Após protestos de estudantes secundaristas no Paraguai, ministra de Educação renuncia

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06 Mai 2016

A ministra de Educação e Cultura do Paraguai, Marta Lafuente, renunciou nesta quinta-feira (05/05), dois dias depois do início dos protestos estudantis que reivindicavam sua saída do governo e melhorias para o setor.

“Vou com a honra intacta e por respeito ao presidente [Horácio Cartes], me coloco de lado; missão cumprida”, informou aos jornalistas em uma coletiva de imprensa.

A reportagem foi publicada por Opera Mundi, 05-05-2016.

Desde terça-feira (03/05), estudantes secundaristas de escolas públicas ocuparam suas instituições de ensino e realizaram marchas em Assunção e em diversas cidades do Paraguai.

Segundo a agência de notícias Associated Press, 72 instituições foram ocupadas, e alunos de outras 600 escolas se mobilizaram em apoio ao movimento.

Os estudantes afirmam que o Ministério da Educação e Cultura não cumpriu os compromissos firmados depois de protestos realizados no ano passado, que incluíam entrega de livros e refeições gratuitas e a melhoria na infraestrutura das escolas.

Lafuente também enfrentava críticas por seu suposto envolvimento em denúncias de superfaturamento na licitação para compra de água e alimentos, que são negadas pela agora ex-ministra.

O Ministério de Educação e Cultura alega falta de recursos para a compra de material didático e argumenta que a responsabilidade sobre as refeições está com os departamentos e municípios.

Protestos continuam

Após a renúncia de Lafuente, os estudantes realizaram uma entrevista coletiva à imprensa paraguaia em que reivindicaram uma reunião com o presidente paraguaio, Horácio Cartes, para apresentar suas demandas.

Segundo os secundaristas, a renúncia da ministra é apenas o “primeiro” passo para mudanças na educação do Paraguai. Mais do que a figura de um novo ministro, o fundamental para eles é uma mudança estrutural no Ministério. "Entendemos que com este sistema nenhum ministro será capaz de operar bem", declararam durante a entrevista.

Eles disseram também que manterão os protestos e as ocupações até que suas pautas sejam atendidas e se comprometeram a repor as aulas perdidas durante as férias de inverno, em julho. "Estamos conscientes que esta mobilização prejudica o já pouco ensino que este sistema precário nos oferece", afirmaram.

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