para ritmos nacionais distintos na eliminação de petróleo, gás e carvão. O pesquisador afirma que a abertura de novos projetos de exploração ignora os limites definidos pela ciência

    Cancelar contratos fósseis. Não ‘há tempo’ para transição em diferentes velocidades. Entrevista com Martí Orta

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

14 Mai 2020

"O ritmo da pandemia no Brasil cresce cerca de três vezes mais rápido do que a média mundial e também cerca de 3 vezes o ritmo dos Estados Unidos. Assim, o país caminha para ultrapassar os países europeus que estão no topo do ranking global e deve ocupar o 2º lugar até o início do mês de junho. Mas se nada for feito para evitar o pior, o Brasil pode se tornar o líder mundial desta triste estatística de casos e mortes da covid-19", escreve José Eustáquio Diniz Alves, doutor em demografia e professor titular do mestrado e doutorado em População, Território e Estatísticas Públicas da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE/IBGE, em artigo publicado por EcoDebate, 13-05-2020.

Eis o artigo.

O Brasil bateu um triste recorde, no dia 12 de maio de 2020, com o registro de 881 mortes pela covid-19 em 24 horas (fora as subnotificações). Isto significa 37 mortes por hora ou 1 morte a cada 1 minuto e 40 segundos.

Ainda no dia 12/05, o número de novas pessoas infectadas foi de 9.258 em 24 horas. Isto representa 386 pessoas infectadas por hora e mais de 6 pessoas infectadas por minuto, como pode ser visto no gráfico abaixo.

O mundo atingiu 4,3 milhões de casos e 292,5 mil mortes, com uma taxa de letalidade de 6,7% no dia 12/05. O Brasil atingiu 177.589 casos (4,1% do total global) e 12.400 mortes (4,2% do total), com uma taxa de letalidade de 7%.

Nos 12 primeiros dias de maio, o número de casos no mundo cresceu a 2,1% ao dia e o número de mortes cresceu a 1,9% ao dia. No Brasil, no mesmo período, os casos cresceram a 6,4% ao dia e as mortes cresceram a 6,3% ao dia. Portanto, a pandemia no Brasil se expande a uma taxa 3 vezes maior do que a média mundial.

Número diário de casos e de mortes pela Covid-19 no Brasil. (Fonte: Ministério da Saúde)

No início da pandemia, os casos estavam concentrados, principalmente, nas capitais de São Paulo e do Rio de Janeiro. O gráfico abaixo mostra que, no dia 01 de abril, cerca de 50% dos casos estavam nas duas maiores cidades do país e a outra metade dos casos estava no restante do país, especialmente em algumas capitais do Norte e Nordeste. Mas no dia 11 de maio, o percentual dos casos nas duas megalópoles brasileiras estava em 22,8% e no restante do país estava em 77,2%. Portanto, a epidemia do novo coronavírus não somente se expandiu, como também se espalhou pelo território nacional.

Distribuição percentual entre o número de casos Covid-19. (Fonte: Ministério da Saúde)

A figura abaixo, retirada do boletim epidemiológico do Ministério da Saúde, mostra como a epidemia do coronavírus já se encontra em todas as Unidades da Federação e já chegou ao litoral e ao interior. O mapa da esquerda mostra a distribuição espacial do número de casos pelos municípios do país e o mapa da direita mostra a distribuição das mortes.

A epidemia do novo coronavírus se espalha pelo Brasil. (Fonte: Ministério da Saúde)

O ritmo da pandemia no Brasil cresce cerca de três vezes mais rápido do que a média mundial e também cerca de 3 vezes o ritmo dos Estados Unidos. Assim, o país caminha para ultrapassar os países europeus que estão no topo do ranking global e deve ocupar o 2º lugar até o início do mês de junho. Mas se nada for feito para evitar o pior, o Brasil pode se tornar o líder mundial desta triste estatística de casos e mortes da covid-19, ultrapassando, até mesmo os EUA.

 

Leia mais