O caos provocado pelo mosquito

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26 Janeiro 2016

"O fato é que a epidemia de DengueChikungunya e Zika só irá diminuir caso a população mude de atitude, que envolve uma meta fácil: não permitir que haja água parada em pneus velhos, vasos de plantas, ralos e caixa d’água destampada. É em meio ao caos que a população tem que mostrar sua força", escreve Janguiê Diniz, mestre e doutor em Direito e Fundador e Presidente do Conselho de Administração do Grupo Ser Educacional, em artigo publicado por EcoDebate, 25-01-2016.

Eis o artigo.

Mais de um 1,6 milhão de casos suspeitos de dengue foram notificados no ano passado, segundo dados do Ministério da Saúde. Um crescimento de 178% em comparação a 2014. Do total de casos de 2015, mais de 840 pessoas morreram – 80% mais óbitos que no ano anterior. Vivemos a maior epidemia de dengue desde os anos 1990.

Entretanto, não só de dengue vive o Aedes aegypti, mosquito transmissor da doença. Ele é, também, responsável pela transmissão da febre Chikungunya e o vírus Zika, que ao infectar gestantes pode causar aos bebês a má formação conhecida como microcefalia.

Os dados são alarmantes e, mais do que a dengue e a Chikungunya, a maior preocupação tem sido com o alto índice de crianças nascidas com microcefalia, principalmente em Pernambuco. O Zika vírus infectou ao menos meio milhão de brasileiros neste ano, de acordo com a estimativa mínima do Ministério da Saúde. Considerando expectativas de casos não informados, o número sobe para 1,4 milhão de pessoas contaminadas, segundo o Protocolo de Vigilância e Resposta à Microcefalia e ao Zika.

Infelizmente, em meio à crise política e econômica, os problemas na saúde pública se agravam com a epidemia dos vírus, lotando ainda mais os hospitais e levando a espera por atendimento a se arrastar por muitas horas. E no meio do caos, talvez a assertiva mais correta seja dizer que a população é vítima do seu próprio descaso.

Hoje, o exército está nas ruas para ajudar a combater o mosquito. 80% dos focos de reprodução estão nas casas, que, infelizmente, não conseguem ser vistoriadas pelos agentes de saúde ou pelos soldados porque os donos não liberam a entrada ou porque os imóveis estão fechados.

No final de 2015, foi aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) o registro da vacina contra a dengue. A vacina é considerada eficaz na prevenção dos quatro tipos de dengue, no entanto, não protege contra Chikungunya e Zika. Claro que algumas perguntas surgem diante da notícia: por que demorou-se tantos anos para buscar uma vacina para a dengue? A medicação será disponibilizada pelo SUS? E partir de quando será possível encontrá-la no mercado?

Ainda sobre a eficácia da vacina, um estudo que envolveu quase 21 mil crianças e adolescentes da América Latina e Caribe demonstrou que a vacina foi capaz de reduzir em 60,8% o número de casos de dengue. Em outro estudo, feito com mais de 10 mil voluntários da Ásia, a vacina conseguiu reduzir em 56% o número de casos da doença. Ou seja, não é uma solução definitiva.

O fato é que a epidemia de Dengue, Chikungunya e Zika só irá diminuir caso a população mude de atitude, que envolve uma meta fácil: não permitir que haja água parada em pneus velhos, vasos de plantas, ralos e caixa d’água destampada. É em meio ao caos que a população tem que mostrar sua força. É preciso denunciar criadouros, entrar em imóveis fechados ou abandonados e acabar, de uma vez, com o que causa as três doenças: o mosquito.

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