Contra a leucemia, um fármaco só para os ricos. A Novartis não cede no preço

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14 Dezembro 2017

O Ceo Reinhardt defende o Kymriah, que custa 400 mil euros. Mas para o oncologista Cavalli "o custo deve ser multiplicado por três porque, para ser eficaz, requer que os pacientes sejam submetidos a uma série de tratamentos colaterais, que são bastante caros".

A reportagem é de Franco Zantonelli, publicada por Repubblica, 13-12-2017. A tradução é de Luisa Rabolini.

Se quase meio milhão para uma terapia anticâncer pode nos parecer um absurdo, é porque ainda não ouvimos falar do Kymriah, a mais recente descoberta na luta contra a leucemia. Seu custo é de 475.000 francos, ou pouco mais de 400.000 euros. Desenvolvido por um pesquisador da Universidade da Pensilvânia, é um produto da suíça Novartis.

O presidente do conselho de administração da empresa, Jörg Reinhardt, para rebater as acusações de fármaco apenas para os ricos que desabaram sobre o Kymriah, defendeu o medicamento em uma entrevista no jornal Blick de Zurique. "Primeiramente - disse - estamos falando de um tratamento único, enquanto as terapias convencionais chegam a custar 100.000 francos por ano e podem tornar-se muito mais caras".

"O Kymriah - acrescentou o número um da Novartis - não é simplesmente um comprimido, mas um processo altamente complexo". "É feita uma coleta de células do paciente – ele explicou – que são geneticamente modificadas, a nível terapêutico, e depois novamente reimplantadas".

O oncologista suíço de renome internacional Franco Cavalli, objetou: "É verdade que o Kymriah é uma nova metodologia. Contudo, a única doença contra a qual mostrou eficácia é a leucemia em crianças", explicou Cavalli, que por muitos anos colaborou com Umberto Veronesi, contesta sem meias palavras os dados sobre o custo do produto da Novartis. "Deve ser multiplicado por três porque, para ser eficaz, requer que os pacientes sejam submetidos a uma série de tratamentos colaterais, que são bastante caros."

"Na realidade - acrescenta Cavalli – estamos diante do enésimo exemplo de fármacos que se tornam impagáveis. É uma situação insustentável, contra a qual, em todo o mundo, muitos oncologistas estão se manifestando". "Se considerarmos – explicou o oncologista suíço - que indústria farmacêutica tem uma margem de lucro de 25%, veremos que o custo de Kymriah poderia ser muito menor".

A esse respeito, deve-se dizer que, diante de um volume de negócios de 48,5 bilhões de dólares, em 2016, a Novartis registrou um lucro líquido de 6,7 bilhões. Uma queda de 5% devido à concorrência dos genéricos. Quanto ao Kymriah, por enquanto, não é prevista sua distribuição na Itália, porque os centros para a extração dos glóbulos brancos, sua manipulação e o sucessivo reimplante estão todos localizados nos Estados Unidos.

Que o Kymriah seja um medicamento exclusivo foi dado a entender pelo próprio presidente da Novartis, afirmando que, até ao momento, estão previstos 600 tratamentos por ano. E, certamente, nenhum sistema de saúde nacional poderá assumir o luxo de financiá-los. Enquanto isso, a que é considerada a primeira terapia gênica antileucêmica, recebeu a luz verde da Food and Drug Administration estadunidense. Nos Estados Unidos foram realizados, inclusive, alguns testes em pacientes jovens. Em 83% dos casos foi registrada a remissão da doença. Em suma, será só para os ricos, mas funciona.

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