A Europa e os refugiados: é preciso um Sínodo ecumênico dos cristãos europeus. Artigo de Andrea Riccardi

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18 Abril 2016

As Igrejas não podem ficar prisioneiras das lógicas institucionais ou das políticas dos seus países, sem uma visão do futuro. Pergunto-me se este não é o momento para uma convocação dos cristãos europeus (ecumênica e rápida), um Sínodo ecumênico, que aborde a grande questão dos refugiados e a Europa. O papa pode convocá-lo. E, com ele, o Patriarca Bartolomeu.

A opinião é do historiador italiano Andrea Riccardi, fundador da Comunidade de Santo Egídio e ex-ministro italiano, em artigo publicado na revista Famiglia Cristiana, n. 16, de 2016. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

Lesbos é o nome de um drama: os refugiados chegam às ilhas gregas para fugir da guerra. O caso mais conhecido é a Síria, cujos refugiados migraram para o Líbano, a Turquia e a Jordânia. A Grécia é o primeiro porto para quem vai para a Europa.

Em Lesbos, dos 90 mil habitantes, existem entre 7 a 10 mil refugiados. A Grécia – é preciso dizer –, apesar da crise, é generosa para com eles. O governo faz a sua parte. Muito ativa na acolhida é a Igreja Ortodoxa Grega, liderada pelo arcebispo de Atenas, Hieronymos II, com uma obra coordenada pelo Metropolita Gabriel.

O Papa Francisco, em setembro de 2015, pediu que cada paróquia europeia acolhesse os refugiados. O apelo não teve a resposta que merecia. Ainda em setembro, em uma mensagem ao Encontro no Espírito de Assis, em Tirana, o papa dissera: "É violência também levantar muros para bloquear aqueles que buscam um lugar de paz. É violência rejeitar aqueles que fogem de condições desumanas".

Agora, Francisco dá um passo muito forte. Vai para Lesbos no dia 16 de abril. Acompanham-no o arcebispo de Atenas e as autoridades gregas. Há também o Patriarca Ecumênico Bartolomeu, que tem jurisdição eclesiástica sobre a ilha. Veio dele a ideia de convidar o papa para Lesbos.

O problema dos refugiados deve ser enfrentado ecumenicamente. A iniciativa dos corredores humanitários para os refugiados do Líbano à Itália foi promovida pelos valdenses e pela Comunidade de Santo Egídio, com o governo italiano. Francisco mostra como o drama dos refugiados interpela a consciência cristã europeia.

Os refugiados são pobres que batem às nossas portas. Eles não podem voltar atrás: têm às costas o abismo da morte. Acolhê-los é um dever, mas também um "dom" para a Europa em crise demográfica, à qual eles dão novo vigor. As próprias Igrejas de vários países europeus são revitalizadas pela presença dos imigrantes cristãos.

Em vez disso, prega-se o medo, que engrossa as filas dos diversos partidos do "muro". Francisco, o Patriarca Bartolomeu e o arcebispo de Atenas enviam uma mensagem através da viagem a Lesbos, que representa simbolicamente uma ponte entre a Europa e o mundo dos refugiados.

As Igrejas não podem ficar prisioneiras das lógicas institucionais ou das políticas dos seus países, sem uma visão do futuro. Pergunto-me se este não é o momento para uma convocação dos cristãos europeus (ecumênica e rápida), um Sínodo ecumênico, que aborde a grande questão dos refugiados e a Europa. O papa pode convocá-lo. E, com ele, o Patriarca Bartolomeu.

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