Não podemos pescar, não podemos tomar banho, o rio morreu para nós

Revista ihu on-line

SUS por um fio. De sistema público e universal de saúde a simples negócio

Edição: 491

Leia mais

A volta do fascismo e a intolerância como fundamento político

Edição: 490

Leia mais

Maria de Magdala. Apóstola dos Apóstolos

Edição: 489

Leia mais

Mais Lidos

  • Arquivos da ditadura ao alcance do público, na Unisinos

    LER MAIS
  • Teilhard de Chardin, um homem extremamente contemporâneo

    LER MAIS
  • Segunda maior rede de supermercados do Brasil deixará de vender carne de fornecedor que desmata

    LER MAIS

Newsletter IHU

Fique atualizado das Notícias do Dia, inscreva-se na newsletter do IHU

close

FECHAR

Enviar o link deste por e-mail a um(a) amigo(a).

17 Novembro 2015

"Não podemos tomar banho, não podemos pescar...O rio morreu para nós", disse à BBC Brasil o indígena Aiá Krenak, enquanto contemplava as plácidas águas do rio Doce, contaminadas pela lama espessa que escoa há dez dias de duas barragens de rejeitos de Mariana, a 100 km de Belo Horizonte.

A reportagem é de Luis Kawaguti e Ricardo Senra, publicada por BBC Brasil, 16-11-2015.

Os krenak vivem em uma tribo de cerca de 350 índios atravessada pelo rio, a poucas dezenas de quilômetros da fronteira entre Minas Gerais e Espírito Santo. Tida como sagrada há gerações, toda a água utilizada pelos índios para consumo, banho e limpeza vinha dali.

"Vi muito peixe morto, quase desmaiei, de tanto chorar", contou Dejanira de Souza Krenak, outra moradora da tribo.

À BBC Brasil, os índios informaram que foram notificados por uma decisão judicial que determina que eles deixem o local em até cinco dias --o prazo expira na próxima terça-feira.

Eles prometem continuar lá --a menos, dizem, que representantes da Vale apareçam para discutir com eles a recuperação do rio sagrado e um esquema de fornecimento de água por caminhões pipa.

A tribo decidiu interromper a Estrada de Ferro Vitória-Minas, em protesto contra a contaminação do rio Doce, após o rompimento das barragens da mineradora Samarco.

Procurada, a Vale informa que "continua, com apoio da Funai, as tentativas de negociação com o Povo Indígena Krenak para liberação da ferrovia".

A Vale, controladora da Samarco, é dona da linha férrea, por onde transporta minérios para exportação.